29.11.16

Será que é amor? - Capítulo 38


Ainda abraçadas, Caroline não conseguiu responder de imediato sua pergunta, Débora apenas acariciava seus cabelos, adorava mexer entre um fio e outro, ao notar que Carol havia se acalmado,  retirou seu rosto cuidadosamente do seu ombro, queria poder olha-la frente a frente, seus olhos estavam vermelhos  e um tanto quanto inchados, Débora limpou seu rosto com delicadeza, ao sentir o seu toque, Caroline apenas fechou os olhos, lembrou como tudo era tão mágico quando estavam juntas, como cada toque era....
-Para- falou serena.
-O que você quer Débora? porque faz isso?- disse alterando o tom de voz
-Porque eu te amo- falou aproximando-se, enquanto Carol recuava.
-Me ama? - riu irônica - me ama? e transa com ela? então quer dizer, que eu te amo mas tudo bem eu transar com outra não é? qual o problema?! afinal amor é amor, sexo é sexo né Débora, não sei como acreditei em você, olha como você é..
-Caroline, Caroline me escuta, eu sei..
-NÃO VOCÊ NÃO SABE, você não sabe como dói..como dói saber que você foi pra cama com ela.. as vezes acho que não te conheço..que
-Claro que eu sei, eu já fui....
-TRAÍDA?- gritou - É isso que você ia dizer Débora? por que foi isso que você fez, me traiu.
-Caroline, por favor - tentava explicar-se.
-Para Débora, me solta - pedia Carol evitando contato visual, não queria olhar para Débora, apesar da imensa raiva que sentia ao lembrar o que ela havia feito, olhar em seus olhos era como se não existisse mundo, não existisse problemas, olhar em seus olhos era perdoa-la, e isso era sinônimo de beija-la com todas as forças, era fazer o que seu coração tolo mandava.
-Eu sei que eu errei, eu sei disso, eu me arrependo..e..
-Porque me contou? - perguntou seca, desvencilhando-se.
-Porque..- engoliu em seco - porque eu achei que ..
-Que ela iria me contar né? quis logo falar antes, não foi?
-Não, não foi isso Caroline.
-Não?
-Talvez um pouco, mas eu te contei porque eu não queria mentir pra você, eu queria que confiasse e acreditasse em mim, assim como quero que acredite que eu te am..
Caroline ria, olhava para cima com intenção de segurar as lágrimas, que estavam quase inevitáveis de segurar.
-E tem mais alguma coisa que eu não sei?- Perguntou Carol fitando-a
Débora pensou por algum instantes, respirou fundo e disse o que Caroline deveria saber faz tempo.
-No dia que você estava no hospital ..-Falava entre pausas, doía contar isso a Carol mas Débora sabia que tinha de fazer.
-A Juliana estava aqui e ela me beijou - terminou sentindo seu coração sair pela boca.
-Ela te beijou e você aceitou o beijo ?
-Caroline não precisamos..
-Você quis - falou firme.
-Não faça isso com a gente- retomou Débora.
-NÃO FAZ ISSO COM A GENTE? você beija aquela, aquela QUE ÓDIO DÉBORA, como você tem coragem? como você tem coragem de dizer que me ama?
-Caroline não, por favor, quando eu falo que te amo é verdade, acredita em mim - falava chorando..
Carol tornou a encara-la, limpou as lágrimas e continuou.
-Que mais?
-Que mais o que?
-Me fala tudo o que eu tenho que saber.
-Aquele dia que você foi embora, eu fui tomar banho, eu estava pensando na gente, em você e comecei a me tocar e dai quando vi ela estava ali...comigo, não sei como ela entrou, eu não quis.. não foi importante, não foi como é com a gente.. não ..
Caroline começou a rir, rir de raiva, seu sorriso juntamente com suas frases nunca soaram tão irônico.
-Pensando em mim? na gente? - ria enquanto passava a mão entre os cabelos, sentou-se no sofá, sentia uma horrível dor de cabeça.
-Sim, estava..pensando na gente...mas ela chegou..e ...eu..
Carol levantou a cabeça encarando-a.
-Ai você resolveu  suprir sua NECESSIDADE, SEU DESEJO e então aresolveu dá pra ela, é isso?
-Não fala assim Caroline...
-Aliás, dá não, você gosta de comer não é?! A COMEDORA, A PEGADORA, A...a - Caroline não disse o que pensou em dizer, apenas tornou a baixar a cabeça, não queria dizer besteiras, não queria machucar Débora .
-ela me beijou, logo fomos para cama e ela começou a..
-Poupe-me dos detalhes - disse seca.
-Desculpe, quando você ligou ela estava aqui e eu tinha tirado algumas fotos no meu celular, depois vi que ela própria mandou  mensagens para si com as fotos que tirei mais cedo...até escreveu uma conversa e...foi isso - falou temerosa, esperava alguma reação de Caroline que por sua vez não disse nada.
As duas permaneciam em silêncio, Débora com medo do que poderia escutar mas sabendo que merecia cada xingamento que Caroline tinha a dizer.
-Lindas fotos, você é boa - falou com seriedade.
-Como assim?
-A Denise, estava com elas.
Débora não entendeu, o que suas fotos poderiam estar fazendo com aquela garota? quer dizer, só Juliana tinha visto.
-Ela e a Juliana são primas, não sabia?
-Primas ? ! - disse incrédula.
-Não acredito que ela fez isso- exclamou Débora.
-Pra você ver, a decepção vem de quem a gente menos espera.
Débora sentia o rancor em sua voz, doía saber que tudo aquilo foi sua culpa, não queria desistir, não ia desistir, se aproximou de Caroline, ajoelhando-se a sua frente, ao por suas mãos em seus joelhos aproximou-se ainda mais do rosto da menina, que levantou-o, fitando olhos nos olhos, nenhuma palavra foi dita, apenas gestos foram feitos, Débora aproximava seus lábios ao de Carol, que fechou os olhos sem dizer nada, apenas sentia, cada toque, cada sensação que a fazia sentir em outro mundo.Débora acariciava seu rosto, ao encontrar seus lábios novamente sentia sua respiração ofegante, ela pôde ter certeza "ela ainda me ama " , Débora a beijou, pelo menos tentou mas não houve reação por parte de Caroline, deixando-a esmorecida.
-Desculpa.
-eu não consigo- disse Caroline.
Débora sabia que não podia cobrar mais de Caroline, não podia cobrar nada dela, mas sabia que desistir ela não iria. não mesmo.
-Tudo bem, eu só quero que saiba que a gente não termina aqui, você é minha Caroline.
Carol soltou um sorriso de canto de boca, seu olhar permanecia parado olhando para o nada mas logo foi de encontro ao olhar de Débora.
-Eu sempre fui sua, já você...
nunca foi minha.

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