7.1.17

Será que é amor? - Capítulo 48


Dentro do Carro, Caroline permanecia pensativa, depois que se despediu do pai, não disse mais nada.
-Em que está pensando? - questionou Débora curiosa.
-Você viu, pela primeira vez depois de tantos anos ele me tratou como filha, como filha de verdade - falou pensativa e ao mesmo tempo feliz, Débora não queria vê-la triste, mas sabia muito bem que aquela atitude vinda de seu pai não passou de interessante.
-Meu amor, ele só ficou interessado no prêmio, não percebeu? - disse com delicadeza, não queria decepcionar Caroline com a verdade.
-Eu sei - disse abatida.
-Ele sempre foi assim? - perguntou.
-Não, ele já foi um bom homem, quer dizer, ele sempre foi bruto, truculento, mas não bebia como agora, quando ele bebe sempre fica pior.
-E onde está a parte do bom homem?
Caroline fitou-a, e pensou por um instante antes de responder.
-Não sei - disse com a voz embargada.
-Mas... vamos mudar de assunto....-disse tentando alegrar a conversa.
-E caramba, devo te dar parabéns, nunca vi cena mais real do que aquela - Falou animada, fazendo com que Débora desse uma boa gargalhada.
-Cena? Que cena? -perguntou fazendo-se de desentendida, Caroline fez questão de acompanha-la nas brincadeiras.
-Ah, aquela cena onde você mente tão bem, que merecia ganhar o Oscar.
Débora riu, mas logo revidou..
-O Oscar? pouco demais pra mim - disse convencida.
-Merece o que então? - questionou Carol.
-Mereço você, só pra mim..-falou olhando-a nos olhos.
-Você sabe que está dirigindo não sabe?
-Você já fez uma vez - provocou.
-Não...- respondeu Carol pensativa
-Sim....- disse Débora com uma voz atraente aos ouvidos de Caroline que não pensou duas vezes, tirou o cinto de segurança, e se atracou em seu pescoço,  arrepiou-se instantaneamente, sem tirar as mãos do volante Débora tentava não se desconcentrar-se da direção, Caroline passava as mãos entre suas pernas, ao mesmo tempo mordiscava sua orelha e descia beijando seu ombro, Débora sentia vontade de parar em qualquer esquina, joga-la no banco de trás e..
-O sinal ! - gritou Carol, consequentemente Débora pisou no freio , fazendo com que Caroline fosse jogada para frente com a parada brusca.
-Ah, meu deus - disparou, ajudando-a se levantar.
-Machucou? - perguntou preocupada.
-Não -respondeu Carol desajeitada voltando para o banco com a ajuda de Débora.
-Ainda bem que não estava correndo... - comentou passando a mão na cabeça.
-tem certeza que não machucou? bateu a cabeça?
-Não, está tudo bem -disse tentando tranquiliza-lá.
Mesmo assim Débora viu-se obrigada a não acreditar em sua resposta, para ela, Caroline havia sim batido a cabeça e por mais que não houvesse fratura aparente achou melhor leva-la ao hospital, mesmo contra sua vontade,  Carol não teve outra opção, por mais que quisesse não ir em hospital nenhum, Débora era tão teimosa quanto ela.
-Pode ficar tranquila Débora, conversei com a Caroline e combinamos que se ela sentisse qualquer coisa iria me avisar - disse Vivian.
-Está vendo, eu disse que não foi nada - falou Carol fitando-a.
-Obrigada Vivian, agora podemos viajar tranquilamente.
-Ah, quer dizer que as princesinhas vão viajar sem nem me convidar? Que descaramento - Brincou.
-Ah não fala assim - falou Débora carinhosa, abraçando-a, e continuou- Foi de última hora, mas dá próxima viajaremos nós três.
-Quatro- disse Vivian balançando a mão na altura do maxilar, para mostrar o dedo anular da mão direita.
-Então leva ela, não vejo problemas. - comentou Caroline sorridente, porém ficou sem entender porque os entreolhares em meios a sorrisos que ela não conseguia desmistificar.
Quando ia explicar para Carol, Vivian foi interrompida por uma enfermeira que a chamava para um atendimento de emergência.
-Explica pra ela - falou dando uma piscada para Débora. - Boa viajem, se divirtam, vocês merecem! - esbravejou indo em direção ao paciente que lhe aguardava.
-Não entendi ! - exclamou Caroline achando aquela situação um tanto quanto estranha.
-Vem, em casa te explico.
Do hospital para a casa de Débora não era muito longe, não demoraram muito para chegarem, no caminho pôde explicar para Caroline a confusão, disse que Vivian não era lésbica, muito menos casada com outra mulher, mas sim com um homem, deixando-a envergonhada pelo mico que havia cometido, no entanto não contou nada sobre o que as duas tiveram no passado, não sabia se deveria mexer no que já passou, depois,"para que lembrar de passado quando teremos um final de semana dos deuses?" pensou convencida que estava certa em não ter contado nada sobre Vivian e ela.
Ao chegarem no condomínio, antes mesmo que todo o portão da garagem se abrisse surge Juliana em frente ao carro, nitidamente bêbada.
-Não acredito - sussurrou Débora.
-Nem eu  - disse Carol revirando os olhos.
-Onde você vai? - perguntou Caroline, enquanto Débora tirava o cinto de segurança.
-Conversar com ela..
Débora saiu do carro em direção a Juliana, que se atirava em seu rumo, estava completamente alcoolizada, tentou convence-la a ir embora, coisa que ela se negava a fazer, ora se jogava contra o capô, ora para cima de Juliana, que não sabia controlar muito bem a situação, temia pelo escândalo que Juliana poderia fazer na frente do seu prédio.
-Vem, vou te levar para casa- dizia enquanto tentava puxa-la para entrar no carro, tudo em vão.
-Eu não vou - falava atropelando as palavras - eu não vou com essa pirralha -resmungava.
-Fala baixo e entra!
-NÃO , NÃO , NÃO - falou Juliana aumentando o tom de voz, chamando a atenção de quem passasse pela rua.
-Débora, vai, leva ela que eu te espero aqui - concluiu, logo descendo do carro, Débora agradeceu pelo olhar, conseguiu colocar Juliana finalmente dentro do carro.
-Não demoro, já volto. -Agradeceu novamente.
Carol Por sua vez observou o carro sumir em meio ao trânsito, optou por ficar ali fora esperando Débora voltar,como a rua estava movimentada se tranquilizou em permanecer na calçada mesmo.
Carol não pôde deixar de pensar no que poderia acontecer no caminho ou até mesmo na casa de Juliana, não sentia ciúmes de Débora leva-la em casa, não havia se incomodado, pois levou aquilo como uma espécie de teste, um teste talvez falho pois não poderia saber caso algo acontecesse, mas um teste de dignidade, a terceira e ultima chance se assim podemos dizer, sentia medo e ansiedade, por mais que Débora não a contasse caso acontecesse alguma coisa, pensava que por outro lado ela não teria coragem de mentir, e mesmo se mentisse, seria a última vez, pois iria até o fim para descobrir qualquer coisa que deveria saber, passaram-se meia hora e nada dela aparecer, deixando Caroline  aflita a cada minuto que se passava, não sabia se ficava pensando na possibilidade de Débora estar transando com Juliana ou simplesmente que estava demorando por causa do trânsito.
-Chega Caroline ! - sussurrou para si mesma.
-Caroool! - gritou uma voz tão animada que quase a fez pular de susto.
-Você por aqui? - respondeu surpresa.
-Claro, já foi naquela boate LGBT? - disse Jonathan apontando para o rumo da boate, aliás, que no caso ele achava que era o sentido da boate.
-Boate LGBT? - perguntou estranhando o fato.
-Epa - exclamou - Não sou viado, já deixo bem claro - falou rindo.
-Não, eu só achava que você não gostava disso.
-É da hora Carolzinha, cada mulher gata, você precisa ver..
-Imagino, mas me diz, o que foi fazer em uma boate? já viu a hora?
-Não conta pra ninguém, mas é que tenho uma amiga que curte sabe, esses negócio, daí vim com ela- contou tão saltitante como não o via a tempos.
-E cadê essa sua amiga?
-Acredita que me deixou aqui sozinho, saiu com uma gostosa, gostosa, gostosa...gostosa é  até pouco para uma mulher daquelas.É um desperdício viu Carolzinha - comentou o rapaz enquanto tomava o restante de cerveja.
Caroline engoliu o comentário a seco, achou melhor não dizer o que Jonathan deveria ter escutado, pois seu estado não estava um dos melhores , "pelo visto hoje é dia de ficar bêbado" pensou.
-E você tá fazendo o que aqui? - perguntou o menino curioso.
Caroline engasgou nas palavras que mal saiam da sua boca, não sabia o que dizer ou inventar, Jonathan sabia praticamente tudo sobre sua vida, e mentir para ele não era nada fácil.
-Estou.....estou...- gaguejava tentando pensar em alguma resposta que pudesse engana-lo.
Antes mesmo de responder, Jonathan quase foi atropelado, por pouco não foi atingindo pelo carro que veio em sua direção como se quisesse...
-Débora! - soltou Caroline ao vê-la descer do carro.
-Posso saber o que você quer aqui? - disse encarando Jonathan.


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3 comentários:

  1. Anônimo7/1/17 01:45

    Quando será o próximo capítulo?? ��

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  2. Qr mais!!! Qndo sera o proximo???

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  3. Anônimo9/1/17 22:00

    Cadê o proximo capítulo? \o/\o/\o/

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