25.12.16

Será que é amor? - Capítulo 45


Caroline acordou antes do horário, nada que a agradasse, pois não iria conseguir dormir novamente.
"Maravilha, uma hora antes" pensou. Não havia muito o que fazer, pensou em ler um livro, ou ir assistir tv, mas acabou ficando deitada na cama pensando na vida, e principalmente em Débora, as vezes sentia-se a pessoa mais segura e protegida ao seu lado, mas sabia também, que elas estavam tão vulneráveis, se algo de ruim acontecesse, Carol queria estar unida a ela,sempre apoiando, mas seria egoismo sem tamanho ela nem se quer pensar nos problemas que Débora poderia sofrer, que no caso seriam muito mais prejudiciais a ela, do que para a própria Caroline,  que não havia muito  o que perder, já Débora tinha, tinha muito, além do emprego, perderia a admiração dos alunos, o respeito dos pais dos alunos, dos colegas, as vezes por pensar assim Caroline, achava que estava no século errado, mas por mais que existisse pessoas que não veriam problema, infelizmente também existe os que veriam milhões dele, que no caso eram os que mais a apavorava,  isso a fez lembrar do episódio da época em que morava na sua antiga cidade, no qual ao fazer uma visita em uma casa de um casal extremamente religioso, que seu pai havia conhecido na igreja,  teve a pior impressão  que poderia ter de alguém fiel a suas crenças ou podemos dizer, fanático, eles não paravam de pronunciar o nome do senhor, sem contar nas ofensas que faziam as outras religiões, ou aqueles que nem mesmo tinha uma, diziam que quem não seguisse a religião que no caso eles praticavam tinham a passagem garantida para o inferno, eram contra toda as mudanças que viam atualmente, diziam ser libertinagem e ações do Diabo, mas o pior disso tudo, é que não conseguiam se enxergar, criticavam, julgavam as atitudes dos outros que consideravam erradas mas não olhavam para si, e o mais horrível disso tudo, justificavam com a bíblia. logo depois da visita, Caroline prometeu a si mesma que nunca optaria por ter uma religião, aos seus olhos o fanatismo, a religião por si só, existiam apenas para manipular pessoas, e valores construídos ao longo da vida, quer dizer, para que serve uma religião além de passar regras de como você deve ou não viver.
POW POW POW
-ACORDA, TÔ COM FOME, VAI FAZER O CAFÉ.-gritou seu pai.
"Se é que existe vidas passadas, o que eu fiz para merecer essa" resmungou, se levantando da cama,
antes fazer o que o pai berrava do que se recusar, por mais que odiasse aquilo tudo, sabia que tinha que fazer, tudo dependia dela, se ela não fizesse, ninguém iria fazer.
-Se acha que eu não vi aquela professorinha ontem com você, está muito enganada, posso ser bêbado, mas burro não sou.
Carol respirou fundo ao ouvi-lo, se controlou para não jogar a panela de café quente em sua cabeça, claro que não iria fazer isso, mas vontade não lhe faltava.
-Ta, e qual o problema?
-Não criei filha pra ser sapatão. - falou ríspido.
Ao ouvir seu pai, Caroline sentiu sua mão gelar e o coração acelerar, mal soube o que dizer, não conseguia entender como ele sabia, "como ela sabe? como?"
-E quem disse que sou? ou que ela é? - respondeu.
-Acha que o papai nasceu ontem? escuta aqui garota, acho bom você parar com essa palhaçada,
se não te darei uma surra da próxima vez que te ver saindo do carro dela, pra você nunca mais esquecer quem é que manda nessa casa,  entendeu?
Caroline sentiu a raiva percorrer pelo seu corpo, quem ele pensava que era para dizer algo assim?!
-Escuta aqui o senhor, eu já aturei muito de você, mas essa eu não aturo mesmo, se você se atrever a por a mão em mim de novo, eu juro que te denuncio, por tudo que já fez -disse enfurecida.
-Se eu não posso fazer com você, faço com ela-falou debochando.
-Faz, faz alguma coisa que prejudique a Débora, eu prometo que da cadeia você não sai.
-eu? na cadeia - disse rindo - Essa é boa, vai viver com quem, com o que, aonde, debaixo da ponte?
-Pode ter certeza que se fizer isso, prefiro morar na rua do que não fazer nada contra você.-finalizou indo para o quarto.
Débora não precisou de despertador para cair da cama, pois nada mais, nada menos para acordar alguém do que o som de choro de criança.
-Que merda- gritou levantando-se.
"Que saco" , resmungava enquanto ia para a cozinha " não é possível que ninguém vai tomar alguma providência" ao olhar no relógio eram cinco da manhã.
-Haja paciência - disse alterada.
-Alô?
-Alô, dona Débora, bom dia, precisando de alguma coisa? - falou o porteiro com voz de quem havia acabado de acordar.
-Bom dia, estou sim, estou precisando que fale para o sindico, dar um jeito nesses novos vizinhos.
-Algum problema?
-Sim, óbvio que tem um problema, é criança que não para de chorar e cachorro que não para de latir, desde quando aqui pode ter cachorro?-disse nervosa.
-Desde que a esposa do seu Sidney ganhou um cachorro - falou risonho, deixando Débora ainda mais irritada.
-Eu quero que dê um jeito nesse barulho, não dá para dormir assim Caramba, ninguém merece, se ele não der um jeito nisso, avisa que minha taxa eu não irei pagar tão cedo, passar bem- disse desligando sem ao menos escutar a resposta.
Como não havia chances nenhuma de voltar a dormir, resolveu sentar-se no sofá e ligar a televisão, apenas jornal e notícias ruins sobre o quão ruim se encontrava a economia do país, nada que a fez relaxar, tratou logo de desligar a tv, só um banho para acalma-la.
Caroline saiu de casa sem se despedir do pai, para seu alivio não o encontrou, no caminho para a escola pensava o quanto sua vida estava ou era inconstante.
"Que bobeira, a vida de todo mundo é assim"-pensou.
BI BI BI
Ao ver quem era, foi inevitável não abrir o sorriso, era tão bom vê-la, seus olhos brilhavam a cada vez que a encontrava, principalmente quando era assim, pega de surpresa.
-Vim te buscar, entra..
-Você é louca?
Débora fez um bico, pensou por um instante e...
-Louca por você, agora entra vai...
Caroline ainda resistia, não podia aceitar a carona.
-E o que combinados? não podemos Débora - falava rindo, sentia aquilo tudo uma aventura, gostosa porém muito perigosa, e Débora não cansava de arriscar-se, Caroline achava aquilo tudo uma loucura sem tamanho.
-Como você pode arriscar tudo por isso?
- por isso o que?
-Eu, você ...-falou tímida.
-Nós, é isso Caroline, nós, eu arrisco tudo pra te amar, você é meu amor - falou cantarolando em alto e bom tom, deixando a menina ainda mais envergonhada, ao mesmo tempo totalmente encantada.
-Que foi, não gostou? - perguntou Débora.
-Claro que sim, você sabe que também é o meu amor.
-Fala de novo.
-Meu amor?
-Ainda está com dúvida?
-Claro que não, Meu amor, meu amor, meu amor - disse sorrindo.
-Entra vai, não temos o dia todo-pediu Débora.
-Não, não vou entrar, se você não tem juízo, eu tenho.
-Como assim? - riu Débora.
-É sério, não podemos dar mais pistas, você lembra do que o Maurício falou não é, ou está alcoolizada e já se esqueceu?
-Claro que não sua boba, só estou feliz.
-E qual o motivo dessa felicidade toda?
-Você, ah sendo assim não posso te falar a surpresa.
-Surpresa? o que é? - perguntou animada.
-Entra que eu te conto. - insistiu Débora.
-Não Débora, eu não vou ir com você pra escola, você sabe, faço isso por nós.
-Eu sei, mas não quero te deixar indo sozinha, é longe, e depois eu posso te deixar algumas ruas antes, ninguém vai ver.
-Eu já estou acostumada a ir andando, e depois não precisa vim aqui..
-Ok,-falou Débora colocando os óculos, se recusou deixar Caroline terminar o que estava dizendo, apenas deu uma arrancada deixando-a sem entender o porquê daquilo tudo.
"É, mulheres são loucas mesmo" pensou Carol,  que continuou seguindo a caminho do colégio.
Ao chegar na escola, Caroline apressou-se para subir, já havia passado dez minutos desde o início da aula, não queria assinar novamente aquele caderninho que a professora insistia em ter.
-Com licença.- falou batendo na porta, interrompendo Débora que estava passando tarefa na lousa.
-Pode ficar ai mesmo. -respondeu.
-Como assim? - questionou Caroline, sem entender.
-Você já tem assinaturas o suficiente para não assistir minhas aulas, então não vai assistir- disse irônica.
-Mas eu só assinei duas vezes.
-Foram três - contestou.
-Foram duas .
-Foram três.
-Foram duas.
-Foram três
-Foram duas.
-Foram três.
Ao perceber o quão ridícula estava aquela situação, e todos os alunos adorando aquele bate-volta inútil, Caroline se deu por vencida.
-Tudo bem - falou, fechando a porta, em seguida desceu e foi para a biblioteca, ficou um pouco enfurecida com a atitude de Débora, as vezes estranhava como aquela mulher poderia ser tão infantil quanto seus colegas de classe, atitudes como aquela, Caroline não esperava ver, principalmente de alguém como Débora, que parecia ser sempre tão madura.
Carol tentou se distrair em busca de algum livro interessante para ler, mas não encontrou nada que a agradasse, folheou um, folheou outro mas nenhum que chamou sua atenção, não conseguia tirar Débora da cabeça, quer dizer, não conseguia tirar suas últimas atitudes da cabeça. "Será que isso é normal, toda mulher é louca?" Questionava enquanto ria dos próprios pensamentos, quando finalmente o sinal tocou.
-Aleluia -esbravejou.
Caroline, seguiu para a aula, ainda irritada com Débora, que ao passar por ela, fez questão de nem mesmo olha-la.
Para sua tranquilidade, chegou antes que o professor, pois havia decidido que não passaria a ser mais aquele tipo de aluna ruim,até porque ela não era.
-Professor, professor, é hoje a abertura?
-Em professor?
-fala
-Que horas vai ser? - Perguntavam os alunos afobados, ao mesmo tempo, mal deixaram o professor entender as perguntas.
-Calma pessoal -disse firme.
-Hoje irá ter a apresentação para iniciar os jogos, será no período da tarde, vocês irão para a quadra e depois serão dispensado.
-Aeeeeh - comemorou os alunos, mais eufóricos que nunca.
As aulas se passaram rapidamente, todos estavam animados para o inicio dos jogos, os alunos adoravam interclasse, tanto que não deixaram de conversar nem por um minuto, fazendo com que os sucessivos professores chamassem atenção da sala a todo momento.
-Ainda bem que tocou o sino, pensei que isso não ia acabar - falou a professora de artes entrando na sala dos professores.
-Pra quê esse stress todo professora? relaxa! - brincou o colega.
-Você viu aqueles meninos, ficam doidos com essa interclasse.
-É bacana, eles ficam tão animados - comentou a professora de história.
-Até a professora Débora vai jogar - falou Maurício.
-É mesmo? - comentaram, todos virando-se para ela, que estava completamente distraída.
-Desculpem, falaram comigo? - perguntou ao perceber que todos a olhava.
-Estávamos falando que você vai jogar também.
-Ah sim, os alunos me convidaram...não tive como recusar - respondeu descontraída.
 -E vai jogar o que? com um pé desse tamanho, de bola sei que você não gosta - provocou Kátia.

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