26.11.17

Será que é amor? - Capítulo 60

Caroline, ao perceber o que de fato havia acontecido, olhou no retrovisor, ao ver Juliana jogada na rua, se apavorou imediatamente.
-Você ficou maluca? – gritou.
-Você atropelou a Juliana, meu deus, onde você está com a cabeça Débora, você a atropelou! – gritava enquanto abria a porta para sair do carro.
Débora permaneceu imóvel no banco, não conseguiu reagir.
Caroline ao chegar perto de Juliana checou seu pulso, em seguida, chegaram algumas pessoas, umas se oferecendo para ajudar, e outras acusando Débora de ter sido a responsável pelo atropelamento. Entre várias vozes, Caroline ficou assustava, ao perceber que queriam chamar a polícia, temendo com o que poderia acontecer, interveio na conversa.
-Não, não chamem a polícia, não é necessário, foi..foi um acidente – tentava convencê-los.
-Não foi não, eu vi quando ela acelerou o carro em cima da outra – disse um senhor.
-Eu também vi, essa aí estava gritando e batendo no carro – concordou uma mulher.
Caroline se levantou, e foi em direção ao carro, Débora ainda permanecia parada.
-Débora – disse sussurrando, porém, não obteve resposta.
- você tem que ir, querem chamar a polícia.
Débora continuava inerte, fazendo com que Carol desse a volta no carro, parando na porta do motorista.
-Olha pra mim – disse virando o rosto de Débora contra o seu.
-Aquelas pessoas estão querendo chamar a polícia, a Juliana está desacordada, se eles vierem, vão levar você, então, vai embora – pedia Caroline.
-Débora não respondeu, estava aérea.
Caroline abriu a porta, pensou em gritar ou algo do gênero, mas fez o possível para se acalmar, em seguida se aproximou de Débora, fechou os olhos pensando no que poderia dizer para faze-la ir.
-Eu te amo, você sabe disso, não é? Então, por mim, por nós, liga esse carro, e vai embora.
Débora retribuiu o olhar de Caroline, estava aparentemente confusa.
-Não, eu não posso deixar você aqui, sozinha, ela, não posso, eu,eu
-Me escuta Débora – disse firme- Se a polícia vier, vão querer saber o que aconteceu, olha como você está, vai embora e tenta colocar a cabeça no lugar.
-Mas...
-Vai Débora – gritou Caroline, em seguida bateu a porta.
Ao verem o carro indo embora, os moradores trataram de questionar Caroline, que havia ficado.
Caroline não respondeu ninguém, começaram a amontoar pessoas à sua volta.
Carol tentou manter a calma, tanto a sua quanto das pessoas que a cercava. Não demorou muito para a ambulância chegar.
Débora ainda atordoada chegou ao hotel cantando pneu, imediatamente, subiu para o quarto, conseguiu arrumar tanto suas coisas como de Caroline em poucos minutos, se questionava se aquilo era o certo a ser fazer. Entre lágrimas, ela lavou o rosto, em seguida se encarou contra o espelho, além da sua imensa dor de cabeça, era perceptível como estava aparente seu desespero, não conseguia pensar, refletir de forma coerente sobre aquela situação, eis que decide ligar para Vivian.
-Alô?  Débora ?
Débora voltara a chorar só de ouvir a voz de Vivian, que começou a se preocupar.
-Débora, calma, respire fundo e me diz o que está acontecendo.
-‎Eu...eu -dizia bastante nervosa.
-‎Eu atropelei a Juliana. -falou com firmeza.
-‎como assim?  explica direito. –Disse com a voz suave tentando não alarmar ainda mais Débora.
-‎Eu ...eu ...eu não sei ...eu - falava entre choro.
-‎Respira Débora, onde está Caroline? Deixa-me falar com ela - sugeriu.
-‎ela ...ela..
-‎Débora, me escuta, respira e se acalma, não adianta ficar nervosa agora, bebe água e tenta se acalmar.
Débora seguiu as sugestões de Vivian que permaneceu na linha esperando-a.
Caroline se dispôs a ir com Juliana para o hospital, se declarou como amiga, ficou aliviada, não só por não ter aparecido polícia como também por ter se livrado de mais perguntas.
-Como ela está? Ela vai ficar bem?
-Não sabemos, só é possível saber quando chegarmos ao hospital.
-Mas como ela está agora? É grave? Muito grave?
-Moça, precisamos de calma, por favor, controle-se. –Disse a socorrista.
Carol sabia que a mulher tinha razão, respirou fundo, abaixou a cabeça e suplicava para que tudo desse certo, estava preocupada com Débora e temia que algo acontecesse, tanto com ela quanto com Juliana.
Depois de alguns minutos, Débora conseguiu dizer para Vivian o que havia acontecido.
-E o que você vai fazer?
-Eu não sei, não sei, minha cabeça está explodindo, a Caroline me disse pra voltar e agora estou aqui...
-Faz assim, você volta pra casa de taxi e eu vou para aí, levo seu carro e volto com a Caroline.
Débora ficou pensativa, estava completamente confusa, sua cabeça doía como nunca, ela não tinha outras opções, acabou por aceitar o que Vivian propôs.
-Espera, seu mar..
-Não se preocupe, eu dou um jeito, só pegue um taxi e vai pra casa.
-Muito obrigada Vivian, eu nem sei como agradecer.
-Me agradece ficando bem e colocando a cabeça no lugar.
As duas se despediram, Débora desabou no sofá, não conseguia mais chorar, mesmo com a cabeça ainda doendo terminou de arrumar as coisas, deixou tudo completamente organizado, não sabia se levava as coisas de Caroline ou não, quando de repente seus pensamentos são interrompidos pelo toque do celular. Débora teve receio de atender, mas mesmo assim atendeu, para o alívio de Caroline.
- Débora, graças a Deus, como você está ?
Por mais que tentasse, Débora não sabia o que falar, Caroline apenas assentiu, sabia que ela precisava de um pouco de tempo.
- só me diz se esta bem... - pediu.
- ‎Eu liguei para a Vivian, ela está vindo, para buscar o carro e ficar com você e....- Disse com a voz trêmula.
- ‎você vai embora?-perguntou Carol
- ‎sim
- ‎Faz bem, é melhor - Disse com firmeza.
Débora perguntou como estava o estado de Juliana, Caroline por sua vez mal sabia informar, já que nenhum médico havia se pronunciado sobre seu caso. As duas se despediram, uma mais abatida que a outra, enquanto Débora estava prestes a pegar o táxi de volta pra casa, Caroline temia pela chegada da polícia, isso afligiu durante toda espera por notícias de Juliana.
-Oi?- falou tentando chamar a atenção de médicos que passavam pela sala- Oi? será que vocês poder...
-‎Desculpe, pergunte a recepção. –disse um médico aparentemente apressado.
Caroline sentia raiva por ficar todo aquele tempo ali e ninguém aparecer para atualiza - lá. Quando finalmente apareceu um.
-Olá, Doutor Gustavo, prazer - estendeu a mão para cumprimentar Caroline que retribuiu se apresentando e apertando sua mão.
-‎Você possui parentesco com a senhorita Juliana Olivieri?
-‎Sim, quer dizer, não - falou se embaralhando um pouco, o olhar fixo do médico a deixou com  de mentir, sabia que não era  melhor a se fazer diante de todo o contexto.
-‎Eu não sou parente dela, somos amigas.
Doutor Gustavo lamentou, não poderia passar informações, por mais que Caroline insistisse, ele só poderia falar com alguém da família, apenas adiantou que Juliana estava bem entretanto havia perdido o bebê.
-Como assim?
-‎você não sabia? - perguntou desconfiado.
-‎Sabia, claro que sabia...  é que..
-‎Bom, eu já vou indo - falou o médico antes que Caroline tentasse lhe fazer mais perguntas.
-‎só me diga quantas semanas, por favor - suplicou Carol.
-‎ oito semanas. -Disse por fim.
Caroline ficou incrédula, aliviada por um lado, Juliana ficaria bem, mas e o ...- pensava consigo mesma, ao ver o telefone de Juliana tocando ficou na dúvida se deveria atender, ao olhar no retrovisor, não apareceu nenhum nome, fazendo-a  desligar sem pensar duas vezes.
-Caroline! - falou Vivian, que imediatamente a abraçou.
-‎Oi, finalmente você chegou.- falou.
-‎Desculpe a demora, fiz o máximo para chegar o quanto antes, como você está? qual a situação?
-‎Então, eu estou bem, obrigada, falei com o médico dela, mas ele não pôde me passar a situação completa, só poderia se fosse alguém da família.
-‎Entendi, quer comer alguma coisa ? - perguntou Vivian preocupada.
-‎Não, só quero saber se ela vai ficar bem.
Vivian e Carol se dirigiram até a recepção, em seguida, Doutor Gustavo apareceu.
-Prazer, Doutor Gustavo - Disse estendendo a mão.
-‎Doutora Vivian, prazer. - falou simpática.
-‎Médica também ? –perguntou sorridente.
-‎Exatamente – confirmou retribuindo o sorriso.
-‎Maravilha, presumo que queira saber da paciente... - falou enquanto olhava o prontuário.
-‎Juliana - completou Caroline.
-‎isso mesmo, Juliana. Desculpe Vivian, mas só podemos...
-‎Passar informações para alguém da família -interrompeu - então, eu e ela somos primas. -Afirmou Vivian.

Caroline ficou sem reação, “como assim prima? " pensou enquanto encarava-a  sem acreditar, aquele dia não estava mais saindo como planejado, duas novidades em uma cajadada só era muito para sua cabeça.

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