15.12.16

Será que é amor? - Capítulo 43


Caroline só não ficou mais sobressaltada do que Débora, que mal conseguia respirar.
-Garçom um copo d'água por favor. - pediu Maurício.
-você está bem - perguntou Caroline a Débora, que percebeu sua mão gelar.
-O copo d'água senhora - falou o garçom entregando a Débora, que tomou tudo de uma vez, não conseguia acreditar no que havia acabado de escutar.
-Como eles tiveram coragem? - gritou Débora em meio ao restaurante, ao perceber os olhares se virarem contra ela, se acalmou abaixando o tom de voz.
-Eu sei, é um absurdo, mas você sabe que eles não vão com sua cara desde sempre, você é vista como alguém rude, pouco simpática pelos  outros professores, vivem reclamando dos horários e sabemos muito bem que não engoliram até hoje.
-Não interessa, isso não justifica, mal me conhecem e vem inventar fofocas envolvendo meu nome?!
-Calma meu Amor - disse Caroline, tentando conforta-la.
Débora se voltou contra ela, e soltou um  sorriso.
-O que foi? - perguntou Carol sem entender o porquê do sorriso.
-Nada - respondeu Débora, que no fundo havia feito aquilo por achar lindo Caroline chamando ela de meu amor, "Porque não posso ter um minuto de paz e felicidade?" pensou Débora
-E pra quem eles disseram isso? quando foi, que eu não vi e nem percebi?
-Foi na hora do almoço, não tinha muita gente na sala, apenas nós três e a moça da limpeza.
-Oh céus - exclamou Débora colocando as mãos entre os cabelos, sua cabeça começara a doer.
-E você acha que eles pretendem fazer algo? contar para a diretora ? - perguntou Caroline.
-Por mais que tenham certeza, não há provas, além do mais nunca viram nada de fato, apenas "indícios" e isso não prova nada, não teria porquê contar a alguém.
-Não teria porquê mesmo, assédio? eu? nunca - falou Débora com a voz embargada, prestes a chorar.
-Não, não fica assim, lógico que você não fez nada, ninguém fez nada de mal a ninguém, CARAMBA, que raiva, como podem? querer se intrometerem na vida de alguém a esse ponto?! -disse Caroline.
-É o que eu acho, por isso estou aqui, contando pra vocês, Débora, sabe que eu te devo uma, então não fiz nada mais que minha obrigação.
-Desculpa Maurício, por desconfiar mas você sabe...isso ainda gera tanto preconceito além do mais tem toda essa questão.
-Eu entendo, bom eu tenho que ir, prometi levar minhas filhas ao cinema.
-Manda um beijo pra elas- pediu Débora.
-Pode deixar, elas te adoram.
Maurício Despediu-se, Débora e Caroline sentiam -se mais confortáveis para conversarem, sem sua presença, por mais que ele não tivesse demonstrado risco algum, estavam ansiosas por ficarem assim, sozinhas em clima de romance, o que infelizmente não foi possível depois da bomba atirada contra as duas, atingindo diretamente Débora.
-E agora?
-E agora, eu acho que você deve enxugar essas lágrimas, você não combina nem um pouco chorando.-falou Carol entregando um lenço.
-Sua boba. - disse sorrindo.
-Mas falando sério, eu acho que teremos que ser mais discretas, do tipo jamais fazer o que fizemos hoje.
Débora riu, só de lembrar , realmente aquilo foi uma loucura, zero discrição.
-E como vamos fazer a partir de agora? - falou pegando em suas mãos.
-Para início de conversa, para de ficar me olhando assim, que se não, vou ter que te beijar.
-E porque não beija?
-Porque estamos em um restaurante, muitas pessoas? muita gente? muitos seres humanos?!- disse Caroline brincando ironicamente.
-E? ...Não estou vendo ninguém que a gente conheça aqui, só um beijinho vai...
Caroline observou e como não havia ninguém reparando nas duas, submeteu-se ao pedido.
-Linda - disse Débora.
Carol sorriu timidamente, ficou sem saber o que dizer ou responder, fazendo Débora achar aquilo tudo uma fofura sem igual, como era bom aquilo, como era bom estar com Caroline, como era tudo tão incrível ao seu lado.
-O que está pensando? - perguntou Carol.
-Como a semana está quase acabando, que tal viajarmos? - falou animada, fazendo com que Caroline quase engasgasse com a água que tentava beber.
-Pirou? - retrucou Caroline alarmada.
-Pirei, pirei, estou completamente pirada- disse mais animada ainda.
-Será que dá pra falar mais baixo por favor? - disse Caroline sussurrando envergonhada por estarem se tornando o centro das atenções.
-Desculpa -falou rindo da cara que Carol havia feito.
-É sério, vamos? eu tenho que ir ver meu pai, porque não vem comigo?
-você sabe, meu pai.. por mais que se eu quiser ir, eu iria mas ele..
-Deixa que eu mesma converso com ele.
-Você?
-Sim, eu sei que ele não gosta de mim mas..
Carol a interrompeu
-Como assim, ele não gosta de você?
-É uma longa história..
Carol insistiu para saber que longa história seria essa, então Débora a contou sobre o que seu pai tinha dito a ela, deixando-a ainda mais preocupada e com raiva, não queria prejudicar Débora, sabia que aquele romance não poderia se tornar público, por mais que se amassem , querendo ou não, ela era sua professora, além da diferença de idade, ainda eram lésbicas , "Quem iria compreender?" para Caroline, a resposta seria Ninguém, ninguém iria entende-las , todos iriam julga-las, apesar dos avanços, no qual homofobia é crime, não extingue o preconceito, as ofensas, quem dirá os comentários, odiava pensar na possibilidade de ser julgada por qualquer pessoa que fosse, afinal quem eram eles para julgar alguém, quem somos nós para julgar alguém?! apenas um bando de hipócritas apontando o dedo na cara do outro?!
-Está tão pensativa, o que foi?
-Nada, estava pensando como seria se todos soubessem...
-soubessem, oque?
-Sobre nós.
-Já pensou como seria? - perguntou Carol curiosa, fazendo com que Débora não respondesse de imediato,fazendo-a pensar realmente como seria se todos soubessem.
-Acho que se você estiver ao meu lado, sou capaz de enfrentar tudo.
Caroline apenas sorriu, sentiu-se segura com a resposta de Débora, sabia que independente do que acontecesse, ela a amava, e estava decidida a esquecer o que havia acontecido entre ela e Juliana, prometendo a si mesma, que se isso acontecesse novamente, jamais a perdoaria.
-Porque Maurício disse que te devia uma? não entendi quando ele falou, parecendo que...sei lá, você já ajudou ele ?
-É que, um dia o encontrei em uma balada, e acredite se quiser, era balada lgbt.
-Como assim? - perguntou Caroline espantada.
-É....meu amor, ele é gay.
-Não brinca, sério?
-Seríssimo, lembro que ao me ver, ficou mais branco do que já é.
-Caramba, ele parecia tão..tão "macho".
-Pra você ver..
-Mas ele não é casado?
-Exatamente, casado a mais de dez anos, frequentador assíduo das missas, defensor da família tradicional, lindas filhas, uma bela família perfeita - disse Débora rindo.
-Por essa eu não esperava, até pensei que ele estivesse dando em cima de você.
-Não se preocupe, não gosto de cuecas.
-Sei - falou Carol fazendo bico.
-Chegamos -disse, estacionando em frente a casa de Caroline.
-Então,acho que é isso, até amanhã- despediu-se abrindo a porta.
-Ei, nem um beijinho? - questionou docilmente.
-E a discrição? onde fica? nem deveria ter me trazido em casa.
Débora por um momento sentiu-se que estava indo longe demais, mas não sabia o porquê, as vezes sentia que perdia tanto o controle quanto sua razão, agia por impulso, sem pensar nas consequências, quando estava com Carol, não existia mundo, só existia ela e Caroline, ninguém mais.
Caroline a beijou de surpresa, mas dessa vez Débora não se deu por vencida, ao invés de ser beijada foi ela quem beijou, segurou com firmeza a cintura da menina, enquanto sua mão firmava em sua nuca, a outra percorria sua cintura até chegar em seus seios, deram um digno beijo desentupidor de pia, mordidas nos lábios, beijo sedento,  as duas sentiam o mesmo, desejo a flor da pele, percorrendo e esquentando cada vez mais, que se não parassem por ali mesmo, seria impossível resistir..
-MAS OQUE É ISSO?-gritou o pai de Caroline.

Capítulo anterior                      Capítulo seguinte




6 comentários:

  1. Torna-se mais fácil enfrentarem tudo juntas,porém esse pai de Caroline,ninguém merece.

    ResponderExcluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  3. 😮 e agora que elas devem tirar forças de onde não tem.

    ResponderExcluir
  4. Espero que a Débora acorde e não erre novamente com Caroline que esta arriscando tudo por ela... quero maaaaais!!!!

    ResponderExcluir
  5. Merecemos 2 capítulos!!!! Chegamos a marca de 1000

    ResponderExcluir