5.12.17

Será que é amor? - Capítulo 61


A caminho de volta para casa, Débora não conseguia parar de chorar, eram tantos pensamentos que passavam por sua cabeça, ela estava totalmente ansiosa para saber o estado de Juliana, não se perdoaria caso algo acontecesse a ela.
-A senhora quer passar em algum lugar? – perguntou o taxista.
-Não – falou entre soluços – Só dirija o mais rápido possível por favor – pediu com a voz embargada.
O motorista por sua vez, atendeu seu pedido, estavam na metade do caminho, Débora só queria relaxar, sua cabeça estava prestes a explodir.
Caroline ficou tão distraída com a novidade que mal percebeu Vivian chamando-a.
-Aconteceu alguma coisa ? – perguntou.
-Não, desculpa, eu estava pensando em outra coisa – disse tentando disfarçar.
-Isso eu percebi, escutou o que eu disse ?
-Não, não ouvi, desculpa – Falou Carol envergonhada.
-Eu vou entrar, para falarmos sobre a Juliana e você fica aqui, se ligarem no celular dela, você me chama, tudo bem?
-Claro, vou ficar esperando você aqui – falou Caroline tentando ser simpática com Vivian.
Por mais que Vivian não tivesse culpa nenhuma, Carol sentiu-se deslocada, se perguntava porquê Débora não havia mencionado o parentesco entre as duas, isso a deixava ainda mais pensativa.
-Então, Doutora Vivian o estado de Juliana é estável, felizmente nenhuma lesão grave, ela vai ficar bem, o mais importante agora será encaminhar para ter apoio psicológico, infelizmente ela perdeu o bebê. –Disse em tom de lamento.
-O bebê? Ela estava grávida? –perguntou Vivian surpresa.
-Sim, apenas 8 semanas. – confirmou o médico.
Vivian inicialmente ficou um pouco abatida  mas logo se recuperou, quis saber se poderia vê-lá, porém só seria possível depois de algumas horas.
Assim, retornou para a sala de espera.
-alguém ligou? – perguntou para Carol.
-Não, ninguém. Como foi? Como ela está?
Vivian se sentou ao lado de Caroline na recepção, passou alguns segundos olhando para o vácuo e depois encarou Carol.
-Ela está gravida – contou.
-Sim, também fiquei surpresa.
-Eu não consigo acreditar, juro que não consigo. Como pode? A Débora é cega, depois de tudo que ela já fez, ela ainda vai pra cama com a Juliana, fala com ela, dá atenção pra ela, meu deus, será que ela é burra ou foi enfeitiçada? Não é possível –desabafou Vivian, que ao retornar o olhar para Caroline percebeu que havia falado o que não deveria.
-Desculpa, eu não quis..
-Tudo bem, eu entendo.
-É que.. é uma história complicada. – falou Vivian.
-É, me parece ser uma longa história complicada, que tal me contar? – sugeriu curiosa.
Vivian a encarou com seriedade por alguns minutos, fazendo-a ficar envergonhada.
-Não posso, não sou eu que tem que te dizer Caroline, você sabe.
Carol sabia, Vivian não deveria e nem poderia dizer nada a ela, não antes de Débora, só não entendia porquê não contara antes, isso a deixava completamente insegura, é como não saber onde está pisando.
As duas permaneceram em silêncio durante um tempo, até que Vivian interveio.
-Ela vai ficar bem, não houve lesão grave, pelo menos não com ela.
Carol balançou a cabeça positivamente, não sabia o que dizer ou o que perguntar, sentia-se um peixe fora d’água, uma desinformada diante de tudo que a cercava.
-Não vamos embora ? – perguntou Caroline.
-Não, vou esperar ela acordar. – Disse séria.
Carol percebeu que aquela situação atingiu diretamente Vivian, porém não sabia o porquê, e não queria imaginar coisas que não deveria, e nessas horas, imaginar coisas que não deveria era uma das coisas mais fáceis do mundo para ela.
-Eu não entendo, ela sempre dizia que amava a Débora e aparece grávida, é cara de pau ou o que?  –falou trazendo sua reflexão a tona.
-Ela é falsa, dissimulada, ela nunca amou a Débora, isso não é amor, nunca foi... nem sei se ela sabe o que é amar, só de lembrar o que ela fez no dia.... – parou Vivian. -Desculpa, vou ir tomar água – falou enquanto se levantava.
Caroline sentia-se cada vez pior, diante daquilo tudo, não sabia o porquê , não conseguia compreender a situação, odiava a ideia de ficar no meio de uma história, alguém deveria ter contado-a como foi o começo, isso estava deixando-a angustiada.
Vivian ficou andando de um lado para outro, ora ficava dentro do hospital, ora ia caminhar do lado de fora, Carol permaneceu no mesmo lugar, notou que se Vivian não estava fugindo dela, ela não saberia mais o que poderia ser.
-Cadê a doutora ? – perguntou Doutor Gustavo. Caroline estava tão distraída que nem havia percebido sua aproximação.
-Vou chama-la. – disse indo em direção ao lado de fora do hospital
Ao se aproximar, percebeu que ela estava conversando no celular, na verdade, estava discutindo com alguém.
-Eu já disse, não aconteceu nada demais. Ela está com outra pessoa e eu estou com você, não dá pra confiar nisso?
Carol permanecia parada atrás de Vivian, que estava ocupada demais para se virar, não quis interromper a conversa então permaneceu ali.
-Não acredito que você está dizendo isso – falou irritada. –Escuta aqui, eu...-Carol por um momento pensou que não deveria está ali escutando  sua conversa, pensou em interrompê-la ou ir embora mas..
-Já sim, já amei muito ela, ainda amo muito mas ... por favor.....você não tem o direito de duvidar de mim – falou aos gritos, ao se virar, seus olhos foram de encontro aos de Carol que a olhava intensamente.
Caroline, imediatamente voltou para dentro do hospital, Vivian logo em seguida, ao entrar, deu de cara com Doutor Gustavo que teria boas notícias para lhe passar.
-Então, ela acordou, vamos vê-la? – sugeriu atencioso.
-Claro- confirmou Vivian que olhava para Caroline, sabia que deveria explica-la sobre o que acontecera minutos antes.
Ao entrar no quarto, Juliana ainda estava meio sonolenta.
-Vou deixa-las a sós. –Disse o médico.
-Obrigada Doutor, obrigada por tudo. – agradeceu Vivian.
Já a sós, as duas trocaram olhares por alguns instantes até que Juliana acabou com o silêncio.
-Veio ter certeza que eu não morri? – falou meio grogue e irônica.
Vivian riu, em seguida sentou-se na cama, bem próxima de Juliana.
-Mais o menos isso, pena que gente como você não morre tão cedo. –Falou séria, em seguida soltou uma sorriso contido.
-Você não, mas o feto...-Falou olhando-a com veemência.
-O que? Meu bebê? –dizia descrente.
Vivian se levantou e caminhou pelo quarto, enquanto Juliana ficava repetindo a mesma frase para si mesma. “meu bebê morreu “ “meu bebê morreu”
-Será que dá para parar de chorar ? –disse seca.
-Parar de chorar? É do meu bebê que estamos falando, do MEEEU – gritou.
-Fala baixo – disse com firmeza. – Como não sou muito fã de rodeios, vou ser simples e direta, você está bem, não aconteceu nada de grave com você, então você não vai prestar queixa contra Débora.
Juliana ficou sem reação, ficou pensativa por um tempo, enquanto encarava Juliana, as duas se confrontavam de uma maneira sem igual.
-EU PERDI O MEU BEBÊ – falava cerrando os dentes.
Vivian se aproximou de Juliana, ficou o mais próximo possível do seu rosto, fazendo-a olhar para frente, desviando o olhar para assim não ter que encara-lá. 
-Tanto eu quanto você sabemos que ter filhos nunca foi sua prioridade, então não venha com sentimento materno para o meu lado Juliana.
-Eu mudei
-Mudou? Porque que eu saiba você ainda fica infernizando a vida da Débora..
-Qual o problema? O que você tem a ver com isso? – disse cínica.
-Escuta aqui, é isso que você vai fazer, por mim e por ela.
Juliana riu, dessa vez de deboche.
-Sabe o que é mais engraçado? Vê que você ainda é apaixonada por ela, sabe o que te falta? Coragem, coragem de assumir que adora uma buceta bem gostosa, que é doida por mulher, que é a mais sapatona de todas as sapatonas que existe - disse provocando-a.
-O recado está dado. – falou séria, enquanto pegava sua bolsa.
-Eu só não denuncio se ela ficar comigo – disse antes de Vivian abrir a porta, que de imediato voltou ao seu encontro.
-Escuta aqui, sabe o que você é? você é a pior coisa que aconteceu na vida dela, se você continuar infernizando a vida da Débora, eu não vou pensar duas vezes antes de te dar o troco.
-Quem vai acreditar? Sabia que até hoje seu estigma de vagabunda não saiu dos almoços em família – falou provocando-a.
-É mesmo? – disse irônica – Mal sabem que não sou só eu a vagabunda da história, mal sabem que você também é uma.
-Até hoje não superou, não é Vivian? Eu consegui dá para o seu marido o que você nunca deu e nunca vai dar. -disse sorridente.
-Cala sua boca – falou extremamente irritada. –Pago pra ver a reação da sua família hipócrita quando descobrirem quem você é, que além de dormir com o próprio primo ainda engravidou, e tudo isso só pra me atingir e por quê? Por inveja, inveja da Débora sentir por mim o que ela nunca sentiu por você, e agora, a Caroline, por que você não desiste? Ela nunca vai te amar, você é digna de piedade.
Juliana cuspiu no rosto de Vivian, ela ficou tão furiosa que a expulsou aos gritos do quarto. Vivian saiu de imediato, chamar a atenção em um hospital não seria nada interessante para sua imagem, Caroline ao vê-la entrando no banheiro, a seguiu, percebeu que Vivian chorava, sua mente estava confusa por não entender aquela situação.
-Quer conversar? – perguntou timidamente.
-Estou bem. – afirmou Vivian limpando o rosto.
Em poucos minutos, ela já tinha se maquiado e voltado ao seu estado sereno que normalmente possuía, Caroline por sua vez apenas observava.
-Vamos? – falou ao sair do banheiro.
As duas seguiram para o hotel, pegariam as coisas de Carol e voltariam para casa no mesmo dia, esse era o plano.

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Um comentário:

  1. Quero mais !!!! Ansiosa para o próximo capítulo!!! 😬😍❤️❤️👏🏼

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