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Será que é amor? - capítulo 68

Assim que Débora pisou em casa sentiu uma sensação estranha visto que fazia tanto tempo que tinha deixado tudo para trás e as coisas estavam completamente diferente.
-Minha filha -falou sua tia abraçando-a com força. Débora não queria chorar mas assim que encontrasse sua mãe seria inevitável,sua tia também sabia disto e tentava acalma-la com palavras doces e singelas. Ela sabia lidar com tais acontecimentos da vida, Débora lembrou da vez no qual perdeu seu primo, filho dela, não conseguia entender como alguém poderia ser tão forte para suportar a perca de um filho mas sabia que existiam pessoas assim,sua tia era uma delas.
-Está tudo bem ? Comeu ? Está cansada ? - perguntava preocupada.
-Está sim tia, não se preocupe , eu só vim para... - falou sem conseguir terminar a frase, sua garganta já estava seca e segurava- se para não chorar.
Sem enrolar muito, todos foram de imediato a caminho da igreja, por opção de sua tia.
No caminho, dentro do carro houve alguns esclarecimentos sobre alguns fatos.
- Minha filha, você sabe que sua mãe não aprova sua escolha,não é mesmo ?
- tia com todo respeito que tenho pela senhora, não estou com nenhuma vontade de discutir sobre esse assunto.
- não quero discussão minha querida, só quero conversar.
Débora respirou fundo, sabia que sua tia era bem diferente da sua mãe apesar de nunca terem conversado sobre quaisquer um dos assuntos que a fez ir embora de casa.
-Tudo bem.- disse calma esperando escutar mais um dos inúmeros conselhos que já escutou em relação a obedecer seus pais e entender que tudo era bastante difícil para eles,coisa que Débora nao concordava jamais.
-Quando sua mãe voltou depois de ter ido te ver, fizemos uma corrente de oração para você ...
-corrente de oração ? -perguntou incrédula.
-calma minha filha, deixa eu terminar.
Débora acatou o pedido mesmo esperando que aquela conversa não teria nada de proveitoso, apenas estressante como todas as outras, estava começando a se arrepender por ter ido.
-Ela falou que você estava totalmente desorientada por está se relacionando..
-com uma mulher ? -perguntou Débora irônica.
-não,claro que não, a questão é que é uma menina Débora.
Débora riu. Seu coração acelerava e sua garganta secava.
Sua tia continuou.
-Todos nós queremos o seu bem, e talvez você esteja cega demais para enxergar que Ela só te trará problemas. Não queremos te julgar mas não podemos deixar que essa garota destrua sua vida. Você deveria saber que tudo isso é errado. Que ela é apenas uma criança. Uma menina que tem pais que não vai gostar nada do que vocês têm, você não pode simplesmente achar que isso tudo é amor. Débora minha filha, você cresceu . Você é uma mulher adulta e cabe a você reconhecer quando algo está errado.
- O que você quer dizer com isso ?
- o que você esta fazendo é errado Débora, eu não te julgo por gostar de mulheres mas minha filha não tem como não interferir nessa situação, é uma garota inocente que ainda nem sabe do que gosta e que não está pensando nos problemas que te causará então cabe a você..
- para o carro. - falou em tom de voz alto.
- para o carro ! - gritou até que seu primo finalmente parou.
Débora desceu do carro levando sua mala e bolsa. Enquanto sua tia falava que não havia necessidade de nada daquilo, Débora só queria ir para bem longe. Sua cabeça explodia só de pensar em tudo que acabara de escutar, ela definitivamente estava arrependida por ter voltado.
Se já não queria ter como última cena do seu pai em um caixão, escutar os julgamentos de sua tia colaboraram ainda mais para ela nem se quer pisar na igreja e presenciar o velório do seu pai.
Ela não iria, não iria guardar em sua memória a imagem do seu pai morto no caixão e do dia horrível que seria aquele dia principalmente depois de ter ouvido tais palavras de sua tia.
Débora ligou para um táxi que fora buscar na estrada, por mais que sua tia e seu primo insistiam para que ela voltasse para o carro, ela se negava. Como havia um restaurante ali perto, Débora fora em sua direção afim de evitar a insistência para que ela reconsiderasse sua ideia de não ir embora, mas ela estava decidida, iria voltar naquele mesmo dia.
-Prima, também não é assim. Ela só que dizer que...
-Eu não quero discutir , as coisas estão difíceis sabe. Eu não preciso de nenhum de vocês se metendo na minha vida como já fizeram.
-Ei, eu não fiz nada..
-sim, não estou falando de você mas de todos eles, e se você for gay, espero que a sua mãe não seja como a minha pois a família é a mesma e você vai escutar bastante coisa.
-vamos conversar. Você está nervosa. - disse ele tentando acalmar Débora.
Os dois entraram no restaurante e pediram suco. Enquanto a tia aguardava no carro, o rapaz tentava convencer Débora que aquele não era o melhor momento para voltar pra casa.
-pra que ficar ? Para todos aqui falarem que estão orando, fazendo corrente pra mim ? Todos me apontando como se eu fosse a maior pecadora quando naquela igreja o que não faltam são maridos e esposas infiéis ? Minha tia e sei lá mais quantas pessoas praticamente dizendo que sou uma....- Debora parou nessa parte colocando suas mãos no rosto.
-Prima, não fique assim... Eu sei que ela exagerou mas pensa bem. Pelo que falaram ela é bem nova. Você sabe que mais cedo ou mais tarde isso daria algum problema principalmente por ela ser sua aluna e estudar na escola onde você trabalha.
Débora ergueu a cabeça e ainda com lágrimas nos olhos sorriu. Sabia que de fato aquilo iria acontecer só não era capaz de explicar o porquê não evitou e só de imaginar isso ela estaria negando tudo que vivenciou com Caroline nos últimos dias e isso era algo que ela jamais poderia fazer consigo e com Carol. Negar que tudo aquilo era algo especial e único.
- Não precisa chorar. Não quero te ver assim.
- Eu sei. Desculpa, só não preciso disso agora. Meu pai morreu, estou prestes a ser demitida, além de muitas outras coisas acontecendo na minha vida. É ela que me apoia, que me ama e está comigo. E que ... -Débora voltou a chorar.
Seu primo tentava acalma-la de todas as formas possíveis até que finalmente conseguiu. Débora já estava decidida que não compareceria ao velório de seu pai e muito menos iria de encontra a sua mãe. Combinou de ser buscada pelo primo mais tarde. Assim a levaria para algum lugar mais calmo, só iria levar a tia que estava o aguardando no carro para a igreja. Por mais que Débora insistisse que seria melhor voltar o quanto antes para sua casa e iria de táxi mesmo sem incomodar ninguém. Seu primo por outro lado insistiu para que ela ficasse, afirmava que ela não estava em condições nenhuma de viajar.
E dito e feito. Débora dispensou o táxi e aguardava seu primo voltar para busca- lá. Nesse meio tempo ficara escutando música e pensando no quanto foi estúpida com Caroline. Sentia tanta sua falta, sabia que se ela estivesse ali seria muito mais fácil enfrentar tudo e a todos mas estando sozinha Débora deixava brecha, brecha para pensar que talvez eles tivessem razão. Talvez ela fosse errada em está disposta a vivenciar um romance com uma aluna menor de idade. Débora se questionava. Chorava ao lembrar de cada palavra que a condenava por está se envolvendo com Caroline. Ela sabia que não era assim que as coisas aconteceram mas nem todos estão dispostos a entender, apenas a julgar e dizer o quanto errada ela estava.
-Demorei ? -perguntou o primo
Débora mal havia entendido sua pergunta tanto que ele teve que repetir. Estava tão distraída que não percebeu sua chegada e muito menos sua pergunta.
-O que tanto estava pensando ? - perguntou ele curioso.
-nada demais - falou Débora.
-pois então . Me fez esperar aqui e até que fiquei mais calma - disse sorrindo.-Entretanto eu tenho que voltar. Já até vi passagens e hoje mesmo tem um vôo de volta, acabei comprando a passagem. É daqui umas seis horas.
-como você é rápida.- disse surpreso.
-independente querido primo. Independente. - afirmou mais alegre.
Os dois sorriam.
- nessas seis horas ainda dá pra fazer muita coisa. Tem certeza que não quer nem mesmo ir ao enterro ?
- não. Não quero, estou bem melhor, não quero piorar novamente.
- tudo bem. Não está mais aqui quem falou.
Os dois saíram dali poucos minutos após a chegada do rapaz. Ele sugeriu para que fossem ao bar que seus amigos da faculdade costumavam ir. Débora aceitou visto que o garoto insistiu pois queria apresentá-los a ela.
-você vai gostar. Eles são demais.- afirmava o menino.
Débora até que se empolgou com sua animação, quem sabe assim esqueceria um pouco dos problemas que tanto a preocupava.
Depois de dormir por um longo período, Caroline acordou melhor, com a mente mais tranquila conseguiu pensar no que poderia fazer para finalmente mudar sua vida. Ao sair do quarto encontrou seu irmão dormindo no sofá da sala.
Assim que viu o celular de seu pai sobre a mesa o pegou e levou para o quarto. De imediato discou o número de Débora, por um momento Caroline não sabia se deveria realmente ligar pois da última vez que se falaram não foi nada bom para ambas as partes. Mesmo com medo Caroline ligou. Só ao esperar escutando os bipes da chamada deixava Carol ainda mais nervosa.
-Alô? - falou Débora assim que atendeu sem ao menos olhar de quem era o número. Estava tão entretida conversando na mesa do bar que não se preocupou em ver quem era.
Caroline ao perceber música festivas ao fundo, não disse nada. Seu coração acelerado agora estava mais pulsante ainda. Se tinha um porquê de ela não ter cedido a investidas de Débora para fazerem sexo naquele dia, era por notar que em momentos tristes Débora descontava suas angústias na cama e imaginar que ela estaria em um festa no dia do velório e enterro do seu pai, não a deixava nenhum pouco tranquila.
Caroline desligou o telefone. Não sabia o que dizer, aliás, sabia que queria dizer que estava morrendo de saudades e que odiava quando não estavam bem uma com a outra mas só de escutar músicas animadas ao fundo e gritarias típico de lugares onde estão pessoas animadas veio um nó na garganta e uma vontade de não falar completamente nada. A voz apenas não saiu.
Débora estranhou mas assim que visualizou o número sabia que era do celular que havia ligado mais cedo. " será que é ela ?" Perguntou para si mesma.
Em poucos minutos Débora retornou a ligação. Sabia que poderia ser outra pessoa de sua casa mas também poderia ser Carol. Ela sentia que era ela.
-Caroline ?
-Oi. - disse a menina sem jeito.
-o que houve? Aconteceu alguma coisa ? -perguntava Débora preocupada.
-sim. Aconteceu.
-me diz, o que foi ? - falou Débora receosa. Tanto que se afastou do lugar onde estava indo em direção à um ambiente mais silencioso.
-estou com saudades de você - falou um tanto quanto sem jeito.
Débora se derreteu. Ficou sorrindo enquanto segurava o celular. Abriu um sorriso tão largo dando uma risada suave mas não silenciosa tanto que Caroline pôde escutar do outro lado da linha.
-Queria que estivesse aqui. Foi tudo tão.. - falou Débora sem conseguir terminar a frase.
-Eu também queria muito está com você. Quando você volta ?
-irei ir hoje a noite. Quer me esperar ?
-claro. Estou com muitas saudades de você.
-eu também. Só quero te abraçar a noite toda e me perdoa por ter sido tão rude com você. Eu sei que..
-não. Está tudo bem. Eu entendo você. Só te quero aqui comigo. - falou Caroline tão suave que Débora ficava sem saber o que dizer. Ela amava tanto tudo aquilo. Amava tanto Caroline que nao conseguia entender como ela conseguia deixa-la assim, toda boba só por falar coisas tão simples que já ouvirá de outras mulheres e que nunca a tocou, não como agora.
-posso te ligar quando eu estiver quase chegando ?
-Nao. Você sabe que esse celular é do meu pai então é melhor não. Vou te esperar no aeroporto. Tudo bem ?
-mas quem é Lucas ? -perguntou Debora ao relembrar de quem havia o telefone mais cedo.
-como assim?
-É que liguei para esse número hoje cedo e alguém com esse nome atendeu o celular.
Caroline suspirou fundo. Por mais que não quisesse levar todos seus problemas para Débora uma hora ou outra ela saberia, então não teria porquê adiar mais.
-É uma longa história. Posso te contar assim que você chegar . Tudo bem para você ?
Débora confirmou que sim. As duas se despediram no maior romance possível.

Depois de tudo que havia acontecido naquele dia tanto com Caroline como com Débora. Com toda certeza aquela ligação fez com que cada uma lembrasse o porquê estavam juntas e o porquê deveriam permanecer uma ao lado da outra.
Assim que Débora desligou o celular fora de retorno a mesa do bar onde estava seu primo e companhia mas quase que de propósito alguém se esbarrou nela deixando a cerveja cair em sua blusa.
-me desculpa, é que...
Assim que se encararam houve um silêncio e uma troca de olhares intensas de maneira que palavras nenhuma puderam ser mais ditas.
O que Débora poderia dizer a mulher que havia a deixando depois de tudo que viveram juntas?!
-Débora! - disse a figura ilustre com um largo sorriso estampado no rosto.





Essa história será disponibilizada até o capítulo 70 aqui no site.
Sendo que ela não terminará no capítulo 70 e sim se transformará em um livro digital que estará disponível até o final do ano de 2018.

Livro digita (clica aqui)

Um comentário:

  1. Que palhaçada é essa meu irmão, tá surgindo ex da Débora das profundezas do inferno né, todo capítulo uma ex nova tá doido, libera logo os novos capítulos por favor

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