5.5.18

Será que é amor? - Capítulo 63

Caroline mal conseguia acreditar, ficou tão atordoada que não conseguiu fazer nada para impedir a entrada da mulher.
-Onde está a Débora ? - perguntou a mulher ainda alterada.
-‎O que você quer aqui ? ela está ocupada.
-‎Não está que eu sei, vá chama-lá  -Disse com o tom de voz alto.
Caroline ficou sem entender se a mãe da Denise sabia quem ela era, e ficou mais perdida ainda ao saber que ela conhecia Débora.
Antes mesmo de conseguir dizer algo, a mulher fora imediatamente para o quarto a procura de Débora, assim que a viu começara a brigar.
-Onde é que você estava com a cabeça para atropelar a minha sobrinha ? - Gritava.
Débora ficou acuada por um tempo, não conseguiu responder com sensatez.
- Ela estava grávida! GRÁVIDA. - gritava como louca.
Para caroline aquela situação já estava passando dos limites, " como alguém entra na casa de outra pessoa fazendo um escândalo como o que aquela mulher estava fazendo ?" pensava consigo mesma.
-Eu não sei do que está falando - respondeu Débora surpresa.
-‎Não venha com essa, você fez isso de propósito, sabe o que você é ? UM MONSTRO - falava aos gritos.
-‎Não bastou abandonar o próprio filho e ainda ...
-‎Cala a sua boca - Disse Débora em voz alta interrompendo-a.
-‎Você não tem o direito de vir na minha casa e falar de qualquer coisa que você não saiba, sai daqui.
-‎SAI DAQUI - Gritou.
Caroline só conseguiu observar a cena sem reação alguma, nunca vira Débora tão exaltada. Definitivamente falar sobre aquele assunto mexia com ela.
-Se você acha que isso vai ficar assim, você está muito enganada, minha irmã não está aqui para cuidar da filha mas eu estou e pode ter certeza que você vai pagar pelo que fez.
-‎Sai - falou em alto e bom som apontando para a porta do apartamento. A mulher respirou fundo e acatou a ordem, porém saiu xingando-a.
-‎Você vai pagar Débora, ah se vai.
-‎Primeiro nas leis dos homens, depois na justiça divina.
-‎O inferno te aguarda,como aguarda.
Assim que ela passou pela porta, Caroline imediatamente passou a chave e retornou ao quarto.
-Por que deixou ela entrar ? - Disse aos gritos.
-‎Ei, calma, eu só abri a porta.... só ...
-‎Eu sei, eu sei, me desculpa - disse Débora se lamentando . Sentada na cama  colocou as mãos sobre o rosto, tentava segurar as lágrimas que insistiam em cair. Caroline ainda temerosa diante daquela situação, se aproximou de Débora e a abraçou, tentava ser o mais carinhosa possível, e conseguira,  Débora se desmontou em seus braços, chorou por longo tempo, enquanto Carol acariciava seu rosto e mexia em seus cabelos.
-‎Obrigada....- falou Débora.
-‎não precisa agradecer, estamos juntas nessa.
Débora se levantou do colo de Carol e a encarou por um tempo, em seguida deu um rápido selinho deixando sua testa colada na dela.
-Eu te amo. -Disse encarando-a.
Carol olhou de volta, seus olhos se cruzaram de imediato, ficaram assim por alguns segundos, apenas trocando olhares,  em seguida, Caroline aproximou-se ainda mais de Débora, seus lábios ficaram rente um no outro..
-Eu também te amo, muito, muito- terminou beijando-a.
Débora aproximou seu corpo de Carol, empurrando contra a cama, fazendo -a deitar,  em seguida, beijou a pelo pescoço.
-Debora... - dizia Caroline com receio.
-‎vamos conversar... -intimou com delicadeza.
-‎jura que quer conversar? - disse enquanto a encarava, sentada em seu abdômen e nitidamente excitada.
-‎tenho certeza! - falou saindo de baixo de Débora que respirou fundo antes de se virar para olhar Caroline.
-‎ então, sobre o que vamos conversar? - perguntou ainda de costas para a garota.
Carol riu, uma risada um tanto quanto irônica, e sem responder nada fora para a cozinha, Débora a seguiu.
-Qual o problema ? Indagou Débora, a encarando do outro lado do balcão, Carol por sua vez bebia água e evitava o seu olhar. Ficaram em silêncio por alguns minutos até que Carol a encarou.
-‎para de me enrolar e me conta o que aconteceu com você e quem são essas pessoas. - disse firme sem pestanejar, Débora por sua vez deu uma suspiro profundo,  sabia que não havia mais como fugir.
-‎se eu contar sobre mim você conta sobre você ? - perguntou receosa.
-‎sobre mim ? Eu não tenho...
-‎você sabe do que estou falando. - disse Débora séria.
Carol concordou com a cabeça. Débora em seguida a pegou pela mão e as duas sentaram-se no sofá.
Se encararam, Débora não sabia por onde começar, não sabia se deveria deveria mentir, omitir ou contar toda a verdade para Caroline, se por um lado temia em saber que Caroline poderia a ver  com outros olhos, por outro, não conseguia imaginar como seria se algum dia ela descobrisse que Débora havia mentido pra ela.
-Desculpa, eu não sei por onde começar. - disse Débora sem graça desviando o olhar.
-‎comece olhando nos meus olhos  e lembrando o porquê estamos aqui. - disse calma.
-‎e o porquê estamos aqui ?-  perguntou Débora curiosa.
-‎porque você me ama e eu te amo, você confia em mim e eu em você, certo?
Débora sorriu e antes que pudesse responder começou a chorar.
-Desculpa, eu não ...
-‎tudo bem, não precisa ter pressa - falou Carol a abraçando.
Débora ainda frágil, tentou ganhar forças nos braços de Caroline que a confortou como ninguém. Débora já havia feitos coisas ruins com outras pessoas mas mal pensava sobre tudo que havia feito até chegar nesse momento, no qual deveria falar em voz alta olhando nos olhos de Carol, uma pessoa que mal conhecia a maldade do mundo e o quanto as pessoas poderiam ser cruéis. Débora se ergueu, assim que a encarou seu coração acelerou, Caroline pegou em sua mão.
- não há o que temer, não estou aqui para te julgar - disse compreensiva.
Débora respirou fundo e finalmente começou.
-Você sabe, eu fiquei com muitas muitas mulheres, pelo menos na sua visão- dizia pausadamente.
-‎na minha visão?- questionou Caroline. - então para  você não foram muitas?
Debora a encarou, não era para esse rumo que gostaria de levar a conversa.
-Caroline não foi isso que eu quis dizer..
-‎claro, desculpa, não vou interromper mais.
Débora abaixou a cabeça e continuou.
-uma delas foi a vivian como você bem sabe, na época que ficamos ela era noiva.
Carol engoliu em seco mas optou por não dizer nada.
-Eu ainda era imatura e queria me divertir, tinha terminado com minha primeira namorada e não queria saber mais de relacionamento, paixão ou amor - disse pausando em seguida encarando Caroline, que continuava com suas mãos entrelaçadas nas delas.
-‎então, amava ir para festas, beber, dançar e paquerar outras mulheres, foi em uma dessas que conheci Juliana, fazíamos apostas, jogávamos, brincávamos com as pessoas.
-‎como assim apostas?
-‎quem conseguiria ficar com mais mulheres, dávamos pontos, as que se diziam héteros e casadas valiam mais- disse receosa ao ver o olhar de Caroline.
-‎que lindo- comentou Carol.
-‎Eu sei, é idiota, infantil , eu sei disso tudo, só não me olha assim por favor.
-‎foi uma aposta ficar comigo ? - perguntou sorrindo.
-‎claro que não, nunca. Eu te ...- falou enquanto se aproximava de Carol para beija-la, mas fora impedida por Carol que se virou.
-‎continua..
-‎tudo bem - retomou Débora. - a vivian, apostamos sobre ela,  eu deveria dar em cima dela, visto que ela estava acompanhada do namorado, se eu conseguisse algo, a Juliana aceitaria fazer um ménage comigo.
-‎uau - foi a única palavra que Carol conseguiu dizer, era tão estranho saber como  Débora não se importava com os outros mas apenas em si mesma.
-‎jura que você não fez isso quando era uma adolescente idiota?
Ela riu.
- queria, mas não, eu já era adulta, uma adulta estúpida, mas ainda sim adulta.
- ‎ok, e o que aconteceu?
- ‎bom, eu não media as consequências dos meus atos, aceitei e decidi que ia ficar com s Vivian mesmo sabendo que ela tinha namorado, não era algo importante pra mim. Naquela noite fiz de tudo para me aproximar até que consegui. - Finalizou timidamente.
- ‎conseguiu como?
- ‎você quer saber os detalhes ? - perguntou um pouco sem jeito.
- ‎quero, eu quero saber de tudo, conseguiu o que?transaram os três ou vocês se comeram no banheiro ?! - disse super irritada .
- ‎desculpa, eu estou bem, pode falar - falou Carol retomando sua postura de compreensiva.
- ‎foi no banheiro, e aí eu tinha conseguido, mas ela insistiu e trocamos números de telefone, consegui meu ménage com a Juliana e ...
- ‎quem era a terceira ou terceiro? Uma desconhecida na balada ou?
- ‎Você sabe que não fico com homens..
- ‎mas já ficou..
- ‎verbo no passado.
- ‎enfim - falou irônica.
- ‎foi sim, uma desconhecida.
- ‎ah que legal, eu namoro uma mulher que transa com desconhecidas.
- ‎será que aquela história de que não vai me julgar foi apenas pra me fazer falar, por que no fundo é isso que você está fazendo, como se dormir com desconhecidas fosse a pior do coisa do mundo - exclamou Débora se levantando do sofá.
- ‎desculpa - disse puxando seu braço. Débora se rendeu e voltou a se sentar.
- ‎me perdoa, eu não quero te julgar, é que ... me desculpa. - falou segurando-a pela  mão.
Débora respirou fundo e continuou.
- A partir desse dia, eu e a Vivian começamos a nos ver mais, conversar mais e eu fui me apaixonando por ela, até que um dia a Juliana descobriu e começou a ameaçar a Vivian, até que brigamos.
- ‎por que ela fazia isso ?se vocês faziam apostas para ficar com outras pessoas
- ‎ela não tinha ciúme pois sabia que eu gostava de corpos, sexo, nada sério, nada que ela pudesse se preocupar mas com a Vivian foi diferente, eu estava me apaixonando por ela, e daí ela fez o que fez.
- ‎o que ela fez ?
- ‎alguns meses depois, a Vivian ficou noiva e isso me deixou arrasada, mas mesmo assim eu ficava atrás, tentando faze-la ver que casar com ele não a faria feliz.
- ‎você a faria feliz?
As duas se encararam e Débora continuou.
- ela me convidou para o casamento e eu fui, tentei mais uma vez faze-la desistir,daí ficamos ali.
- ‎não acredito, como?
- ‎foi intenso, eu sabia que ela sentia o que eu sentia por ela, começamos a nos despir, até que a mãe, as irmãs dela apareceram no quarto. - parou Débora colocando as mãos nos rostos em seguida rindo.
- ‎e disseram que todos viram, estava passando no telão onde passaria as fotos dos noivos ou algo assim -Debora riu - e foi assim que terminamos, depois descobrimos que foi a Juliana que fez isso .
- ‎Uau- exclamou Caroline um tanto quanto estarrecida. - mas por que você perdoo a Juliana? Quer dizer, a Vivian ainda a odeia.
- ‎Eu não sei exatamente..
- ‎como não Débora? Olha o que ela fez...
- ‎ela me amava, ela fez isso por ...
- ‎amor ? - completou Carol. Débora concordou balançando a cabeça.
- ‎não acredito, ela fez algum feitiço para você, só pode.
Débora abaixou a cabeça, sabia que depois de tudo era difícil entender o porquê havia continuado a ficar com Juliana, as vezes nem ela sabia exatamente o porquê.
- ok - acalmou Caroline cruzando os braços.
- ‎e o ...-Carol foi interrompida pelo celular de Débora tocando.
Assim que Débora se levantou e começou a falar no telefone, sua expressão mudou completamente, de abatida passou a surpresa, e uma surpresa aparentemente negativa. Carol ficou em silêncio enquanto Débora jesticulava, não demorou muito para desligar o celular.
-O que aconteceu? - perguntou Caroline assustada.
-A diretora - falou e em seguida deu uma pausa.-Ela descobriu sobre nós- falou colocando as mãos sobre o rosto. 
Escutar a diretora falando no celular foi como tomar um banho de água fria, como se um prédio estivesse prestes a desabar, nunca havia escutado sua diretora daquele jeito, extremamente alterada. 
- Ela quer que eu vá a casa dela.
-Agora ? - perguntou Carol surpresa.
Débora confirmou, Caroline pediu para lhe acompanhar mas ela sabia que não era uma boa hora, mesmo Caroline insistindo dizendo que poderia ajudar, Débora optou por ir sozinha. Ao dirigir para a casa da diretora, Débora sentia um frio na barriga inevitável, tudo estava ficando tão fora da sua zona de conforto, tentou se acalmar, não poderia advinhar o que a aguardava, e não poderia se desesperar. "Cabeça no lugar Débora "pensava consigo mesma. Ao chegar na casa da diretora Márcia, Débora mal precisou tocar a campanhia, Márcia a aguardava na varanda, assim que entrou só pôde observar a repreensão em silêncio vinda da mulher que a levou para dentro da casa, assim que entrou, Débora surpreendeu-se, não estava entendendo o que Denise e sua mãe estavam fazendo lá.


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