5.11.16

Será que é amor?-Capítulo 32



Débora estava sentindo-se a pior pessoa do mundo, ora se maquiava, ora chorava, não sabia se conseguiria encarar Caroline, quando de repente é interrompida pelo toque do celular.
-Alô?
-Só liguei para agradecer as fotos, ficaram um espetáculo.
-Fotos? que fotos? - respondeu Débora confusa, não havia enviado foto nenhuma para Juliana, a não ser que...
-Ah meu deus, não acredito que fez isso?! - Exclamou Débora que logo se deparou com o que já havia  imaginado, suas fotos tiradas mais cedo na aba de conversa trocadas com juliana.
-Não acredito, como você teve coragem!?! - respondeu aos gritos, ficou tão nervosa que a essa altura era capaz de fazer qualquer coisa com Juliana.
-Ei, calminha ai - respondeu com aquele ar sereno que irritava ainda mais Débora- tudo isso nas fotos eu já vi, em todas as posições, em todos os lugares, com roupa, sem roupa.. não sei o porquê do nervosismo.
-Juliana você está me tirando do sério! - contestou rangindo os dentes.
-Eu acho que eu mereço,  não? afinal tanto tempo juntas mas nunca me mandou fotos assim, sempre eram despidas, sem pudor, eu que não acredito que quer conquistar a fedelha assim? fazendo-se de santa? - provocou-a
Débora respirou fundo, não queria perder o controle, se não era capaz de...
-Não brinca comigo Juliana, e porque você fez essa conversinha?
-Que conversinha? - fez-se de desentendida.
-O que pretende? mandar pra Caroline?
-Bingo!
Débora ficou sem reação, ao mesmo tempo que estava com ódio de Juliana, não poderia deixar de sentir ódio de si mesma, afinal se ela não tivesse feito o que fez, nada disso estaria acontecendo.
-Se você fizer isso, nunca mais me procure. - falou impiedosa, desligando o telefone sem ao menos ouvir sua resposta.
Ao olhar o horário, notou que iria atrasar-se um pouco, nada que Caroline não pudesse esperar, sua cabeça estava explodindo de tanto pensar, não sabia se deveria contar ou não a Carol, mas querendo ou não, ela saberia, se não por ela, saberia por Juliana.
-Merda! - exclamou.
Novamente o telefone toca, dessa vez era Caroline.
-Amor já estou indo - comunicou docemente.
-Que bom, pensei que havia desistido.
-Desistir de você? jamais.
-Te amo.
-Eu também.
-Você também o que?
-Te amo- respondeu Débora com a voz embargada.
-Tudo bem com você? -perguntou Caroline preocupada.
-Tudo sim, amor vou desligar tenho que terminar de me arrumar, em vinte minutos chego ai, ok?
-Ok - Despediu-se Caroline, que esperou Débora desligar o telefone, pôde perceber pequenos ruídos, choro talvez.
"Não, porque ela estaria chorando?!" pensou Caroline "Devo estar imaginando coisas, ou não?" se tinha uma coisa que Carol podia perceber era como Débora estava diferente desde o primeiro telefonema,"mas o que poderia ter acontecido, quer dizer, a mãe já foi embora" Carol ficou sentada no sofá da sala tentando encontrar alguma resposta para suas inúmeras dúvidas quando foi interrompida pelo pai.
-Aonde vai com essa roupa?
Caroline tentou ignorar porém é inevitável, ele iria repetir a pergunta quantas vezes fosse necessário, sabia ser inconveniente e insistente quando queria.
-Vou sair .
-Com quem, posso saber?
-Quando eu estava no Hospital, o médico falou se eu quisesse poderia te denunciar sabia? - falou fixando o olhar, tal gesto demonstrava a frieza com que tratava o pai e o desprezo que sentia cada dia mais pelo mesmo, ao mesmo tempo que queria demonstrar indiferença, segurava-se para não chorar.
-E porque está me falando isso agora? - perguntou embaraçado.
-Para o senhor lembrar que se tocar em mim de novo, te coloco na cadeia.
Carol levantou-se e encarando-o.
-Vou sair com a Débora, sem hora pra chegar.
-Débora? sua professora?
-Exatamente.
-você sair com sua professora a noite?
-Qual o problema? somos amigas.
-Quero ver o que a diretora vai achar quando eu contar que você e su....
-Escuta aqui, você não vai contar nada, nem pra ela nem pra ninguém-  disse Caroline com a voz alterada, fazendo seu pai soltar uma bela gargalhada.
-Você nunca foi na minha escola, nunca se interessou por nada que eu faça, agora não venha querer se intrometer algo que não é da sua conta.
-ME RESPEITA MENINA, EU AINDA SOU SEU PAI- gritou ele tirando o cinto das calças partindo em sua direção que a fez recuar, sem saber o que fazer ou como agir, não teria coragem de reagir contra aquele homem que no fundo tanto temia.
-AGORA VOCÊ VAI APRENDER COMO TRATAR SEU PAI, NEM QUE SEJA NA CINTA - falava firme enquanto estendia a mão para ataca-la.
-Não ouse fazer isso! -interrompeu Débora entrando na frente  de Caroline.
-Quem você pensa que é pra falar se eu vou ou não bater na minha filha? -aproximou-se dela que pôde sentir o bafo de cachaça vindo tanto de sua boca quanto de sua vestimenta.
-A propósito, um péssimo pai, que foi capaz de deixa-la com um olho roxo,olha, eu concordei com ela de não te denunciar, por respeito a decisão da tua filha, mas pode ter certeza que se isso acontecer novamente, você apodrece na cadeia! e eu faço questão que isso aconteça- falou Firme.
-vem vamos- disse Carol puxando-a pela mão.
No carro, Caroline se recompõe e sem dizer nada, dá aquele abraço apertado que só ela sabia dar.
-Estava com saudades desse abraço- diz Débora afagando seus cabelos.
-Você é tão importante pra mim, obrigada, obrigada por tudo..- Ao ouvir isso, Débora engoliu a seco, sentiu um aperto no coração, apesar de não querer estragar o momento, a noite, sabia que deveria, teria e iria contar a Caroline sobre Juliana, mas optou por não se agora, Caroline não merecia, não depois do transtorno com o pai, não depois de ter acabado de sair do hospital, Débora iria dar tempo ao tempo, não saberia quando mas ela iria contar.
-Você está triste?-Perguntou Carol olhando-a nos olhos.
-Não- respondeu Débora desviando o olhar e com a voz trêmula.
-então porque está assim?
-assim? assim como? - tentou disfarçar.
-está arredia, sem contar o que houve hoje mais cedo.
-O que houve hoje mais cedo?
-Será que dá pra parar-falou Caroline exaltada.
-Me desculpa - percebeu o grito com que a respondeu.
-Desculpe Débora, mas será que dá pra me contar o que aconteceu? eu escutei uma mulher falando "ela não vai" e não queira mentir pra mim, eu sei que era uma mulher, quem era? e poque agora está assim? é sua mãe? ela voltou e está te importunando? é isso - perguntava Carol tentando compreender, queria que ela se sentisse segura para falar.
Por sua vez Débora não conseguia parar de chorar, lágrimas não paravam de escorrer em seu rosto, ela evitava olhar para Caroline, que cada vez mais se angustiava por vê-la chorar.
-Quer ir pra casa e me contar? ficar a essa hora na rua dentro do carro é perigoso- tentou acalma-la.
Débora limpou suas lágrimas, fixou o olhar em frente, respirou fundo e  disse o que Caroline tanto queria saber, a verdade.
-Eu fiquei com a Juliana.



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6 comentários:

  1. Fico feliz pela Débora ter sido sincera e ter começado a falar a verdade, parabéns Bler!

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  2. Camila Salviano5/11/16 01:31

    Eita bixiga!
    Essa história fica a cada capítulo mais excitante... O enredo é muito bom!
    Estou muito ansiosa pela continuação, ainda mais depois de termeniar com essa confissão!

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  3. Fiquei triste, poxa Débora traiu Carol 😢

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  4. Cara to amando ver como estão crescendo o blog e os contos, amei todas as historias e cada vez mais emocionante

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  5. Caramba!!! Mulher que historia, to arrebatada pelo enrredo, personagens tudo!

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  6. Caramba!!! Mulher que historia, to arrebatada pelo enrredo, personagens tudo!

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