30.7.18

A festa - Capítulo 1



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Primeiros dias em lugares novos sempre me deixavam bastante ansiosa, por isso, muitas vezes sempre odiei coisas novas, meu medo era maior do que a vontade de experimentar qualquer coisa que fosse novidade. Desde sempre estudei na mesma escola, e isso me deixava confortável já que eu estava na minha zona de conforto, só que dessa vez era diferente, eu ia pra faculdade e não era como das outras vezes que eu ia fazer um cursinho qualquer, não sei se é coisa da minha cabeça ou era verdade mesmo pois sempre me diziam que lá seria tudo diferente. Liberdade de ir ou não pra aula, drogas para quem quisesse consumir e festas, muitas festas e sabemos muito bem o que rola nessas festas, se bem que eu não sei muito, nunca fui do tipo que frequenta baladas ou lugares  tumultuado, ser caseira e ficar em casa comendo enquanto assistia um bom filme era comigo mesma. Ah já ia quase me esquecendo de me apresentar, meu nome é Laura, e no decorrer das minhas histórias você saberá um pouco mais sobre mim mim.  Mas voltando ao assunto, mas claro que na faculdade não havia apenas esse tipo de coisa tanto que todos meus professores sempre me incentivavam a ir para uma faculdade federal, diziam que o ensino era melhor e que eu iria me desenvolver muito mais estando lá, e confesso que me apaixonei assim que visitei aquele lugar pela primeira vez, lembro-me como se fosse ontem, eu estava no ensino médio e todo ano havia um evento chamado “espaço das profissões” , no qual seria para futuros alunos conhecerem mais e melhor seus futuros cursos, e foi assim que decidi que queria fazer enfermagem, me apaixonei pela área e seria um bom curso para mim, eu adorava estudar a fisiologia do ser humano, saber como algumas doenças atuam e ainda ajudar aqueles que estariam passando por momentos tão difíceis: a doença, além do mais, minha matéria favorita na escola sempre foi biologia, e foi assim que escolhi minha futura profissão.
Meu primeiro dia na faculdade seria apenas apresentações, como funcionava a universidade, o curso, as atléticas, as ligas acadêmicas, enfim, foi um prato cheio de novidade, era tudo tão diferente do ensino médio que fiquei encantada mas também bastante assustada, era muita coisa para aprender no mesmo dia.
Depois de ciclos de palestras de algumas coordenadoras do meu curso, entrou na minha sala a equipe da nossa atlética, a maioria eram meninas e claro, não deixei de notar quem eram as que jogavam no meu time se é que me entendem.
Dificilmente as pessoas me viam como lésbica, pois sabemos que lésbicas possuem um estereotipo bem definido em nossa sociedade, ou tem que se vestir de homem ou no mínimo parecer com um, caso não, é hetero.  Porém sabemos que não é assim que a banda toca, quem não quiser acreditar, cá estou para provar, sou feminina e amo mulheres.
Duas me chamaram a atenção, uma era uma baixinha que ficava de cabelo amarrado, não parecia nenhum pouco delicada, enquanto a outra era bem mais alta, branca e com o cabelo meio bagunçado, ela era bem sorridente, eu diria até demais. Nenhuma delas faziam o tipo que eu gostava mas se alguma quisesse algo comigo quem seria eu para negar não é mesmo?
O ruim disso tudo é que nenhuma delas daria encima de mim, pois nada me distinguia de um estereotipo hétero, e as vezes isso me incomodava muito, não tem nada pior do que homens darem encima de mim quando na verdade eu queria é que mulheres fizessem isso. Além do mais, sou bastante tímida, menos chances para mim, mas mesmo assim fiquei atenta as duas, troquei olhares com a moça mais alta mas não consegui sustentar o olhar mais de um minuto, minha vergonha fazia com que meus olhos desviassem rapidamente.
Depois de toda a equipe da atlética se apresentar, todos foram embora e vieram as ligas acadêmicas para explicarem o que de fato eram, o objetivo e como poderíamos participar, basicamente é um grupo de alunos que se reúnem para estudar determinados assuntos fora das disciplinas oferecidas pela faculdade e é claro que eu queria participar, eram tantas que não sabia qual eu queria participar primeiro mas antes de demonstrar interesse em qualquer uma delas optei apenas por conhecer a faculdade no primeiro semestre até assimilar o que eu queria ali.
Depois daquele evento de apresentações haveria uma festinha para os calouros organizada pelos nossos veteranos, algo totalmente feito para nós enturmamos, nós conhecermos melhor, como era a noite fiquei com receio de ir pois ainda não conhecia ninguém e tinha medo do tal “trote” que veteranos costumam dar em calouros, todavia nossos veteranos logo nos acalmaram.
-Galera, é o seguinte, aqui não tem trote, no máximo é uma integração entre os alunos, então não se preocupem em não ir pois garanto a todos vocês que nada de ruim vai acontecer, lá vocês farão o que quiser e se não quiser não vai ser obrigada a fazer. Então tratem de ir todos pois temos que conhecer nossos calourinhos –Disse uma de nossas veteranas.
Mesmo com receio resolvi ir, afinal, eu tinha que conhecer pessoas novas e confesso que amava a ideia de estudar lá não só pelo ensino mas também estava adorando a parte festeira existente por lá, se na minha adolescência não curti muito, a faculdade seria minha salvação.
Como a festa seria apenas mais tarde, optei por voltar pra casa e convidar meu amigo.
-Poxa, vamos Pedro, vai ser divertido – insisti.
-Não sei laura, você sabe que o Guilherme não gosta muito que eu vá para festas.
Guilherme era o namorado totalmente ciumento que infelizmente Pedro se apaixonou, acreditam que até de mim o cara tinha ciúmes, e é claro que eu não gostava nenhum pouco dele, não depois de tudo que ele já fez.
-Não aceito isso- falei tentando intimida-lo- você só estaria me acompanhando, é a noite, tenho medo de sair sozinha  nesse horário, principalmente para um lugar que eu não conheço praticamente ninguém, por favor, vamos comigo, só dessa vez – insisti até ele aceitar.
E depois de muito insistência e chantagem emocional Pedro aceitou, nós erámos melhores amigos desde o ensino médio, e ainda bem eu podia contar com ele, erámos como irmãos e saber que o namorado dele tinha ciúmes da nossa amizade me deixava com raiva pois ele já fez algumas coisas para nós afastamos, o que me deixou bastante enfurecida na época e não conseguiria esquecer, sendo assim torço para que Pedro encontre alguém melhor do que Guilherme, que de bom não tinha nada.
Assim que convenci meu amigo a me acompanhar, convenci mamãe a me emprestar o carro para ir na tal festa, depois de prometer que eu arrumaria a casa a semana inteirinha ela finalmente deixou. Para minha felicidade  ficar completa consegui arrancar um dinheiro de papai, que me deu sem reclamar, como eu não estava muito habituada a ir em festas, não tinha quase nada de roupa para tais ocasiões, então resolvi dar uma passada correndo no shopping e encontrar algum vestido que combinasse com aquela noite.
Lá encontrei um vestido que ficava colado no corpo, ele era nude, combinava com meu tom de pele. Me achei bem gata com aquele vestido, tão gata que nem parecia eu. Afinal sou do tipo que só vestia calça jeans e blusas longas, nada que marcasse muito meu corpo.  Mas como era apenas uma festa na faculdade quis parecer mais atraente, quem sabe assim alguma menina se interessasse por mim. E foi esse vestido mesmo que levei.
Antes de sair de casa, mamãe e papai estranharam a minha roupa, me perguntaram por que aquilo tudo e que se eu tinha certeza que queria ir daquele jeito já que estava muito diferente das roupas que eu usava. Eu confirmei que sim, por mais que tivesse com receio, no fim das contas eu queria sim ir diferente, queria me sentir atraente.
Já era quase dez horas da noite quando passei na casa de Pedro, que estava no portão me esperando.
-Uau, quem é que você vai pegar hoje? – comentou assim que abriu a porta do carro.
-Quantas vier meu amor – retruquei sorridente.
E foi ao som de uma música bem animada que fomos para a festa, entre conversa vai e conversa vem, Pedro desabafava sobre como seu relacionamento com Guilherme estava ruim, o quanto ele era ciumento e desatencioso, cobrava mas nada oferecia, eu particularmente já estava bem cansada das reclamações do meu amigo, que sempre vinha com a mesma ladainha.
-Por que diabos você não termina?
-Eu amo ele, você não entende..
-Claro que não entendo, como você pode amar mais ele do que você mesmo? Veja como você está Pedro, está se acabando por culpa dele.
-Também não é assim laura.
-Claro que é, antes você era mais feliz, alegre, animado, antes você era mais você, agora.. você é o Pedro que vive falando, respirando, vivendo para o Guilherme.
Pedro respirou fundo e não respondeu, por um momento ficou pensativo.
-Talvez você possa está certa – falou tristonho.
-Eu estou certa
-Não completamente, você ainda não sabe o que é amar alguém, é difícil simplesmente terminar, acabar com tudo. É difícil desistir.
Em partes, concordei com Pedro, eu nunca amei ninguém assim, mas não conseguia admitir que seria tão difícil ao ponto de nós deixamos sermos consumidos por uma pessoa que não merecia nossas energias, que não merecia que perdêssemos tempo com elas.
Já na festa, ficamos sentados, estava mais para uma social do que propriamente uma festa, todos em rodas de amigos e eu e Pedro sentados no sofá conversando, havia muitas meninas bonitas , entre tantas, vi uma morena linda, havia visto ela pela primeira vez no dia da matrícula, a vi no banheiro e sorrimos uma para outra, se me perguntarem nem sei o porquê mas pra mim não passou de uma situação de cotidiana, pelo menos foi assim que encarei e é claro que provavelmente para ela também, talvez nem lembrasse de mim, seria o mais provável também.
 Lembrei-me de uma vez que uma amiga minha disse que anéis de coco era uma identificação lésbica, e que anéis no dedo polegar era certo que a menina era,  e ela tinha o tal anel de cocô, e não só como tinha, ainda usava no dedo polegar, fiquei com uma bela esperança assim que a vi. Ela era alguns centímetros mais alta que eu, não era nem muito magra e também não era gorda, tinha seios fartos , impossíveis não reparar neles com aquela blusinha preta que a deixou bastante sexy,  e uma bunda, que fiquei sem palavras principalmente ao ve-la dançando. Aquilo era a oitava maravilha do mundo, ela dançava muitíssimos bem, confesso que fiquei hipnotizada, não foi por querer, juro. Odeio a ideia de ficar secando alguém ou olhar fixamente para lugares inapropriados de uma mulher mas ela dançando, rebolando, sentando e subindo me deixou boquiaberta, ver ela puxando a saia que ficava subindo toda vez que ela descia tornava tudo ainda mais sexy, definitivamente aquela mulher era uma maravilha, e é claro que eu queria ela pra mim.

Escrito por Bler mizzi 
@Blercontos


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