4.10.18

Será que é amor? - Final

"Nem toda história termina quando acaba"


Caroline ainda distante de tudo e todos saiu caminhando pela rua. Estava bastante pensativa quanto ao que a diretora havia dito para ela.
Enquanto caminhava relembrava todos os bons momentos que teve com Débora por mais que não quisesse já que aquilo tudo estava prestes a acabar.
"Será que é a melhor opção ? " " será que não deveríamos ficar juntas mesmo nos amando ?" E em busca das respostas, Caroline culpava todos.
Carol definitivamente odiava saber que em um mundo repleto de coisas tão diferentes, desde invisíveis a olho nu quanto coisas que podem ser vistas por quem quer que seja habitavam o mesmo planeta no qual também existiam pessoas incapazes de exercer empatia. Odiava saber que para essa minoria existente na terra pouco importava o que as outras sentiam. Se havia algo que ela acreditava fielmente é que cada pessoa tem o seu próprio mundo, e o mínimo que ela ou qualquer outra pessoa poderia fazer era respeitar o mundo um do outro.Se esse outro não está fazendo mal a ninguém, por que insistem em julgar?! Diante de tantos pensamentos, Caroline já ia quase se esquecendo do encontro que havia marcado com Débora. Provavelmente ela chegaria atrasada no aeroporto mas mesmo assim foi, torcia para que Débora a esperasse. Logo após se despedir do primo, Débora foi direto para a área de embarque. Sentada no banco pensava no seu reencontro com sua ex, lembrava de como tudo foi tão dolorido, tudo que havia acontecido entre elas fora guardado a sete chaves. Débora nunca dividiu toda a história com ninguém e isso as vezes a sufocava. Ela precisava contar para alguém, e estava decidida que esse alguém seria Caroline. Quanto mais o tempo passava mais ansiosa ficava, parecia que tinha ficado meses sem vê-la quando na verdade não passou de um dia.
A última vez que havia sentido tanto amor por alguém se decepcionou tanto a ponto de não querer se envolver com ninguém mais entretanto não seria digno e muito menos justo comparar o amor que sentia por Carol, definitivamente aquele era um sentimento único. Depois de esperar um tempo razoável, Débora embarcou no avião. Que a vida é uma caixinha de surpresas Débora tinha certeza, se certas coisas aconteciam por coincidência ou sinais foi uma pergunta que ela sempre fez desde a infância e nunca encontrou a resposta. Coincidência ou sinal, Débora assim que se sentou no avião, se deparou com uma mãe que brincava com seu filho. O garoto estava completamente agitado enquanto a mulher parecia perdida. -Calma. É só um aviãozinho. Olha lá, se você ficar aqui vai conseguir ver o céu - falou Débora carinhosamente com a criança enquanto apontava em direção a janela, o menino ficou super atento assim que ela se dirigiu a ele. O garoto logo se animou e prestou atenção no que ela disse, sentou em seu colo e ficou olhando pela janela. Débora ofereceu seu lugar para a mãe da criança para que ele ficasse ao lado da Janela. A mulher ficou bastante agradecida e aceitou a troca de lugares. Por um momento Débora imaginava o quanto seria incrível formar uma família e ter filhos para cuidar, por outro, lembrava das coisas que já havia feito e sentia que aquilo talvez não fosse para ela. -Você também tem filhos ? - perguntou a moça. -não, não tenho- respondeu simpática enquanto retirava o livro da bolsa. -Eu tenho só ele mas acredite, vale por três. As duas riram. - Você parece ser dar muito bem com crianças. - comentou a mulher. - sim, eu gosto de crianças. Não tenho filhos mas pretendo ter algum dia.-falou enquanto olhavam o garoto brincar. - filhos são uma dádiva. Minha gravidez não foi planejada, quando descobri achei que meu mundo tinha acabado mas hoje vendo que ele é o amor da minha vida, sei que foi a melhor coisa que fiz. As vezes não entendo como existem mulheres que abandonam os filhos ou então são capazes de abortar, matar uma vida. - Talvez essas mulheres não precise que você a entenda, apenas as respeite. - comentou Débora sorridente sem olhar para a mulher pois folheava discretamente as páginas de seu livro. - Eu nunca respeitaria esse tipo de mulher, na verdade não são mulheres e sim assassinas. Dignas de penas. Débora por mais que discordasse da mulher tentou não julgar seu pensamento ou responder com agressividade, optou apenas por questiona-lá de alguma forma. -Quando você engravidou, todos te ajudaram e parabenizaram pela gravidez? -não. Pouquíssimos não me apontaram o dedo dizendo o quão errada eu estava e o quanto eu havia destruído a minha vida. Minha mãe ficou ao meu lado, foi praticamente a única enquanto meu pai me condenou a gravidez inteira, meus tios então. - por que você não tenta ser sua mãe na vida de outras mulheres ao invés de ser seu pai ? - como assim? Não entendi. - Só estou dizendo que não seja mais uma que crucifica e aponta o dedo, seja alguém que busque compreensão e que ofereça ajuda. - Você está me dizendo para ajudar mulheres que abortam ou abandonam seus filhos ? - Ajudar é melhor que condenar. - confirmou Débora. - você é daquelas a favor da morte de bebês inocentes ? - falou a garota um pouco irritada. Débora parou de folhear as páginas do livro e encarou a moça. - Ainda não tenho opinião formada sobre esse assunto. Mas quando criança, meu pai sempre me levava para igreja e instituições de caridade. Conheci Freiras que se disponibilizaram a ajudar mulheres grávidas, nunca as vi julgando ninguém, obviamente elas eram contra o aborto. Mas lembro perfeitamente do trabalho social no qual elas faziam. Iam em clínicas da pior espécie na tentativa de convenceram mulheres que aquilo não era o melhor a ser feito, disponibilizavam casa, comida, carinho e amor. Elas não lutariam ou lutavam para que o aborto fosse legalizado mas escolheram acolher mulheres ao invés de julga-la ou desejarem a morte. E se tem algo que aprendi foi que se não for pra estender a mão, não semeie o mal. - bonita história, mas nada me comoveu. Mulheres que abandonam seus filhos e abortam bebês deveriam apodrecer na cadeia. Débora pensou em refutar a garota mas optou por ficar em silêncio. Depois de tanto ser julgada por pessoas que não conheciam um terço da sua história ou do que se passava com ela, definitivamente apontar como errado escolhas alheias não estava no seu caderninho de obrigações. Assim as duas passaram o voo em silêncio, enquanto a mulher brincava e conversava com filho. Débora lia um livro que falava sobre a história de duas mulheres que haviam se apaixonado durante o século XIX. Caroline assim que chegou no aeroporto foi andando rapidamente para o local de desembarque mas logo que chegou lá descobriu que o voo no qual Débora estava chegaria atrasado. Ela ficou aliviada, acabou se sentando em uma cadeira e em seguida pegou uma revista que estava sobre a mesa. Carol folheava a revista mas mal conseguia se concentrar para ler qualquer coisa que pudesse está escrito ali, sua mente estava tumultuada demais para focar em uma simples leitura, nunca esteve tão ansiosa para ver Débora, pareciam que tinham passado tanto tempo longe uma da outra que não via a hora de vê-la passando por aquela porta em sua direção. Caroline estava completamente entediada e sua mente não parava de pensar por um segundo, estava se sentindo sufocada prestes a sair dali para tomar um ar, até que avistou no painel que o voo de Débora havia acabado de chegar, por um instante seu coração acelerou mais forte, deu um sorriso espontâneo só por saber que ela havia chegado. Caroline continuou sentada só que dessa vez encarava a porta de entrada para quem estava saindo da pista em direção a entrada, não via a hora de ver Débora saindo por lá, não se passaram mais de cinco minutos e ela finalmente passou pela porta. Se por um lado Caroline poderia sair correndo em direção em sua direção e pular em seu colo por outro lado esse tipo de atitude não fazia parte de sua personalidade um tanto quanto contida, que fez questão de sorrir e permanecer sentada até que Débora se aproximasse. Assim que Débora aproximou-se, Caroline levantou e a abraçou bem forte. Abraços fortes vindo dela não era novidade para ninguém mas aquele tinha algo de diferente, foi intenso, carinhoso e ao mesmo tempo reconfortante. Débora retribuiu abraçando-a na mesma intensidade. As duas não trocaram uma palavra se quer, apenas olhares e toques. Débora beijou Carol no rosto enquanto apertava sua cintura, Caroline por sua vez retribuiu dando um beijo no canto de sua boca, uma ação que deixou Débora bastante surpresa. -Sentiu muitas saudades de mim ? - perguntou Débora sussurrando em seu ouvido. -você ainda pergunta ? - respondeu Caroline se desvencilhando e a fitando nos olhos. As duas sorriam incisivamente uma para outra, ficaram de mãos dadas enquanto trocavam olhares. -Acho melhor irmos. - falou Débora que em seguida pegou a mão de Caroline indo para a saída do aeroporto. Num primeiro momento Carol sentiu receio por pegar a mão de Débora em um local público, mas estava tão feliz que todas as coisas ruins que estava pensando foram se esvaindo. Até porque pouquíssimas pessoas as olharam de maneira diferente. Débora pediu um táxi e as duas foram em direção a sua casa. No caminho, não conversaram muito, apenas entrelaçam os dedos e seguraram com firmeza a mão uma da outra. Débora acariciava a mão de Caroline que retribui-a da mesma forma. As vezes uma olhava para a outra e os olhares se encontravam, outra hora uma olhava para a boca da outra e sorriam ao perceber esse pequeno detalhe, Caroline ao perceber que Débora olhava tanto pra sua boca quanto ela olhava pra dela fez questão de morder os próprios lábios.
Aquelas trocas sutis de desejo fazia o clima esquentar discretamente. Débora não esperava chegar a hora para irem direto para o seu apartamento. Estava com tantas saudades de Caroline que era uma tortura ter que esperar para beija-la. Vendo as provocações da garota, Débora passava suas unhas entre as coxas de Carol, arranhava desde em cima até chegar aos joelhos. Mesmo sobre a calça dava para sentir as unhas suas unhas deslizando sobre sua coxa e isso deixou Carol completamente arrepiada que em seguida soltou um sorriso demonstrando não só nervosismo como também excitação ficando ainda mais claro quando ela passou a mão no pescoço e se abanou. Débora riu da situação, sentia-se vingada já que Carol adorava provoca-la por que não ser provocada também?!.
-Está calor aí atrás ? Posso ligar o ar - falou o motorista olhando pelo retrovisor. Caroline ficou sem jeito e respondeu que não precisava, Débora apenas riu. Como já estavam mais próximas da casa de Débora, as duas ficaram em silêncio. Tanto uma quanto a outra optaram por não se tocarem mais, era notável o desejo que emanava ao sentir a pele uma da outra. As vezes trocavam olhares mas uma desviava da outra. -É perto da rua quatro ?- perguntou o motorista. -Isso mesmo, segue em linha reta e vira a esquerda. - Sim senhora. O motorista seguiu como Débora havia guiado e finalmente chegaram ao prédio. Assim que entraram no condomínio, foram cumprimentadas pelo porteiro que estava bastante animado escutando seu famoso rádio. Elas seguiram para o elevador no qual estava completamente vazio, para a sorte das duas que assim que entraram trocaram intensos olhares de desejo. Caroline se jogou encima de Débora, a prensando contra o elevador, começou beijando-a de forma tão intensa que até ela estranhou no início mas nada que a fizesse não gostar daquela dominância vinda de Carol. Caroline beijou de forma quente e intensa, entrelaçaram suas línguas e percorria seu corpo com as mãos, suas mãos apalpavam cada parte e detalhe das curvas de Débora, ela pegava com firmeza e um tanto quanto de forma bruta, entre um beijo e outro, mordia os lábios de Débora, os puxando para trás, eles estavam ficando completamente vermelhos, uma cor extremamente bonita aos olhos de Caroline que começou descendo pelo pescoço, dava beijos e leves lambidas, Débora nesse momento já estava sem reação, apenas jogou a cabeça para trás enquanto a garota beijava seu colo com veemência. -Espera, aqui não tem câmera ? -perguntou Caroline. Débora completamente excitada mal ouviu a pergunta pois só conseguiu perceber que Caroline havia parado com o que estava fazendo. -Não para -falou entre palavras cortadas. A porta do elevador se abriu de repente.
Ver Débora nitidamente diferente do habitual foi uma surpresa para sua vizinha Valentina, que poderia imaginar o que as duas estavam fazendo ali, dessa vez Débora que ficou sem jeito com a situação. -Boa noite - disse Débora cumprimentando-a. Caroline por sua vez apenas sorriu e a encarou. A vizinha retribuiu os bons modos de forma bastante simpática, as duas saíram e ela entrou mas antes de fechar a porta não deixou de comentar. -Belo chupão Débora. - disparou enquanto sorria. Nessa hora a porta do elevador se fechou, Débora sorriu completamente sem graça com o comentário que acabava de ouvir. -não acredito que ela falou isso - disse Carol. -acontece. Vem - respondeu Débora puxando Caroline pelas mãos para irem para seu apartamento. -essa mulher é muito descarada. -esquece ela. -esquece e ela ? O que ela tem a ver com seu chupão ? - questionava a garota ainda inconformada com a petulância da mulher. Assim que abriu a porta, Débora rapidamente a fechou, deixou a mala ali mesmo. - Ela eu não sei, só sei que quero que você faça mais. Muito mais, me deixar marcada não será problema algum- falou Débora que em seguida beijou Caroline. As duas começaram a se enroscar uma na outra, foram caminhando para o sofá sem parar de se beijarem, entre mão bobas daqui e dali Débora jogou Carol contra o sofá e em seguida sentou-se encima dela, continuaram beijando com voracidade. Antes de tirarem suas vestimentas trocam diversas declarações. -Eu estava morrendo de saudades - falou Carol enquanto era beijada no pescoço. -Eu também, muita. Eu te amo tanto - disse Débora enquanto olhava para Caroline.
Ficaram se olhando e era como se uma pudesse e fosse capaz de decifrar a outra apenas com o olhar. -Estou com medo- falou Caroline rente aos lábios de Débora que ficou parada ali durante um breve tempo. Débora então a abraçou, saiu de cima de Carol edeitou-se ao seu lado, as duas ficaram em silêncio, abraçadas e deslizando com toques suaves o corpo uma da outra, respiravam com mais leveza e calma. -Perdeu a vontade? - perguntou Caroline em tom brincalhão. Débora olhou para Carol por alguns instantes sem dizer absolutamente nada. -O que foi? aconteceu alguma coisa? -Antes da viagem, por que você me tratou daquele jeito? -Está perguntando porque me recusei a fazer sexo com você? -Sim, por que?. -É que por algum motivo você esconde as coisas de mim e acaba que fazer sexo é seu melhor remédio mas não é o que vai te fazer bem e nem me fazer bem, queria que entendesse isso. -E o que vai me fazer bem? -Conversar. Ao mesmo tempo que você tem segredos, pensamentos, ideias, sentimentos que não contam a ninguém por algum motivo quero que saiba que estou aqui, nunca vou usar nada do que me contar contra você mas por favor só não fuja de mim ou tente me fazer alguém que você só gosta de transar. -Você sabe que você não é essa pessoa na minha vida Caroline, Você sabe disso. -Então por que não me conta sobre você? sobre a pessoa que você já foi e não é mais? Por algum motivo Caroline compreendia Débora de maneira que ninguém se quer já tentou a compreender e isso fazia Débora se sentir acolhida e amada, depois de tudo que havia acontecido em sua vida, Débora não se via confiando e acreditando em outro alguém, se divertir através de festas e sexo sempre foi o ideal para uma vida sem mais decepções. Débora se levantou do sofá e convidou Carol para irem para o quarto chegando lá pegou uma caixa que ficava em seu guarda-roupa, uma caixa grande no qual estava trancada, Débora levou para a cama onde Caroline estava sentada esperando o que havia de tão importante lá dentro que precisava até de senha para abrir. -Aqui eu guardo algumas coisas que me fazem lembrar... -Do seu filho? - perguntou Carol. -Ele não é meu filho.. Caroline confirmou com a cabeça e compreendeu o significado de filho e mãe para Débora, e de certa forma concordava com aquilo, concordava que para ser mãe não bastava ter o mesmo sangue ou gerar, se mãe era ter laços além do biológico Débora abriu a caixa e havia muitas cartas, alguns documentos, e poucas fotos. Entre as fotos tinha uma que era ela e da ex namorada concluiu Caroline que sentiu seu coração acelerar mais do que o normal. Questionava a si mesma porque Débora ainda guardava essas coisas que faziam lembrar de sua ex, uma leve insegurança começou tomar conta do seu interior. -Eu a encontrei hoje. - Falou Débora encarando Caroline que de imediato sentiu seu coração quase saindo pela boca mas mais do que nunca tentou manter a serenidade que ela sabia que tinha que ter e era disso que Débora precisava no momento, alguém para escuta-lá. -E não conversamos tanto pois ainda estou bastante magoada por tudo o que aconteceu, acho que durante todos esses anos eu nunca a perdoei. Ela estava tão bem e tão feliz enquanto me senti presa durante todo esse tempo, presa no passado, presa na mágoa que carrego dela até hoje. -O que ela fez de tão ruim para te deixar assim? - perguntou Carol tentando entender o que se passava com Débora, entrelaçou seus dedos entre os delas e apertava suas mãos de forma carinhosa.
Débora respirou fundo e abraçou r=Carol. As duas passaram alguns minutos daquela forma e em silêncio até que Débora começou a chorar continuamente. Caroline a puxa para o centro da cama e se deita fazendo com que Débora deitasse sobre seu peito. Após se acalmar um pouco, Débora começou a falar, um pouco receosa mas ainda sim disposta a dizer tudo que estava entalado em sua garganta. -Antes de tudo se arruinar, éramos muito amigas, éramos cúmplices, contávamos todos os segredos uma para a outra até que um dia ela me beijou, eu nunca tinha imaginado ficar com uma mulher mas depois do beijo comecei a sentir algo que nunca tinha sentido antes, por ninguém, era como se algo me preenchesse depois de tanto tempo vazio. Contava Débora que em determinado tempo parou. -Desculpe. -pelo que ? - perguntou Carol. -por fazer você ter que escutar essas coisas, só quero que saiba que eu não sinto mais nada por ela- falou Débora se levantando para olhar nos olhos de Caroline. - Eu entendo, não precisa me explicar. - preciso,você sabe que sim. Eu te amo Caroline - afirmou Débora olhando para Carol com ternura. -Continuando, ela me fez sentir a mulher mais amada do mundo durante o tempo que passamos juntas mas no final nem amiga ela foi justo ela que sempre foi minha amiga então o mínimo que esperava dela era consideração. Tínhamos planejado nosso casamento, quantos filhos iríamos ter e qual casa iríamos morar. -falava Débora completamente comovida ao se lembrar da história, nitidamente ela vivia suas emoções do passado ao lembrar cada detalhe e mágoa que ainda tinha de sua ex. Caroline ficou nitidamente surpresa ao saber que Débora pretendia se casar. - Essa parte de casamento... Pensei que vocês foram apenas namoradas - nosso " noivado" se assim podemos dizer durou poucos meses. Mas estávamos bem antes de tudo acabar, tanto que na época o sonho dela era ter um filho mesmo eu não querendo por não ter assumido nada para minha família ainda. - vocês planejavam inseminação artificial ? - Era o ideal, eu queria isso, pensava no procedimento sim mas depois, depois de nos casarmos e antes de casar eu pretendia contar tudo para minha família independente do que eles poderiam fazer mas para isso eu tinha que terminar minha faculdade,conquistar minha independência. Ela dizia concordar mas no fundo se incomodava de termos que esconder nosso relacionamento por minha causa. - Entendi. E depois ? - perguntou Carol atenta em tudo que Débora havia para dizer. - E depois que um amigo dela que morava na Itália veio visitá -la, passar as férias no Brasil, se hospedou na casa dela e.. - e aí ela te traiu? - perguntou Carol intrigada. - não - respondeu rindo - quer dizer, não que eu saiba.- corrigiu a resposta anterior vendo que a traição era sim uma possibilidade mas nada que motivou o término. - aconteceu que ela queria muito ter um filho, mesmo não estando tão estruturada no momento, nem eu e nem ela. Nunca imaginei ter um filho antes de ao menos está formada, ela só trabalhava. Entende que não era loucura da minha parte não querer ter filhos ? -Entendo. E acho que você estava certa - falou Caroline dando as mãos para Débora. -Eu também achava que estava certa. Mas mesmo assim ela insistia constantemente para que tivéssemos um. Insistiu tanto que eu aceitei - finalizou Débora cabisbaixa. Por mais que ela tentasse não chorar era difícil diante das lembranças. -como assim? O que vocês fizeram ? - questionou Caroline. -Ela me convenceu que ao invés de gastamos o dinheiro que não tínhamos em inseminação artificial podíamos fazer do método tradicional, aliás, eu fiz. -Com o amigo dela ? Débora confirmou balançando a cabeça ainda derramando lágrimas. Caroline a abraçou com força, acariciava suas costas enquanto escutava Débora chorar. -Se não quiser continuar, vou entender... - disse sussurrando eu seu ouvido. Débora se desvencilhou de Caroline e enxugou as lágrimas no lenço que segurava em suas mãos. -Não, eu preciso continuar - disse dando uma longa respirada para continuar. -Eu não queria transar com ele mas mesmo assim ela insistiu e acabou me convencendo que seria bom, eu a amava tanto, estava disposta a fazer qualquer coisa para que ficássemos juntas, eu queria que desse certo, ela falou que seria mais fácil e de fato seria e poderíamos em breve ter uma família e hoje.. - deu uma pausa antes de continuar. -vendo tudo hoje, eu não sei se me arrependo por tudo que fiz ou fico feliz por ter gerado uma vida, afinal , ele não tem culpa, é só uma criança. Caroline apertou a mão de Débora e a olhava com carinho e compreensão, tais gesto eram o suficiente para Débora se sentir segura e acolhida ainda mais por Carol. -Naquela noite bebemos para relaxar e então fomos nós três para a cama. Lembro que de fato ficamos os três mas ele penetrou apenas a mim. Lembro também que bebi tanto para não poder me lembrar daquela noite. Foi a última vez que fiquei com um homem, foi tão ruim - falou rindo. Caroline acompanhou com a risada. -Mas por que depois de tudo vocês não ficaram com ?? -ela não sabe. - falou Débora incisiva. -como assim ? Ela não sabe que você ficou grávida ? Que você teve a criança que tinham planejado ? Débora negou com a cabeça. -Continuamos bem até o segundo mês depois dessa noite, até ela ganhar uma bolsa para estudar fora do país. Não que eu queria que ela desistisse de tudo mas ela não se importou nem de me contar. Sabia que eu descobri apenas quando fui para a casa dela contar que todos da minha família já sabiam sobre a gente ? Caroline balançou a cabeça confirmando e em seguida abraçou Débora. -E quem sabia que você estava grávida? -mamãe e algumas pouquíssimas pessoas. Ela me ajudou durante a gravidez e depois. Sei que devo isso à ela mesmo não sento a mãe mais compreensiva do mundo e me julgando e condenando por ser lésbica, ela ainda foi mãe nesse período da minha vida. - disse entristecida. As duas ficaram se entreolhando por alguns minutos até que Débora abraça Caroline com delicadeza e em seguida a beija. -Obrigada por tudo.- disse pausadamente enquanto beijava sua boca. Caroline a abraçou com mais firmeza trazendo Débora rente ao seu corpo. As duas começaram a se beijar carinhosamente até pegarem no sono. Assim que Carol abriu os olhos depois de ser acordada ao som de fortes batidas na porta, Débora também acorda em seguida, se levanta tão assustada quanto Carol. -O que é isso ? - perguntou Débora ainda sonolenta mas bastante pávida. As batidas permaneciam insistentemente. -É melhor você não abrir. - falou Carol indo atrás de Débora que se dirigia a caminho da porta. -Não deve ser nada demais. O porteiro não deixaria alguém estranho entrar - falou tentando tranquilizar. Assim que abriu a porta, Débora se deparou com Vivian aparentemente aflita. -O que houve ? Perguntou Débora. -olha isso - falou Vivian entregando o celular. - não acredito. - falou Débora incrédula diante do que estava vendo. Caroline não conseguiu entender nada do que poderia está acontecendo ali. Será que não teriam paz ? O que poderia ser tão ruim quanto tudo que já estava acontecendo?! -O que foi ? Foi a Juliana ? O que ela fez dessa vez ?! - perguntou Caroline que ora encarava Débora ora encarava Vivian que permaneceram em silêncio.






Será que é amor acabou?

Será que é amor estará disponível em forma de livro digital no qual estará disponível a história completa, todos os capítulos até aqui e a continuação até finalmente acabar.
Fazer da minha história preferida em livro é um sonho no qual poderei transformar em meu trabalho, não somente a história como os detalhes desde formatação, design estarão sendo preparados com bastante carinho para cada leitora que me acompanhou até aqui, agradeço por lerem, por me acompanharem e principalmente por gostarem/amarem a história tanto quanto eu.
Agradeço do fundo do meu coração. obrigada pelas mensagens, depoimentos e todas mensagens de carinho que me mandam. Desculpem a demora nas postagens, sei o quanto isso é ruim para você que está lendo.
Quero me comprometer a fazer do site "Bler contos" meu trabalho no qual o meu compromisso com vocês não será apenas proporcionar histórias emocionantes e apaixonantes mas também me comprometer a postar com frequência e de maneira periódica, quero fazer disso meu trabalho e espero que entendam.
O livro estará disponível ainda nesse ano de 2018, mais precisamente em Dezembro. 
Avisarei a todas que se inscreverem nessa lista (clique aqui)  por e-mail e whats app quando estiver disponível, ou então basta acompanhar nossas redes sociais que postarei por lá também.

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Farei um sorteio do livro digital "será que é amor" no nosso perfil do instagram @blercontos assim que chegar a dez mil seguidores, então nós siga e fique de olho para participar.

Obrigada por quem leu até aqui e aguardem com carinho e compreensão o término dessa história, espero não apenas surpreende-lás mas que de alguma forma cada personagem marque suas lembranças. 
Até breve minhas leitoras.


Beijos da bler.

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