20.12.16

Será que é amor? - Capítulo 44


Caroline ao ver o pai gritando continuamente "mas o que é isso", saiu rapidamente do carro, Débora logo em seguida, ao vê-lo quase caindo na calçada, percebeu que ele não tinha visto ou percebido nada que estava acontecendo a alguns minutos atrás, para seu alívio,claro, que pôde suspirar amainada ao ver que seus gritos foram por causa do desenho que havia na calçada, desenho esse que fizeram a um bom tempo, mas o que poderia se esperar de um bêbado como ele,questionava  Caroline, que sentia repulsa toda vez que via o pai naquele estado, ao sentir o cheiro da bebida, tanto vindas das suas roupas como do seu hálito, deixava-a ainda mais enojada perguntando o porquê tinha que ter nascido naquela família, com um pai como aquele.
-É só um desenho, para de gritar - falou nervosa.
-Não acha melhor leva-lo para dentro ? - sugeriu Débora.
Caroline confirmou com o olhar.
-Vem, vamos- Disse esforçando-se para colocar seu braço, em seu ombro, ao entrarem pelo portão, Carol se virou contra Débora.
-Acho melhor você ir...-disse.
-Não quer que eu te ajude? ele não vai fazer..
-Não, não vai, estou acostumada, ele nesse estado mal consegue ficar em pé..-tentou convence-la.
-Vai Débora..eu vou ficar bem, vai..-pediu atenciosa,
-Até amanhã..- disse
-Até -sorriu Caroline.
Débora apenas sussurrou, disse algo inaudível, mas Caroline soube muito bem o que aqueles lábios haviam dito.
"Eu te amo " , isso fez com que ela apenas sorrisse, logo em seguida entrou para dentro de casa, enquanto Débora voltava feliz da vida, tão contente, que havia esquecido dos problemas que logo logo acabaria com toda aquela felicidade.
Ao dirigir a caminho de casa, ligou o som para tranquilizar-se um pouco, estava passando sua música, quer dizer, a música que ela e Caroline haviam escutado pela primeira e vez e definitivamente definia tudo. Débora sentia cada palavra daquela música, sentia cada sensação que ela transmitia, lembrava de tudo que já havia passado ao lado de Carol, em tão pouco tempo, tudo foi e continuava intenso, isso a fez retomar ao fato de que tudo aquilo estava em risco, que tudo poderia acabar em um passe de mágica, que tudo aquilo não passasse de um sonho, o seu lindo sonho.
-Não, não Débora - falou para si mesma, sabia que aqueles pensamentos não deveria assombra-la, estava disposta a fazer o que fosse preciso para não desistir de Caroline.
-Não vou desistir da gente-sussurrou, que mal percebeu o sinal que havia acabado de fechar, levando um susto que fez seu coração sair pela boca, por pouco não foi atingida por um carro que conseguiu desviar, mas sem deixar de buzinar e xinga-lá por ter furado o sinal.
Ao se recuperar do susto, seguiu para casa, dessa vez mais concentrada.
-Boa noite- cumprimentou, provavelmente os novos vizinhos, pensou Débora.
-Boa noite.-disse amigavelmente.
-Você mora aqui faz tempo?-perguntou a mulher.
-Sim, já faz algum tempo - sorriu.
-E problemas com vizinhos, já teve? - perguntou o homem, que aparentemente parecia ser o marido.
-Não, são vizinhos bem tranquilos, nada de cachorro, crianças, barulho, choro..vizinhos mais que perfeitos...- respondia animada, quando de repente foi interrompida por uma mulher que entrou no elevador, seguida de duas crianças pequenas, no qual o menino segurava um cachorro que não parava de latir.
-Desculpe, esses sãos nossos filhos - falou o homem, tentando ser simpático, afinal aquele prédio acabou de ganhar novos vizinhos e para Débora e provavelmente para os outros condôminos  era tudo o que menos queriam, vizinhos barulhentos.
-Imagina - falou sem graça, pelo que tinha dito antes.
-Oi-falou a menina.
-Oi linda, tudo bem?
-Sim.
Por mais linda que fosse aquela garotinha, Débora não sabia exatamente como lidar com crianças, sonhava em algum dia ter seus próprios filhos, mas sabia que tinha muito o que aprender, sempre ficava sem saber o que fazer quando via uma.
-Chegamos - falou o garotinho que saiu correndo do elevador.
-Qual seu nome? - perguntou o marido.
-Débora, prazer - disse estendendo a mão.
-Prazer Raul, essa é minha esposa Valentina.
-Espero que apesar dos barulhos, não nos odeie- brincou Valentina.
-Não, imagina, criança é assim mesmo, agora deixa eu ir, boa noite.-falou descontraída.
-Boa noite-responderam ao mesmo tempo.
Débora estava doida para tomar um banho, "que dia longo foi esse?!" pensou ao despir-se, quando já estava tirando o sutiã, foi abraçada por trás, ao ver quem era não conseguiu acreditar.
-Quer me matar de susto?! - gritou.
-Calma, estou apenas fazendo uma surpresinha, desculpa - disse Juliana.
Débora respirou fundo, não tinha como aquilo continuar do jeito que estava.
-Temos que conversar - disse séria.
-Não prefere fazer outra coisa? - disse levantando-se indo em direção a Débora, que evitou o contato.
-É sério!
-Eu sei que você está com vontade  -disse aproximando-se cada vez mais, fazendo com que Débora caminhasse até chegar na penteadeira, deixando Juliana prensa-la contra o móvel.
-Me diz que não quer vai, nem olhar pra mim você consegue, sabe que não resiste- dizia Juliana sussurrando ao pé do ouvido.
-Chega Juliana - disparou Débora, empurrando-a.
-Chega-gritava - Você não tem o direito de fazer isso, eu não quero que entre mais aqui, nunca mais, quero que me devolva a chave.
-Calma amor, não precisa fazer isso, ok, eu não entro mais assim, desculpa por ter te assustado.
-Que assustado Juliana?! estou falando disso que você faz, terminamos, eu não quero mais você aqui, não vamos mais pra cama, não vamos, entende, eu não quero, será que dá pra entender?!-disse aos gritos.
-tá bom - falou Juliana pegando suas coisas para ir embora.
Isso soava muito estranho ao olhar de Débora, que a conhecia o suficiente para saber que aquilo não passava de um blefe.
Débora segurou seu braço antes de deixa-la sair.
-Eu estou falando sério, não quero mais.
Juliana a encarou, por um segundo pensou em ignorar mas não conseguiu.
-Débora você acha que sou idiota né?! foi a Vivian não é?! ela que como sempre te envenena contra mim.
-Ah Juliana, para, não coloque no meio quem não tem nada haver com essa história, isso é entre eu e você, ok?
-Ok porra nenhuma, você sabe que ela me odeia, porque você deixa ela fazer isso com a gente?
Débora riu.
-Que a gente, o que?! não existe a gente, existe eu, somente eu e você, bem distante de mim, e depois se ela te odeia ou não, convenhamos que motivos ela tem de sobra, aliás, não só ela mas eu também, e eu te perdoei, não queira fazer a mesma coisa novamente, porque dessa vez.....-Débora foi interrompida por um beijo de Juliana.
-Tá louca? - gritou empurrando-a.
-Eu te amo Débora, não faz isso.
Débora foi até a cozinha, sua cabeça estava doendo, não sabia como acabar de vez com aquilo tudo, imaginava que não teria paz enquanto Juliana não entendesse que não havia mais chances, possibilidades e se tinha alguma coisa que não sabia, era faze-la entender isso.
-Posso dormir aqui?
-NÃO- gritou Débora, em seguida respirou fundo.
-Juliana, entende de uma vez por todas, eu amo a Caroline, é com ela que estou e com quem vou ficar.
-Eu não tenho ciúmes-sorriu maliciosa.-Imagina nós três? duvido que você não gostaria.
-Não tenho a mínima vontade, e ela não gosta disso.
-Ela não, sempre soube que aquela menina era sem sal, já você, ama não é?
-Eu amava, mas gostava de fazer com mulheres como você, nunca faria com alguém como a Caroline.
-Mulheres como eu? o que quer dizer com isso? - disse desentendida.
-Mulheres que eu nunca amei, mulheres que não passaram de mais uma em minha cama, mulheres que me satisfazem no sexo, mulheres que eu não me importo com quem transa ou deixa de transar, mulheres que eu não me importo em dividir - disse, tão fria quanto gelo.
Juliana ao mesmo tempo que ria desolada, deixava lágrimas escorrerem dos seus olhos.
-Já alguém como a Caroline, eu nunca dividiria, eu não tenho vontade nenhuma, e eu, você e ela? nunca, ela é minha, e ela quem eu amo, nunca foi você.-finalizou, caminhando em direção da porta, fez questão de abri-lá, convidando Juliana a retirar-se.
-Agora, por favor vai e não volta.
Juliana se recuperou do baque, Débora sabia machucar quando queria, e aquilo foi o suficiente para aguçar a raiva que Juliana sentia cada dia mais por Caroline, antes de sair , falou encarando-a.
-Você ainda vai sofrer muito por causa dessa garota, pelos menos mulher eu sou, já ela, não passa de uma pirralha, que ainda te dará muita dor de cabeça, quero ver esse amorzinho durar quando você cair em si, deixar de ser cega e ver que o mundo não é essa maravilha toda que você está achando que pode ser, e pode ter certeza que depois de tudo que me disse hoje, eu ainda vou está aqui, disposta a te dar o meu amor.
-Isso não é.....amor...-falou Débora serena.
-E o que sente por ela, Será que é amor?





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