30.12.16

Será que é amor? capítulo 46


Débora respirou fundo para não fazer o que aquela mulher estava merecendo receber, um belo tapa na cara, e olha que seria pouco, engoliu a seco, e retrucou.
-Bom, se você acha que meu pé é grande, é porque ainda não viu o estrago que meu chute faz - disse sorrindo, deixando Kátia extremamente sem graça.
Maurício deu uma piscada, todos que estavam ali presente, deram uma tímida risada, sentiram vergonha pelo comentário da colega mas acharam ainda mais engraçado a resposta de Débora.
Caroline permaneceu na sala, não estava animada para descer, ficou desenhando, quando de repente chegaram duas meninas, se sentando na cadeira ao lado, deixando-a sem compreender o que estava acontecendo.
-Então você é a Caroline- falou uma das garotas.
-Até que você é bonitinha - disse a outra rindo.
-Por acaso eu as conheço? - perguntou séria.
-Não, ainda não, mas acho bom tomar cuidado com a gente.
-ficar de papinho com namorado de amiga nossa, pode te dar um belo olho roxo, se liga garota.-falaram as menina saindo embora, Caroline não conseguiu dizer nem ao menos uma palavra, não conhecia aquelas pessoas, e muito menos de quem elas falaram, mas medo não faltou, as duas eram o dobro do seu tamanho, não tinha possibilidades de enfrentar.
"Mereço" desdenhou da situação, apesar do medo que sentiu, sabia que não tinha feito nada então não havia o que temer.
O sinal tocou e com isso só se via os alunos pegarem as mochilas desesperados para irem ver a tal abertura que daria inicio aos jogos.
-E não é que ficam loucos com a interclasse..-Comentou a professora que observava a movimentação.
-Pois é - concordou Caroline acanhada, que foi a última a descer, não estava nem um pouco animada para assistir essa tal abertura, preferiria ir para casa, mas ao se lembrar que haveria grandes chances de seu pai estar lá, repensou e ainda sim seria melhor permanecer na escola, planejou ir para a biblioteca e foi para lá que foi.
-Droga-resmungou, ao encontrar a porta trancada, não sabia para onde iria, pois se alguém encontrasse ela ali, com certeza a faria ir para a quadra.
"Banheiro?" Pensou, por mais que não fosse o melhor lugar para ficar, inicialmente foi sua única opção.
Ao entrar no banheiro deu de cara com a professora, de cabelos soltos preste a fazer um coque, ficou em dúvida se saia, ou permanecia, trocaram apenas olhares, até que Débora quebrou o gelo.
-Não vai pra quadra? - perguntou.
-Por que a pergunta? se eu chegar atrasada também terei que assinar alguma coisa?! - ironizou.
Débora terminou de fazer o coque e se virou contra Carol.
-Eu só fiz o que tinha que ser feito, se não se lembra, ainda sou sua professora.
-Eu só assinei duas vezes aquele caderno idiota.
-Meu caderno não é idiota-falou- E foram Três-finalizou.
-Duas.
-Três.
-Duas - disse Caroline, indo em sua direção.
-O que você quer?
-você - falou Débora fitando-a intensamente.
-Você é louca, sabia?
-A palavra certa é intensa, e nessa relação, estou totalmente entregue.
-Sabe qual o seu problema? - falou Caroline tão próxima,que podia sentir o hálito saindo da boca de Débora ao falar.
-Qual?
-Que você quer fazer as coisas sem pensar nas consequências.
-E isso é ruim?
-É, tudo tem consequências - falou Carol.
-E qual a graça de viver pensando nelas? aliás, de não viver por causa delas? -Questionou.
Caroline a segurou pela cintura, colocando Débora sentada na pia, beijou-a veemente, entrelaçou seus dedos entre seus cabelos, partindo da nuca, subindo até desmanchar o coque, puxou seu cabelo para trás, enquanto beijava seu pescoço, deu uma leve mordida nos lábios, deixando Débora totalmente sem ar.
-É isso que você gosta não é?!
Débora não respondeu, permanecia com os olhos fechados, suspirando o feito, não conseguia explicar o que Caroline fazia com ela, que deixava -a completamente enfraquecida.
-É, é isso que eu gosto.
-Acho bom você gostar de apanhar, porque você não sabe a raiva que estou sentindo de você.sussurrou ao pé do ouvido, que estremeceu ao escutar.
Débora, por sua vez, segurou-a pela cintura, fez questão de fazer o mesmo, sussurrar em seu ouvido.
-Depende, vou apanhar de você?-provocou mordiscando a orelha.
-óbvio - respondeu beijando seu ombro e passando as unhas em suas costas, subindo as carícias delicadamente para os lábios, no qual fez questão de acariciar sem ousar beijar.
-Vamos viajar comigo amanhã?-falou Débora com a boca rente aos lábios de Carol.
Caroline desprendeu-se, aparentemente ficou surpresa com o convite.
-Não acha muito cedo para conhecer sua família? -perguntou.
-E quem disse que é pra conhecer minha família?
-Mas você não disse que ia viajar para ver seu pai? achei que...
-Achou errado mocinha, estou convidado só você, para ficarmos só nós duas, que tal? -disse animada.
-Só a gente? -indagou.
Débora confirmou com a cabeça aproximando-se de Caroline até conseguir beija-la novamente.
-Solta Débora, quanto... -falou Carol desprendendo-se, indo em direção a porta para ver se não havia ninguém por perto, preocupava-se com alguém pega-las ali.
-Quanto tesão, desejo, vontade de ...-completou Débora.
-É, tesão? -provocou Carol aproximando-se dela, vagarosamente envolvendo-a em seus braços, fez questão de continuar o que Débora não havia terminado de dizer.
-Vontade de ver gemendo aqui mesmo-sussurrou depois de mordiscar sua orelha.
Débora sem pestanejar, segurou firme na cintura de Carol, jogando-a contra a parede, fazendo questão de empurrar seus seios contra ela, suas mãos percorreram sua barriga por dentro da blusa, fazendo com que Caroline suspirasse ao sentir suas unhas arranhando-a.
-Chega- falou Carol desprendo-se de Débora.
-Quanto calor, acho que é culpa desse seu fogo-disse Caroline se abanando com as mãos.
-Culpa do meu signo -brincou Débora, que a observava, adorava aquele jeito centrado, preocupado, responsável que Carol tinha, deixava Débora ainda mais atiçada de proporciona-la loucuras que ninguém havia lhe apresentado antes, seria ótimo mostrá-la e era isso que Débora queria e iria fazer.
-O que foi? - perguntou Caroline ao perceber que estava sendo observada.
-Nada-sorriu- Só estava pensando que eu não aceito não como resposta.-disse abraçando-a por trás.
-Você sabe, tem meu pai...
-Está vendo isso?-falou Débora sorridente, apontando para o espelho.
-O que? eu descabelada e você com essa cara de segundas intenções?! -brincou Carol.
-Não sua boba, não acredito que não vê o que eu vejo - disse fazendo-se de brava.
-Fala logo.-respondeu curiosa.
-A futura mãe dos meus filhos - finalizou beijando seu pescoço. Carol por sua vez soltou um sorriso acompanhado de uma gargalhada gostosa.
-Não acredita é? - questionou Débora.
-Bom, eu duvido muito.
-Quer apostar é? -propôs.
-Quero, vamos apostar o que?
-A vida, se você tivermos um filho juntas, você terá que ficar comigo pra sempre-falou abraçando-a.
Caroline riu, mas fez questão de retribuir o abraço.
-Te amo! -disse.
-Também  te amo - sussurrou Débora.
-Agora, chega de melação, e vamos. -falou Carol puxando-a pelo braço.
-Ah, gosto tanto de uma melação - respondeu fazendo bico.
Caroline não deu o trabalho de responder, apesar de ter achado um charme sua resposta, apenas continuou  puxando-a pelo braço.
-Espera- exclamou voltando para o banheiro.
-O que foi? perguntou Carol indo logo atrás.
-Meu cabelo, não acredito que ia me deixar sair assim, vim fazer um coque e saio pior do que entrei.
-Ninguém mandou não fazer o que não deve professora- provocou Carol,deixando Débora terminar de se arrumar, seguiu para a quadra sozinha, era até melhor, não podiam e muito menos deveriam ficar circulando juntas, chegar sozinha evitaria qualquer comentário desnecessário por parte de quem elas temiam.
O início da interclasse era marcado pela apresentação de grupos de danças, cantores amadores, alunos ou professores piadistas, tocadores de instrumento, encenação de peças teatrais, na maioria das vezes comédia, para Caroline foi surpreendente assistir aquelas atividades, na sua antiga escola não havia nada disso, apesar do clima festivo que todos estavam pôde notar que as garotas de mais cedo não pararam de observa-la, tentou esconder-se na multidão, mas fora impossível, ora era observada por Hugo ou Katia, ora pelas garotas.
-E aí? curtindo as apresentações?
-Você tá doida? - falou sussurrando.
-O que? - brincou Débora, rindo da cara que Carol fez.
Caroline revirou os olhos, se negou a responder Débora, deixando-a falando sozinha, seguiu para a bancada e ali permaneceu até as apresentações terminarem.
-E agora, a banda SEM VERGONHA - exclamou o professor no microfone,acompanhado por barulhos, aplausos e gritos.
Caroline levantou-se para ver quem integrava essa banda de nome tão exótico, ficou surpresa ao ver Jonathan como baterista, apesar de vê-lo tocando algumas vezes, não imaginava que ele fazia parte de uma banda, era um som pop no qual os visuais lembravam a década de 80, mas com um toque de modernidade com uma pintada de sensualidade, logo, é justificável os gritos e aplausos virem principalmente por parte das meninas, concluiu Carol.
-Olha aqui o que eu tenho pra você - falou Francisco entregando uma chave.
-Não acredito-falou Débora surpresa.
-Então acredite, aí está.
-Você é ...
-Demais? eu sei - respondeu convencido.
-Vou ficar te devendo essa.
-Me coloca pra dá minhas aulas segunda feira que estaremos quites.
-Sim senhor - brincou Débora.
-Dois dias?
-Sim, dois dias...-respondeu.
-Não vai me contar mesmo quem é a sortuda?
-Não, não vou...
-Débora, Débora, espero que não seja nenhuma dessas que você pega na balada.
-Fala baixo-advertiu - Claro que não, é alguém especial - falou sorrindo.
-Minha amiga pegadora está apaixonada? não acredito- Brincou.
-Grita, vai Francisco, nunca vi homem com a língua maior que a tua, acredita?!
-Pra você ver meu amor, se em outra vida eu tivesse nascido hétero, pegava mais que você- brincou, logo após, os dois caíram na gargalhada.
Jonathan ao ver Caroline, fez questão de ir cumprimenta-la, levando consigo sua namorada que não deixava-o sozinho nem para ir ao banheiro.
-Como vai a princesa mais linda desse mundo?! - disse abraçando-a
Caroline por sua vez não apertou-o como costumava fazer, apenas retribuiu o abraço.
-Não me disse que tocava em uma banda -comentou.
-É coisa nova, faz pouco tempo, sabe como é...Já apresentei vocês não é? -falou entreolhando-as.
-Já sim meu amor, Oi Caroline, tudo bem? - cumprimentou Natali.
-Bem sim, obrigada, mas e aí? como vai a faculdade?
-Estou pensando em trocar de curso Carol.
-Não acredito, sério?
-Sério, Direito não é pra mim..
-Desculpa te falar agora, mas sempre soube que não era, você é da arte, aceita - brincou dando um leve soco em seu braço.
-Eu não acho -disparou Natali- Meu amor, você tem que pensar no futuro, vamos combinar que tocar em banda não dá futuro para ninguém -desdenhou.
Caroline não conseguia compreender como alguém tão legal como Jonathan poderia namorar uma menina tão metida, antipática, nariz em pé como Natali.
-Amiga!- Gritaram duas meninas ao vê-la.
Caroline mal conseguiu acreditar, as mesmas garotas que a ameaçaram mais cedo eram amigas da namorada de Jonathan, sentiu tanta raiva, que sua vontade era voar em cima daquela garota.

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3 comentários:

  1. Estou louca por esse conto... ♥♥♥♥♥ cada dia mais ansiosa pra continuar à ler.

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  2. Estou adorando comecei ontem e poxa que pena cadê o restante rs... ain como eu queria uma Debora .

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