22.1.17

Será que é amor? - Capítulo 52


Ao ver o rapaz parando a uma certa distância consideravelmente longe, Débora respirou mais aliviada, talvez sua tensão depois de ter sido pega, poderia ser notada para quem a visse de perto, e isso não seria nada bom, nem mesmo se fosse visto por um desconhecido, Débora não compreendeu o que o jovem estava tentando lhe dizer, fazendo-o com que levantasse a voz.
-NÃO PODE ESTACIONAR AI, É VAGA RESERVADA - gritou.
-Por que não?se é vaga- disse gritando tanto quanto.
-É RESERVADA, POR FAVOR, SAIA DAI, NÃO ME ARRUME PROBLEMAS - pediu o menino em tom suplicante, por mais que Débora não gostasse nem um pouco de ceder principalmente nessas circunstância, no qual ela tinha todo direito de estacionar ali, optou por acatar o pedido do rapaz, ficaria apenas dois dias na cidade, não tinha porquê arrumar confusão com estranhos.
-TUDO BEM, JÁ VOU SAIR - gritou de longe, dando um joinha com a mão, ao voltar para o carro, Caroline sorria desvergonhosamente, era uma mistura de ar angelical com exalação de desejo, podia nota-los em seus olhos. 
-O que foi, por que está me olhando assim?
-assim como ?
-assim, parecendo que vai me engolir viva.
-Talvez porque eu vou - falou sorriso, olhando-a fixamente.
-Vai? você acha que vai me engolir? - disse em tom descrente, provocando-a.
-Não, na verdade, na verdade. Vou te devorar. - exclamou serena e séria, como se estivesse apenas dando um aviso, Débora sentia um arrepio só de vê-la e ouvi-lá falando daquela maneira.
Antes que virassem a esquina, pararam no caminho, Débora olhava fixamente para  o retrovisor, Caroline estranhou a parada súbita e silenciosa.
-O que foi? Por que parou?
-Olha lá - falou Débora - disse direcionando o olhar de Caroline para o retrovisor.
-Não entendi- comentou.
-Aquele Homem, grisalho, olha só, ele quem roubou minha vaga - disse séria.
Caroline soltou um sorriso tímido mas não se segurou, logo começou a rir como nunca, ver Débora ficar com raiva por conta de uma vaga era no mínimo inusitado.
-Não estou achando graça nenhuma. - disse colocando seus óculos escuro, em seguida acelerando o carro fazendo com que dessem uma arrancada de cantar pneus.
-Desculpe - disse ainda recuperando-se dos risos.
-É engraçado ver você ficar com raiva por uma vaga.
-Não é engraçado Caroline, é por conta disso que as coisas nesse país não vão pra frente.
-Não exagera vai, o que tem a ver uma vaga com o progresso ou retrocesso do país? é só uma vaga Débora, relaxa.
-Tem a ver que ninguém tem direito de reservar uma vaga assim, nem estacionamento privado aquilo era, você viu o carro dele? só porque tem dinheiro acha que pode tudo..
-E não pode? em um mundo capitalista no qual vivemos, quem tem mais dinheiro consequentemente manda e detém o poder. - disse Caroline, fazendo com que Débora apenas se virasse contra ela, não tinha o que responder, pelos simples motivo que concordava com o que ela havia dito, por mais que na adolescência acreditasse que pudesse mudar o mundo e lutasse pela mudança do sistema, seria inútil lutar contra a maré que o mundo é,  pôde perceber isso depois de adulta.
- E depois, tenha calma meu amor, não precisa se estressar, já já encontramos outra.
-Que raiva - soltou - Que vontade de voltar e riscar aquele carro - esbravejou.
Caroline não aguentou, era extremamente hilário ver Débora tão irritada por um motivo que ela considerava tão banal.
-Assim como fizeram com o seu?- perguntou Carol entre gargalhadas.
-Nem me lembre, ainda tenho que arrumar esse maldito arranhão, tenho certeza de quem o fez.
-Quem? - perguntou Caroline curiosa.
-Não vem ao caso - disse tentando desviar o assunto.
-Não tem vaga , não tem vaga , proibido estacionar, proibido parar, proibido estacionar e parar - exclamava Débora lendo todas aquelas placas ao decorrer do caminho.
-É meu amor - suspirou- Acho melhor irmos para o hotel, qualquer coisa saímos a pé, lá deve ter um restaurante.- aconselhou Carol tentando tirar o semblante preocupado e ao mesmo tempo fúria que Débora aparentava.
Ela concordou, as duas seguiram para o bendito hotel, que não ficava muito longe de onde estavam, não demoraram muito para chegar, como a olimpíadas começaria as 15 horas, as duas apenas colocaram as malas em seus devidos lugares, sem enrolação ou perca de tempo, por mais que quisessem comer algo antes de partirem, não daria tempo de suprir a necessidade naquele exato momento, Débora previa que chegariam atrasadas caso parassem para almoçar, o lugar estava um pouco longe de onde estavam, Caroline se perguntou o porquê de alugar quarto em um hotel longe do lugar onde haveria a competição se de fato estavam ali para aquilo, entretanto não questionou Débora, imaginava que ela sabia muito bem o que estava fazendo e não duvidava nada que seria mais uma surpresa por parte dela, no fundo Caroline amava, Débora sempre a surpreendia e talvez era disso que ela precisava, surpresas incomuns e aventuras que nunca pensou em viver.
Durante o caminho para o tal lugar, passaram em uma lanchonete, não tinham comido nada desde mais cedo, era essencial deixar Caroline alimentada,mal alimentada, mas alimentada, afinal, nada mais recomendado do que uma boa quantidade de carboidratos mais vitaminas para ter um bom desempenho.
-Aqui - falou Débora entregando-a o suco e um sanduíche. Logo após, sentou-se na mesa, Caroline estava distraída olhando através do vidro os carros passarem de um lado para o outro.
-O que foi? pensando na competição? - Perguntou Débora tentando puxar assunto.
-Sim, também, esse lugar me fez lembrar ...- interrompeu por um instante, voltando o olhar para Débora.
-Esquece, não importa - disse a menina sorrindo, pegando o copo de suco na mesa seguido de um gole.
-AH-disse Débora fingindo chateação enquanto pegava nas mãos de Caroline.
-me conta vai, divide seus segredos comigo - falou tão doce que se jogassem açúcar seria perigoso derreter.
-Não é nada demais, talvez bobeira
-Bobeira? eu amo bobeiras, você não tem noção - disse dando um sorriso de canto de boca.
-É que me lembro, quando éramos crianças, meus pais nós levavam para uma lanchonete tipo essa - falava enquanto observava cada centímetro do ambiente, que era totalmente descontraído.
-Era uma época bastante feliz, eu amava tomar milk shake.
Débora sorria, não ousou dizer nada, apenas observava o quão belo ficava os olhos de Caroline ao relembrar a história que acabara de contar, ela tinha ficado  mais bonita, mais alegre, mais feliz, por mais que soubesse que o que estava acontecendo entre elas a deixava assim, sabia que era algo diferente,eram sentimentos diferentes, sabia que seu relacionamento com o pai não era nada fácil, e sua mãe, onde estaria?! questionava consigo mesma, sempre receosa demais para ousar em perguntar.
-Por que disse"éramos crianças" "nós levavam", quer dizer que você tem irmãos e não me contou- comentou em tom brincalhão, mal podia imaginar que de fato aquilo era uma verdade. Caroline tinha um irmão, acabou por deixar Débora levemente estarrecida, não imaginava que Carol tivesse um irmão, e ainda mais, que nunca havia comentado sobre ele, mas logo se acostumou com a ideia, querendo ou não, ainda estavam se conhecendo e nenhuma devia uma Autobiografia a outra, não tinha porquê se alarmar com o novo fato.
-Mas por que nunca me falou dele? não se falam?
-Hum - suspirou pensativa. - É complicado, nunca nós demos bem, somos totalmente opostos- pausou para dar uma mordida no sanduíche, mas antes mesmo de engolir continuou.
-Ele só nasceu meu irmão - disse melancólica - Mas, nunca fomos de fato irmãos, sabe Caim e Abel? Pois então.
-Mas por que a briga? por que ele não mora com você e seu pai? - perguntou enquanto Caroline tomava o suco.
-Você viu a hora Débora, se não formos agora, não conseguiremos chegar a tempo - falou levantando-se, limpando a boca com o guardanapo e puxando Débora pela mão.
Caroline não queria falar sobre seu irmão, não queria estragar aquela viagem por nada, principalmente por pessoas que ela queria deixar no passado, por mais que soubesse que isso não aconteceria, insistia em fingir acreditar na possibilidade.
Ao chegar no local das olimpíadas, ficaram encantadas, Caroline ainda mais, principalmente por nunca ter tido a oportunidade de ver algo assim, desde a decoração baseada na arquitetura greco-romana ao tamanho do lugar, havia um grande público contemplados em todas arquibancadas bem distribuídas, em diferente andares, todas voltadas ao palco central.
-Preparada? - perguntou Débora sorrindo.
Caroline fitou-a, seus lábios estavam tão trêmulos quanto as mãos, encarou aquela multidão enfileirada com os olhos, ficou com medo da pergunta que faria, mas mesmo assim a fez.
-Eu vou ter que ir lá na frente?
-Sim, é tipo um game, antes faziam provas mas acho que esse ano resolveram renovar e tornar algo mais competitivo - falava Débora animada enquanto gesticulava achando o tudo o máximo da criatividade, de certa forma era um incentivo para os jovens, pensar em jogos era muito mais divertido do que pensar em provas objetivas que seriam aplicadas em sala de aula.
-Muito mais emoção -Comentou sorridente enquanto observava a movimentação. Caroline sentia o estômago embrulhar, virou-se para ir embora.
-Aonde pensa que vai mocinha? - falou segurando-a pelo braço.
-Débora, não estou me sentindo bem, não posso fazer isso, eu não vou conseguir, não...- falava insegura.
-Caroline para com isso, se pensar assim não irá conseguir mesmo, repete comigo, inspira e solta - falava enquanto fazia o movimento junto com Carol.
Ficaram assim por um tempinho até Débora notar uma leve acalmada em Caroline.
-Quer água? doce? alguma coisa para relaxar?
-Sim, quero ir embora - dizia sem tirar os olhos da multidão.
-Olha pra mim - Falou incisiva.
-São apenas pessoas, pessoas que verão você ganhar, confie em você - terminou fitando-a.
Por fim Caroline sorriu, se esforçou para não se apavorar, Débora explicou que as primeiras cadeiras estavam reservadas para os participantes e seus respectivos professores, enquanto Caroline procurava seu nome no assento, Débora saíra para comprar água.
Carol estava nervosa o suficiente para não conseguir se concentrar, resolveu ir ao banheiro lavar o rosto, quem sabe sua tensão escorreria por água abaixo. Antes de usar o toillete, percebeu barulhos estranhos vindos da última porta,ficou em dúvida se de fato era aquilo que estava pensando que era, seu instinto curioso falou mais alto e ao chegar mais próximo não conseguia acreditar no que estava escutando.
-Gemidos - sussurrou.
Ao abaixar-se, pôde ver tênis, joelhos, provavelmente um oral dos deuses, pensou ela ao ouvir cada vez mais alto os gritos, que eram graves de mais para ser uma mulher. Usou o banheiro o mais rápido possível, presenciar cenas como essa, estava longe da sua lista de desejos.
-Aonde estava? - perguntou Débora preocupada enquanto Carol se ajeitava no banco.
-No banheiro.
-Pensei que estivesse fugido. - falou Séria.
-Ah- disse fazendo seu típico charme - Nunca que eu iria deixar meu amorzinho aqui.
Débora sorriu, fazendo as duas trocar olhares por alguns segundos.
-Muita evolução, de amor para amorzinho, ganhei mais um ponto - comentou sorridente.
-Está vendo o que você me faz dizer? daqui uns dias vou está fazendo voz de bebê para falar com você.
-O que é que tem? eu acho fofo.
-Fofo? por favor Débora, não tem nada pior do que isso.
Débora em um lance rápido deu um selinho em Caroline, que logo arregalou os olhos depois do feito.
-Você é louca.
-Louca por você - finalizou.
O evento estava prestes a começar, tudo no palco já estava pronto, Caroline recebera uma camisa vermelha, ela e todos os outros alunos receberam, enquanto recebiam as camisas de cores diferentes, Débora explicou que a competição em primeiro momento seria dividida por escolas, e a cada fase iriam desmontando esses grupos que foram montados, até restar apenas dois, um competindo contra o outro, isso deixava Caroline ainda mais tensa, pensando que não passaria da primeira, infelizmente não levaria o título para sua escola e muito menos o título de vitoriosa que depositaram nela, mas olhando por outro lado, não teria tantas atenções voltadas para ela, já que de fato isso aconteceria se ela chegasse na final, pensando por esse lado, Carol não acharia nem um pouco ruim perder.
Depois de meia hora de discurso, iniciaram chamando os nomes dos alunos para que subissem no palco, Carol foi a terceira, era nessas horas que pensava por que seu nome começava com uma das primeiras letras do alfabeto.
"De qualquer forma, você iria ter que subir do mesmo jeito" Pensava enquanto caminhava por aquele palco enorme, voltou toda a sua atenção para Débora que não parava de sorrir, sorria como bobo da corte, que para Carol soava como sendo a coisa mais linda daquela tarde.
Eram ao todo, trinta alunos, nos quais foram separados em seis times distintos, a cada pergunta, um representante deveria ir a frente do palco, e falar no microfone em alto e bom tom a resposta, aquele com menor número de acertos, perderia e deixaria a competição, e o restante passaria para próxima fase,e assim por diante, o representante seria sorteado aleatoriamente.
Depois de finalmente começar a competição, Caroline sentiu um frio na barriga, suas mãos estavam mais geladas do que nunca, temia não conseguir despregar seus pés do chão caso fosse chamada, mas se as palavras tem poder, iria de funcionar, pois não parava de repetir para si mesma, que não seria chamada.
Não vai ser eu, não vai ser eu. não vai ser.
Uma menina do grupo 1, fora solicitada, demorou menos de seis minutos para fazer e ACERTAR um problema que envolvia funções do segundo grau, que para Caroline, era uma questão de nível fácil, nada surpreendente.
Já no grupo 2, as coisas mudaram, uma equação que requeria um pouco mais de tempo seria facilmente resolvida se o garoto dominasse o básico de racionalização, contudo não foi o que aconteceu, o primeiro erro gerou um barulho de comemoração por parte da torcida mais afundo no auditório.
Não vai ser eu, não vai ser eu, não vai s...
-CAROLINE Uchoa Azucena Pinto
Carol não sabia o que era pior, ter o azar de ser chamada ou ouvir seu nome ser pronunciado em alto e bom tom, mesmo assim respirou fundo e caminhou em direção ao microfone, sentia suas pernas mais pesada do que nunca, como se estivesse calçado sapatos feito de ferro.
sentiu seu coração acelerar ainda mais forte, não queria encarar toda aquela multidão que agora se voltava contra ela, tentou olhar apenas para Débora , ao ver a pergunta na tela, viu que não era difícil, nada difícil, uma simples regra de três resolveria, e claro, algumas conversões de unidades seriam necessárias, demorou mais o menos quatro Minutos, antes de dizer a resposta resolveu encarar o medo de frente, observou cada lugar daquele auditório, era muita gente, tanta gente que não conseguiu acreditar no que seus olhos foram capazes de localizar, entre tantas pessoas, viu a que menos queria ver, Juliana!
Caroline ficou tão atordoada que fora incapaz de ouvir chamando-a, deixando todos preocupados pelo seu breve silêncio. Débora pôde perceber para onde ela olhava, em busca de saber o porquê se desconcentrou , descobriu rápido o motivo, viu Juliana sorrindo descaradamente, sem pensar duas vezes levantou-se para ir atrás, que a essa altura já havia saindo do teatro, apenas a aguardando do lado de fora.

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12 comentários:

  1. Poxa vida essa Juliana não se manca que tá sendo inconveniente. Que raiva ela não pode estragar tudo. Não deixe ela estragar essa viagem.

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  2. Ta na hora dassa criatura sumir de cena né
    O serumaninho chato

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  3. Juliana é um encosto na vida de Caroline

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  4. Aaff está Juliana é pra acabar.. continua

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  5. Cara que saco, essa nojenta da Juliana de novo, pelo amor de Deus não deixa elça estragar a Viagem.. uix pq essa guria nao some de uma vez..

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  6. Cade o proximo capitulo?????? #Ansiosa

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  7. Estou cansada de esperar os próximos capítulos

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    1. pretende me pagar quanto para atender sua ansiedade?

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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  10. Poderia ter um destino lastimável essa Juliana como um suicídio ou homicídio pq ela estresaa qualquer um pelo amor de Jeová essa garota chuta que é macumba

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