29.5.18

Será que é amor? - Capítulo 64

Débora ainda surpresa com a recepção, mal abriu a boca quando Márcia despejou seu sermão. Escutar aquela mulher a repreendendo não fazia sentido, não conseguiu entender o que todas estavam fazendo ali.
-Ei- disse em alto e bom tom. - Eu não estou entendo, o que está acontecendo?Será que dá para parar de gritar comigo e ao menos explicar o que houve. - falou aos gritos.
Logo após perceber que todas ficaram um tanto quanto perplexas a fitando-a de volta, Débora continuou.
- Eu Só gostaria de saber o que está acontecendo, você no mínimo me deve uma explicação.
A diretora por sua vez,fitou-a intensamente, em seguida soltou.
- Que decepção Débora, eu jamais esperava algo assim vindo de você. -  em seguida recuou.
- algo assim ? Do que estão falando ? - perguntava para saber exatamente o que elas estariam a acusando,pois Débora já sabia que era sobre Caroline.
- Que você seduziu aquela pobre menina indefesa, como se já não bastasse atormentar a vida da minha sobrinha, ainda teve a coragem de abusar de uma criança.- Disse a mãe de Denise com raiva  na voz, enquanto a garota a encarava. 
Débora não conseguiu se defender, ficou desnorteada pela acusação, pelo tom cruel vindo de cada palavra.
- Eu... eu não fiz isso -disse tão fraco que quase não dera para ouvir.
A diretora andava de um lado para o outro, nitidamente preocupada com a situação e nem um pouco amigável em relação a Débora que estava se sentindo acuada diante das mesmas.
-Vim aqui salvar aquela garota de você, se eu não pude salvar minha sobrinha, posso salva- lá do monstro que você é. -falava a mulher cuspindo ódio.
-Eu espero sinceramente que você tome alguma providência diretora Márcia. Não quero ver uma...uma.. uma mulherzinha como esta perto da minha filha e de todos aqueles pobres garotos e trate de tirar a suspensão do histórico da minha filha, tenho certeza que tudo isso foi manipulado por essa sem vergonha. - dizia firme a mulher encarando a Diretora enquanto Denise apenas observava a situação.
A mulher se virou em instantes, se dirigindo a Débora que a essa hora já havia se recuperado dos ataques.
- Pessoas como você não merecem perdão divino, sabemos disso e você sabe quem te aguarda para queimar no inferno, essa história não acabou aqui, você vai responder na justiça dos homens, pelo assassinato do bebê e por aquela garota que você estuprou.
-CALA A SUA BOCA - falou gritando e se aproximando ainda mais da mulher. - Eu estou engolindo cada estupidez que você disse até agora pois estava tentando respeitar  e entender seu sofrimento perante o acidente da Juliana, mas nitidamente você não merece um por cento de consideração advindo da minha parte, então cala a merda da sua boca porque você não sabe um terço do que diz em relação a mim, você não me conhece, não conhece sua sobrinha e muito menos a Caroline, então dobra a sua língua pra falar qualquer coisa sobre mim e sobre o que eu faço ou deixo de fazer da minha vida. - finalizou Débora que estava tão sobressaltada que fora possível ver as veias sobressaltadas no seu pescoço.
A mulher engoliu em seco, não rebateu, apenas encarou Débora e saiu sendo seguida por Denise que a fitou com a mesma perversidade que a mãe.
Débora sabia que havia perdido a cabeça, ficou parada ali na sala sem saber pra onde correr ou o que dizer, enquanto a Diretora ainda evitava encara-la. Até que Márcia quebrou o silêncio.
-Débora, nas últimas duas horas fiquei escutando as piores coisas sobre você, tão  realista que acreditei, mas eu te conheço a tanto tempo - falou pensativa. - Me prova que o que essa mulher disse é mentira e que você não é essa pessoa que ela a pouco tempo atrás disse que você era - dizia a Diretora em tom de súplica e esperança. - Me diz que você nunca teve nada com a Caroline,uma  aluna, uma aluna que mal tem dezoito anos Débora, me diz que você não atropelou uma mulher por vingança ou seja lá o que for , me diga que nao puniu uma menina por indisciplina por ciúmes, e que você não abandonou nenhum bebê, eu preciso que me diga, por favor.  - terminou abaixando a cabeça. Ainda pensativa Débora encarava a diretora que cabisbaixa deixava claro o quão preocupada e tensa estava.
-E então? - perguntou Márcia enquanto encarava Débora.
As duas se entreolharam , enquanto uma esperava uma resposta a outra não sabia como começar,  na verdade, seu medo era confirmar, confirmar que tudo aquilo era verdade, não como a mãe de Denise havia contado mas que Sim, era tudo...
-verdade. Eu namoro com a Caroline, eu sei que ela é minha aluna, sei que é menor de...
-Para. Para - falou a diretora alarmante.
-Não quero escutar mais nada. - disse sentando-se no sofá colocando a mão no coração, estava pálida e desnorteada.
-Márcia, por favor. Não é como aquela mulher disse, ela me odeia.
-isso eu percebi - disse cortando-a.
-Eu nunca seduzi a Caroline ou se quer fiz algo forçado, aconteceu. Nós amamos - disse aflita sentando-se de frente para a diretora, que a encarava com um ar de reprovação. 
Passaram alguns minutos em silêncio até que a diretora solta:
- Você não pode mais trabalhar na escola, não depois de tudo - disse.
- o que ? Você não acredita em mim? Acha que eu poderia ...
- Não Débora, eu não acho nada,quem acha é a mãe daquela garota e todos os pais que saberão que uma de nossas professoras seduziu uma aluna.
Débora riu, de desespero, claro. O que não deixou a Diretora nada contente.
- Qual o problema Débora ? Você achou que ficaria tudo bem ? Que tudo bem você levar uma aluna menor de idade para sua cama ? Que tudo bem vocês serem...
- lésbicas ? É isso que ia dizer ? Que eu estou completamente errada não só porque a Caroline é  minha aluna mas também por ser uma mulher. - falava rindo da situação. Era nítido seu nervossimos.
- Sim, era isso. Eu não sei muito bem o que pensar de você no momento Débora, não sei mesmo. - dizia a Diretora mais calma e claramente desapontada com a postura de Débora. 
- então estou sendo demitida ? -perguntou receosa.
- preciso pensar, nao sei o que aquela mulher vai querer mas você sabe, não vai ser fácil quando todos souberem.
Débora não retrucou, fazia tempo que nem imaginava como seria isso, mas depois de ver a Diretora explanando  o que estava prestes a acontecer ela caiu em si, e que tudo estava prestes a desmoronar na sua cabeça, tudo que ela temia estava prestes a acontecer. Débora sentiu uma mistura de sentimentos tomando conta de seu corpo. De mãos atadas resolveu ir embora, pegou sua bolsa que estava no sofá para se esvairar dali, quando a Diretora a segurou pelo braço e a abraçou.
Débora nao entendeu muito bem o que Márcia queria demonstrar com aquele abraço mas o aceitou de bom grado já que estava sentindo um enorme peso em suas costas.
- Eu tenho que ir ... - falou.
- conta comigo, mas Débora nao dá.. - falou olhando-a nos olhos.
- O que não dá ? - perguntou.
- Você e  a Carolin..
- não, eu te respeito muito Márcia mas você não tem nada a ver com nosso relacionamento.
- Ela é só uma adolescente..
- Ela sabe o que ela quer - disse firme.
- Não sabe Débora, termina enquanto há tempo, não deixe que atinja sua vida profissional, você é uma das melhores professoras daquela escola ... pensa na sua carreira.- falava em tom amigável.
- Tenho que ir ! - disse indo rapidamente embora.
Ao entrar no carro, Débora respirou fundo, ficando lguns minutos parada e pensativa, mas logo se esquivou de todos os pensamentos visto que sua cabeça começara  a doer. 
Assim que voltava para casa, seu celular tocou, ao ver quem era constatou que provavelmente seria Caroline já que o número era da sua casa, Débora nao poderia atender, não depois de tudo,estava confusa e não sabia exatamente o que falar para Caroline,não queria vê-la, ela só queria pensar entretanto não sabia para onde ir, sendo assim, então resolveu ligar para Vivian.
- Alô? Débora? Aconteceu alguma coisa ?
Débora demorou algum tempo para responder mas assim que tomou coragem,  disse:
-Será que poderíamos nos encontrar ?
-por que ? Agora ?
-Sim. Se você puder, claro - falou sem jeito.
-Estou no hospital, meu plantão acaba em uma hora, se quiser esperar..
-Espero sim, estou a caminho, obrigada Vivian.
-até mais tarde Débora- finalizou Vivian desligando o telefone. 
Assim que desligou, o celular de Débora tocou, depois de pensar por algum tempo Débora resolveu ignorar aquela chamada.
-O que você está fazendo Débora ?! - falava para si mesma.
Assim que chegou ao hospital,finalmente Débora resolveu ligar para Caroline, pensou no quão preocupada ela poderia estar.
- Alô? Caroline...
- meu Deus, por que não me atendeu ?
- Desculpa, o celular estava em modo silêncioso.
- Você esta bem ? O que ela queria ?
- Estou, quer dizer ,não tão bem mas será que podemos conversar sobre isso quando eu chegar ?
- E quando vai chegar ? Onde você está ?
Débora engoliu em seco, não sabia exatamente como responder aquelas perguntas, falar que estaria com a Vivian a essa altura do campeonato não parecia uma boa ideia.
- acho que vou demorar um pouco, o trânsito não está nada favorável. Me espera ?
- claro meu amor, volta logo. Te Amo.
- Beijos. - disse Débora desligando o celular em seguida com o coração na boca." eu te amo " ouvir essas palavras de Carol a desmanchava, como ela poderia acabar com tudo que viveram ? Com tudo o que tinham para viver ao seu lado,juntas ? Como poderia deixar de sentir tudo que sentia por ela ? Como poderia magoa-la ? Como?! Pensava consigo mesma, pensar sobre tudo aquilo a deixava muito agoniada.
Débora já aguardava Vivian no estacionamento a alguns minutos , tentava se desvencilhar de tudo aquilo que estava deixando-a  aflita , porém não conseguia, esperar Vivian ali parada já estava quase que sendo uma tortura, olhava o relógio  e  faltavam mais o menos vinte minutos para que acabasse o plantão.
Débora entrou no hospital e fora ao banheiro, ao olhar-se no espelho e encarar a si mesma, veio uma mistura inusitada de sentimentos. Lembrou desde o momento que notou Caroline , que tiveram o primeiro contato até aquele exato momento onde tudo parecia tão perdido, parecia uma loucura, Débora nao conseguia explicar o porquê havia se apaixonado por Caroline,  uma menina tão nova que nem se quer fazia o tipo aventureiro que ela tanto gostava, mas que por algum motivo se encaixava perfeitamente em seus braços, em sua vida e agora estava tudo prestes a acabar, acabar porque não havia razão,não havia lógica, havia sentimentos e sentimentos esses que ninguém mais sentia a não ser as duas.
Débora Se assustou ao escutar seu telefone tocar,  ao ver no visor quem era, desligou imediatamente, não estava nem um pouco afim de escutar sua mãe a uma hora dessa. Em seguida Débora lavou o rosto, encarou a si mesma novamente, ainda não havia concluído nada em relação a tudo aquilo que estava acontecendo e mais uma vez seu celular tocou.
-Droga - reclamou em voz alta,mas dessa vez optou por desligar o aparelho.
Como faltavam poucos minutos para o plantão de Vivian acabar, Débora resolveu voltar para o carro e no caminho para o estacionamento fora surpreendida por um reencontro inusitado.
-Débora- disse o homem em um tom de voz firme e destemido, ele carregava um buquê de rosas, estava de terno ,perfumado, a espera da sua esposa até que encontrou quem menos esperava.
-Oi- falou Débora bastante surpresa.
Os dois se entreolharam, sem entender muito bem o porquê estavam os dois ali.
-Você estava esperando a ...?
Débora sentiu um cala frio subir pelo corpo, Não sabia o que responder,se deveria contar a verdade ou não, antes mesmo de saber o que diria Vivian apareceu, para o seu alívio .
-Graças- suspirou.
-O que está fazendo aqui ? - falou Vivian ríspida.
-Como assim ? - perguntou Débora desentendida.
- Eu já disse que não posso fazer nada quanto à Caroline. Por favor, vai embora. - disse quase em  súplica  enquanto se aproximava ao lado do homem. Débora havia entendido o recado, optou por concordar, pediu desculpas e se despediu ali mesmo.
Débora ao voltar para o carro, ficou algum instante parada sem saber para onde ir, depois de presenciar aquela cena toda, começou a chorar, se sentia sozinha e completamente perdida, não sabia para onde ir e o que sentir diante daquilo tudo, ao ligar o som, inacreditavelmente estava tocando " all of  me " , fazendo a chorar ainda mais , estava se debulhando em lágrimas rente ao volante, nem ela mesmo saberia dizer de onde viera tantas lágrimas,aliás , saberia sim,pois estava preste a fazer o que menos queria.
-Oi.
Débora se assustou com a chegada inesperada de Vivian em seu carro.
- Meu Deus, você me assustou ! - falou Débora com raiva.
- desculpa, desculpa - falou Vivian a olhando com carinho.
- O que houve ? Por que está assim Débora? Você brigou com a Caroline ?
Perguntava enquanto via sua amiga tentando se recuperar e limpando as lágrimas com uma mini toalha quase que completamente encharcada.
-Desculpa ter feito aquilo, é   que...
-Eu sei, eu sei, seu marido desconfia que ainda temos um caso - disse rindo.
-Não é  bem isso ... só - falava observando-a.
-só é  melhor assim.- completou a frase.
Débora consentiu, sabia que não deveria e  nem havia porquê cobrar algo de Vivian, não teria porquê causar mais problemas em sua vida.
-Me conta, o que houve ?
Débora respirou fundo e disparou.
-Todos sabem Vivian, todos sabem.
-sabem do que ?
- Que eu estou com a Caroline.
- Como ? Como descobriram ?
- É uma longa história, nesse exato momento sinto que tudo vai desmoronar bem encima da minha cabeça, e  eu não sei o que fazer. - dizia chorando.
- calma Débora, não é  assim também. 
- O pior é que não me ofenderam apenas por ser lésbica mas por ser mais velha , seduzi uma garota pura e inocente. É isso que falarão sobre mim.
- Não Débora, você não é  isso, você sabe,eu sei ,a Caroline sabe, ninguém vai te acusar de algo tão absurdo como isso, até porque sabemos que não foi assim que aconteceu.
- mas é isso que escutei da  estúpida da tia da Juliana.
- Como assim ?
Débora tentou explicar para Vivian tudo o  que havia acontecido desde que ela fora embora da sua casa. 
Caroline aflita com a demora de Débora ligou mais uma vez para seu celular que caiu direto na caixa postal, resolveu assistir um filme até que o telefone do apartamento de Débora tocou,  Carol ficou receiosa se deveria atender ou não já que poderia ser alguém que não deveria saber que ela estaria ali mas mesmo pensando nessa possibilidade havia outra também, que seria Débora ligando para dizer que estava tudo bem ou que tinha acontecido alguma coisa . Carol respirou fundo e com o coração saindo pela boca atendeu, optou por não dizer nada e saber quem era.
- Alô ? Débora? - perguntou a pessoa do outro lado da linha. Caroline não respondeu.
- Débora ? Alô ? -insistiu.
- Alô -respondeu Caroline -A Débora está no banho. 
- Quem está falando ?
- uma amiga.
- Aqui é  a a Verana, diga para Débora que me retorne imediatamente.
Caroline bastante persuasiva depois de minutos tentando explicar o porquê Débora nao iria conseguir retornar, conseguiu finalmente descobrir sobre o que era o assunto que Débora deveria  saber de tão importante.
- Alô ? Está me ouvido ?
Caroline ficou tão desorientada que mal conseguiu escutar alguém a chamando, só  conseguia imaginar como ela poderia dar aquela notícia para Débora. 
- Diga que o velório já está marcado, precisamos dela aqui Caroline.
-claro, direi sim - falou com a voz  embargada.
A mulher do outro lado da linha agradeceu e em seguida desligou o telefone deixando Carol pensativa e  triste, triste por Débora que estaria prestes a receber uma das piores notícias dos últimos meses.

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8 comentários:

  1. Tenso ... Ansiosa pr o próximo

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  2. Ahhh mds..ansiosapelo proximo capitulo já..

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  3. Anônimo5/7/18 20:24

    Pelo amor de Deus!!!!! Necessito do próximo capítulo.
    Por favor Bler meu amorzinho posta logo. Nunca te pedi nada

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  4. Bler faz tempo quer tô esperando pelo próximo capítulo querida. Postar logo querida.😔😅🤗😉

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  5. Bler faz tempo quer tô esperando pelo próximo capítulo querida. Postar logo querida.😔😅🤗😉

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  6. Estou ansiosa pelo capitulo 66 nossa simplesmente maravilhosos esses seus contos #Bler

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