10.11.16

Será que é amor? - Capítulo 33



Caroline permaneceu calada, tentava digerir o que tinha acabado de escutar, era inacreditável ser verdade.
-Ficaram, quer dizer beijo, você a beijou, foi isso?
Débora demorou a responder, apenas se lamentava e Carol já podia imaginar que a resposta seria não.
-Se outra pessoa me contasse eu não acreditaria. - disse enquanto enxugava as lágrimas que desciam instintivamente.
-Você está bem?- perguntou Débora acanhada.
-Bem? - replicou Carol, seus olhos olharam Débora como nunca haviam feito antes, era uma mistura de decepção e raiva, aliás era o que ela estava sentido, raiva!
Raiva de ter acreditado em Débora, raiva por ter confiado, raiva por ser tão idiota, imediatamente destravou a porta do carro, queria sair logo dali o quanto antes , seus pés caminharam o mais rápido que podiam de volta para casa mas foram interrompidos com um puxão no braço.
-Me escuta, por favor - Pediu chorando e ao mesmo tempo demonstrando firmeza nas palavras.
-Me solta- respondeu Caroline tentando se desvencilhar.
-Não, você tem que me escutar..
-Te escutar? - aumentou o tom de voz
-Escutar o que? você transou com aquela..aquela...-Caroline respirou fundo, não queria falar antes de pensar. - Não tem nada o que....
Débora em uma ação rápida e impulsiva, a agarra, beijando-a mesmo contra sua vontade, que tentava empurra-la, porém comparando as forças físicas, Débora era capaz de segura-la com muito mais agilidade do que ela para se soltar, porém com a fúria que sentia, contribuiu para se desprender de Débora, ao conseguir o feito, Carol deu um tapa em seu rosto que não se atreve a virar, ríspida Caroline finaliza.
-Nunca mais me beija a força.
Carol voltou para casa, dessa vez Débora não ousou em ir atrás, apenas se sentou ali na calçada e ao passar as mãos em seu rosto sentiu um pouco de sangue entre seus dedos, misturando-se entre as lágrimas, ao se recuperar voltou ao carrou e pôde ver no retrovisor um arranhão em seu rosto, estava tão infeliz com o que acabara de acontecer que se debruçou no volante, não conseguiu segurar o choro e desespero, mal conseguia raciocinar quem dirá dirigir.
-Ué, não ia sair com sua amiguinha?- disse provocando a filha- Caroline não o respondeu, indo direto para o quarto, era um fardo ter de suportar aquele homem hipócrita, debochador e alcoolizado no sofá, que fazia questão de importuna-lá.
Como sempre, bateu a porta com estupidez, queria extravasar sua raiva, nem que seja na porta, mas caiu ali  mesmo, imaginava que sofrer por amor era dolorido mas não como aquilo que ela estava sentido, era uma dor insuportável, incapaz de descrever.
Ao chegar em casa, Débora só queria dormir, estava com a cabeça explodindo, olhos vermelhos e deveria acordar cedo para trabalhar, entretanto no estado em que se encontrava, tinha quase certeza que não iria, fazia tempo que não aparecia com os olhos inchados no trabalho, fazia tempo que não sofria, fazia tempo que não soluçava de tanto chorar, fazia tempo...
Caroline foi acordada com batidas e aos berros...
-Vai pra escola não garota?
-Não irei hoje.
-Vai sim, levanta, só estuda e ainda não quer ir? ta achando que sou palhaço? LEVANTA!
-JÁ VOU! - exclamou Caroline, fumegando de raiva.
Não tirou a cara amarrada nem um só segundo, se tinha uma coisa que não estava, era se sentido bem.
Ao olhar no espelho era notável o inchaço, apesar do mal humor por ter sido acordada e obrigada pelo pai a ir para escola, estava longe de ser esse o motivo da sua infelicidade, não sabia como iria reagir ao ver Débora, desde a noite passada não havia pensado no que Débora fez, no que ela mesmo fez "Eu não deveria ter feito...." , Caroline estava sentindo-se injusta por ter dado um tapa em sua cara,mas ao mesmo tempo idiota, afinal, aquele tapa não doeu mais do que sua traição mas mesmo assim era inevitável não sentir-se culpada, estava imensamente arrependida por isso, queria se desculpar mas o que menos queria agora era contato, não aguentaria conversar com Débora sem se debulhar em lágrimas.
Caroline chegou cedo a escola, deu tempo de colocar seu material dentro da sala de aula e voltar para o pátio onde ficou sentada em meios aos próprios pensamentos, estava receosa, pois a primeira aula seria de matemática, não sabia se Débora apareceria, mesmo que ela não fosse, Carol gostaria de vê-la, engoliria o orgulho e pediria desculpas pelo tapa "que vergonha" pensou consigo mesma, quando percebe sua chegada, cabisbaixa , desanimada e usando óculos escuros, foi o que pôde observar quando a viu, Caroline achou melhor se dirigir a ela no final das aulas, quando não teria tantas pessoas as cercando.
-Oi!
-Oi Denise -Respondeu Carol olhando-a, mal dando para ver seu rosto visto que ela parou a sua frente e de costas para o sol.
-O que faz ai? - perguntou curiosa como sempre.
-Cheguei mais cedo, estava aqui refletindo..
-E refletindo sobre o que? - "Não é possível, agora até meus pensamentos essa garota quer saber"
-Sobre minhas notas que estão péssimas, não posso reprovar - sorri amigavelmente.
-Se estudasse comigo, não correria esse risco.
-Talvez
-Vamos?-  convidou Caroline para subir.
-Claro, mas antes preciso ir ao banheiro.
-AH, eu vou com você
Como Caroline se irritava com aquilo, aquela insistência de ficar tão grudada por parte de Denise, se soubesse que a garota era assim, não teria nem mesmo feito questão de puxar assunto dias antes.
Ao saírem do banheiro deram de cara com as entojadinhas do colégio, as duas fuzilaram Caroline apenas com o olhar, ela não entendia, nunca fez nada para as tais garotas.
-Elas te odeiam! - constatou Denise.
-Não sei porquê, nunca ao menos conversei com elas, será que são loucas?
-A cara já tem.
As duas riram, por não ser tão inverídico a afirmação, quando escutam o sinal tocar.
-Cara, que insuportável esse sinal- reclamou Caroline.
Denise apenas sorriu, achava um barulho normal e pelo que pôde notar era Carol que tinha acordado azeda. As duas seguiam para sala, quando Débora saiu da sala dos professores, dessa vez sem óculos, olhou para as meninas evitando o olhar de Carol.
-Bom dia - ela as cumprimentou.
-Bom dia- responderam as duas juntas.
que continuaram a caminhar para sala seguida por Débora, ao chegar, não brigou ou chamou atenção de ninguém, apenas entrou e colocou seus materiais na mesa, por sua vez ..os alunos espantaram-se, afinal a professora não havia soltado aquela bela bronca que no fundo eles adoravam, pois não era uma bronca de verdade mas sim uma maneira divertida de ver a professora se irritar, todos entraram na sala, estranhando seu comportamento, claro.
-Vai ter prova surpresa hoje fessora? está tão calada. -Gritou um aluno, que foi seguido por outro.
-Não vê que ela tá triste! - afirmou um mais desinibido.
-Morreu alguém professora?
Débora ficou feliz pela preocupação que demonstraram, e tratou de esclarecer.
-Pessoal, não se preocupem, não morreu ninguém, só acordei um pouco desanimada.
-E esse arranhão no meio da cara fessora?
-Brigou com o marido? - sugeriu um aluno.
-Que engraçado você Paulo, já pode fazer stand up, Agora tragam os cadernos para o visto, lembrando que a prova está chegando, não quero aluno meu tirando zero - brincou ela.
Débora não respondeu a pergunta sobre o arranhão, mas Caroline sabia que foi ela quem fez, estava de anel e provavelmente ele deve ter a arranhado, "Que droga' não conseguiu se concentrar , não iria conseguir até poder pedir desculpas e explicar que não queria ter feito aquilo.
-Caroline, não fez a tarefa? - perguntou a professora.
Por um instante, todos a olhou, deixando-a envergonhada.
-Fiz..- respondeu ela, levantando-se para levar o caderno.
Débora vistou as tarefas, anotou a nota sem dizer uma palavra ou demonstrar qualquer sinal, Caroline não queria aquilo.
-Quero falar com você mais tarde..-falou gentilmente, notou que havia mais ouvidos atento que o da professora, tratou logo de argumentar para que não pensasse o que não deveriam.
-Sobre a prova- disse em tom mais alto.
-Claro.- concordou Débora.
-Posso passar na sua casa?-Falou praticamente sussurrando.

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5 comentários:

  1. Amando cada vez mais esses capítulos, vc arrasa Bler

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  2. Adorei... E voltamos a angústia da espera p o próximo capítulo...

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  3. Adorei... E voltamos a angústia da espera p o próximo capítulo...

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  4. Mto ansiosa, amo essas duas...rs

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  5. Nossa comecei a ler seus contos ontem e to amando muito essas duas .....to ansiosa pra ler o capítulo 35 .....continua logo

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