19.8.18

Será que é amor ? - Capítulo 67


Débora assim que chegou, ligou para sua tia que imediatamente enviou alguém para busca-la, mesmo Débora insistindo em dizer que não precisava visto que ela poderia pegar um táxi, sem contar que seria bem mais prático e chegaria bem mais rápido, mas mesmo assim sua tia insistiu acabando por fazer Débora aguardar alguém ir busca-la.
Ficou sentada em uma cafeteria que ficava dentro do aeroporto, optou por beber apenas um cappuccino, enquanto isso pensava em Caroline e como ela estaria, adoraria que ela estivesse ali e pensava no quanto estava arrependida pelo que havia feito antes, por ter sido tão incompreesível e dura com carol. Se ela estava evitando-a, seria por algum bom motivo que Débora ao invés de insistir em perguntar, preferiu insistir em tentar que algo acontecesse.
-Quanta tolice – Disse para si mesma.
Então Débora resolveu ligar para o único número que tinha de Carol, estava com saudades de escutar sua voz, e queria que tudo ficasse bem.
-Alô? –Respondeu uma voz grossa do outro lado da linha, Débora optou por ficar em silêncio já que tinha receio de ser o pai de Caroline, mas conseguiu reconhecer que aquela voz não era dele. Não sabia de quem era o homem do outro lado da linha.
-Alô? Quem fala?- repetiu a voz do outro lado da linha.
-Oi, boa tarde. Quem está falando? – perguntou Débora.
-Lucas.
-A Alice está ai? – perguntou tentando disfarçar.
-Não tem ninguém com esse nome aqui não – falou o rapaz de maneira truca.
-Desculpe, foi engano. – Finalizou Débora que em seguida desligou a ligação.
Débora ficou surpresa e preocupada, ela até olhou novamente o número para ter certeza que havia ligado certo e sim, era aquele número mesmo, não entendeu quem poderia ser aquela pessoa, e está tão longe sem poder saber o que poderia está acontecendo com Carol a deixava ainda mais aflita.
Mesmo preocupada, Débora fez de tudo para não imaginar ou pensar em coisas ruins, resolveu dar uma passeada pelo shopping. Entre vitrines e mais vitrines, passou por uma loja de eletrônicos, sem pensar duas vezes, entrou em uma e estava decidida a comprar um celular para Caroline. Não aguentava mais não poder falar com ela na hora que quisesse como por exemplo neste exato momento de aflição no qual ela se encontrava.
Débora escolheu um celular do mesmo modelo que o seu, pediu para que embrulhassem para presente e assim que finalizou a compra recebeu uma ligação de um número desconhecido. Era seu primo, era ele que sua tia havia mandado para busca-la.
Assim que Débora terminou de realizar o pagamento foi de encontro com seu primo que a esperava perto do aeroporto.
Caroline ainda perplexa diante de toda aquela situação ficou sem saber o que dizer, não conseguiria descrever o que estava sentindo naquele exato momento no qual via a mulher que a tanto tempo havia deixando-a.
-Minha filha – disse a mulher indo em sua direção abraça-la.
-Eu senti tanto a sua falta. Você não faz ideia – dizia enquanto a abraçava e acariciava seus cabelos.
Carol por sua vez não retribuiu o abraço, seu semblante estava indefinido, não conseguia entender o que sentia ao ser tocada por aquela mulher, ao ver seu irmão, seu pai. Todos juntos como antes, as vezes parecia que tudo estava prestes a voltar, a vida horrível que pedia todos os dias a Deus para não ter, lembrava apenas do quanto pedia para que tivesse seus dezoito anos o mais rápido possível, só assim conseguiria se ver livre de todos eles.
-Você está tão bonita, tão saudável, tão feliz – falou a mulher a encarando.
-Não graças a você – respondeu Caroline ríspida.
Em seguida a mulher estranhou e ficou sem jeito com a resposta de sua filha mas mesmo assim continuou.
-Estava com tantas saudades, todos os dias eu contava os dias para poder te ver novamente.
Caroline já não aguentava escutar todas aquelas palavras vindo da mulher que se dizia sua mãe, para ela não passava de baboseira vindo de alguém que nunca poderia ser chamada de mãe.
-Com licença falou Carol indo em direção do seu quarto mas antes mesmo de chegar na porta foi impedida por Lucas.
-Aonde pensa que vai? A mamãe está falando com você, respeite sua mãe, ela está com saudades e quer conversar. – falou o menino com bastante autoridade sobre Carol.
Caroline sem pensar duas vezes empurrou o garoto que se desequilibrou, mas sua força era insuficiente para conseguir derruba-lo , o menino em poucos segundos conseguiu segura-lá pelo braço levando-a força de volta para a sala, jogando-a no sofá.
-Olha o meu braço, quem você acha que é? – gritou Carol.
-Cala boca, você não manda em coisa nenhuma aqui. Senta ai e converse com nossa mãe, não seja bruta com ela se não quer que seja com você – falou o menino a intimidando.
Tanto o pai de Caroline quanto sua mãe não fizeram absolutamente nada, apenas observavam o jeito que o irmão mais velho a tratava.
O silêncio durou poucos segundos, pois o pai de Carol logo tratou de mandar tanto Carol quanto sua esposa para a cozinha.
-Ajude sua mãe, vocês tem muito o que conversar. – Falou o homem truculento, que em seguida sentou-se no sofá para assistir televisão, tanto seu irmão quanto seu pai ficaram sentados ali.
Caroline estava odiando aquela situação, sabia que sua vida um pouco menos infeliz havia acabado de terminar, que tudo voltaria como um dia já foi, que tudo voltaria a ser como quando ela era uma criança, tudo estava tão ruim que teria sim como piorar, pensava isso ao lembrar de Débora, sabia que não podia nem contar com isso, ela não queria e nem poderia levar tantos problemas para Débora, e sabia que estando com ela era isso que ia causar em sua vida.
-Como está indo na escola? – perguntou a mulher.
-Bem- Respondeu Caroline tentando ser o mais breve possível.
Por um momento as duas ficaram em silêncio, a mulher cortava a carne e Caroline cortava as verduras.
-Eu sei que você deve está magoada comigo, mas por favor, me entenda. – Falou a mulher tentando uma aproximação com a menina.
Caroline se recusou a responde-lá ou retribuir seu olhar. Havia decidido há muito tempo atrás que sua mãe não merecia perdão. Era difícil sustentar essa promessa vendo ela ali, mas ela estava decidida, não iria dar o braço a torcer. Seu coração não podia falar mais alto do que a razão, e pela lógica de tudo o que havia acontecido, definitivamente ela só queria se livrar de tudo aquilo que a perseguia.
Assim que terminou de fazer o que tinha que fazer na cozinha, Caroline fora imediatamente para o seu quarto, trancou a porta e começou a chorar, sentia-se sufocada, com vontade de gritar, de colocar tudo pra fora, de gritar, de xingar, de espernear , de imediato sentiu-se sozinha novamente. Rodeada pelas pessoas que diziam ser sua família mas que so a faziam mal, se morar apenas com seu pai já era quase que impossível, agora seria insuportável.
Caroline chorava baixo, não queria que ninguém a escutasse, tudo parecia voltar como nos velhos tempos.
Pow Pow Pow
Carol é interrompida com batidas fortes em sua porta, era seu irmão tentando entrar. Como na casa não havia muito espaço e tinha apenas dois quartos, tanto Caroline quanto lucas dividiriam o quarto.
-Abre essa porte – gritava.
Caroline enxugou as lágrimas e em seguida abriu a porta, seu irmão, como sempre bastante mandão ordenou que Carol saísse da cama pois ele dormiria nela, já que não havia outra.
-Eu não vou sair daqui, você que durma no sofá – falou Carol em alto e bom tom.
O garoto ficou completamente furioso com o tom que sua irmã mais nova dera com ele, de imediato segurou seus braços com bastante força, seu semblante completamente descontente amedrontava Carol que se recusava a recuar, continuava firme em sua posição sem demonstrar qualquer medo que poderia sentir em relação a ele.
-O que está acontecendo aqui? -  perguntou o pai dos dois que ficou observando na porta o que poderia está acontecendo.
-Nada – disse lucas.
-Ele quer me expulsar da minha cama- falou Caroline.
-Durma no sofá. Honre suas calças e larga de frescura.- Repreendeu o pai de maneira ríspida.
O garoto respeitava bastante o pai, sendo assim, largou Caroline e saira do quarto, Carol por sua vez sentia-se perdida, odiava tanto aquela situação, assim que ele saiu fechou a porta e voltou a chorar, não só pela mãe e o irmão que haviam voltado mas por tudo, por medo de tudo que ainda estava prestes a acontecer, por mais que não soubesse o que de fato iria acontecer, seu medo de perder Débora e não somente perde-lá mas como causar problemas em sua vida a deixava ainda mais perturbada. 
Débora ficou surpresa ao ver seu primo,havia tanto tempo que não o via que era impossível não reparar que  ele já estava praticamente um homem feito.
-Uau, como você cresceu – comentou.
-Quanto tempo prima! – falou carismático. Os dois se cumprimentaram e trataram logo de pegar  a estrada.
Débora sentia mais medo ainda ao saber que estava chegando perto da casa de seus pais, já fazia tanto tempo que fora embora. Tanto tempo que não via mais os vizinhos ou parentes, tudo a deixava bastante aflita, principalmente voltar devido a tais circunstância.
-E então, como está a vida?
-Bem, está tudo indo bem – falou Débora. Não que seu primo não fosse alguém de confiança, mas sabia que se falasse qualquer coisa em relação a sua vida, em menos de dez minutos todos já estariam sabendo e se tinha algo que ela odiava era isso, intromissão de pessoas que não faziam parte da sua vida.
-Sabia que a ... –
-A? – perguntou Débora.
-Eu não lembro o nome dala, mas a sua ex que tinha ido embora, sabia que ela voltou?
-Voltou? – perguntou Débora incrédula.
Seu primo apenas confirmou com a cabeça, Débora sentiu algo muito estranho dentro de si, ela que havia pensado que tinha deixado tudo para trás a partir do momento que fora embora, naquele momento soube que não, sentia que tudo não havia acabado de verdade.
-Você ainda gosta dela? – perguntou o garoto.
-Não, claro que não. – falou entre sorrisos de nervosíssimos.
-Não é o que está parecendo. - implicou.
-Eu já encontrei outra pessoa. – Retrucou.
-Outra pessoa? Então é um homem? – perguntou curioso.
-Homem? – Débora deu uma gargalhada – Claro que não.
-Desculpe, é que você falou pessoa...
-Não, não é um homem. É uma mulher, sua prima aqui não se interessa por homens. Ok?
-Claro. Foi mal – falou sorridente.
-Como você descobriu que se interessava por mulheres e não por homens? – perguntou curioso.
-Por que a pergunta agora? –Questionou Débora.
-Nada, só é que sei lá, queria entender.
-Você gosta do que ? – perguntou.
-Como assim?
-Onde tem vontade de por a boca? – Os dois riram com a pergunta.
-Eu ... eu não sei, você sabe, nossa família ainda é bastante preconceituosa e...
-Sim, disso eu sei. E como sei. Mas primo, se você está em dúvida. Experimenta, independente do que nossos pais nós disseram sobre o que é certo ou errado, eles também nunca disseram que devemos buscar a felicidade e eu acredito nisso. Busque sua felicidade, seja feliz seja com homem ou mulher, se permita viver. Se permita ser quem você é. –Finalizou Débora sorrindo, por um instante o rapaz ficou pensativo.
Os dois já estavam quase chegando, faltavam poucos minutos para Débora finalmente chegar em casa, e tão próximo do bairro em que morou durante muito tempo, lembrava das inúmeras vezes que passeava com seu pai por ali, lembrou da vez que caiu de bicicleta e ralou o joelho, na época seu pai fora correndo preocupadíssimo com seu estado de saúde mesmo ela dizendo que era apenas um joelho ralado ele fez questão de leva-la ao médico e tudo, fora impossível segurar as lágrimas diante daquelas lembranças.
Entre um flashback e outro, Débora foi interrompida com uma freada abrupta.
-Tá louca?! – Gritou seu primo enquanto apertava  a buzina.
Diante de toda aquela situação, Débora só conseguia encarar a moça que estava naquele patins, as duas se entreolharam de uma maneira tão intensa que fora impossível Débora não sentir o coração bater mais forte.
-Olha por onde anda – gritava seu primo.
A moça em questão tratou de ir embora, Débora ainda sem reação não conseguia acreditar que aquilo tudo era verdade.
-Você está bem ? – perguntou o rapaz.
Débora apenas o encarou de volta balançando a cabeça dizendo que sim. Mas no fundo, não, ela não estava nada bem. A última coisa que ela poderia imaginar era que encontraria sua primeira ex namorada assim que pisasse de volta no seu antigo bairro, nada estava bem, absolutamente nada.

8 comentários:

  1. Se tá doido kkkkkkkkkk o trem tá ficando cada vez mais louco, isso é melhor que novela mexicana ♥️♥️♥️♥️

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  2. Coração a mil para o próximo capítulo �������� melhor do que novela.

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  3. Faça isso não ! Quer nos matar de curiosidade ?

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  4. Senhor meu, acho que vc quer nos matar do coração rsrsrsrs. Eita situação cada vez mais intensa.

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  5. Poxa vcs estão demorando pra postar as continuações kkk... Sou uma pessoa ansiosaa kkk

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  6. Demorando demais pra sair os capítulos. :/

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  7. pena que demora muito para sair os capitulos,assim vai perdendo a graca esperar tanto.

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    1. Olá, entendo como isso é chato. Estarei tomando providências para que não ocorra essa longa espera

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