30.10.16

Será que é amor?-Capítulo 31



Débora despertou ao toque do celular, tocou uma, duas, três vezes, na quarta atendeu sem ao menos ver quem era.
-Alô?-falou sonolenta.
-Oie- disse a voz animada do outro lado da linha.
-Que tal desmarcamos o jantar de amanhã e irmos hoje mesmo?-Perguntou animada.
-É.....que..-ainda sonolenta, Débora não deu a resposta de imediato, pois além de sonolenta estava sendo beijada por Juliana, que não largava seu pescoço.
-O que me diz? - insistiu Carol já que Débora não tinha falado mais nada.
-Ela não vai - Disse Juliana em alto e bom som, fazendo com que Débora saísse imediatamente da cama, indo para a sala.
-Tem alguém ai com você?
-Não amor, claro que não, que pergunta! - respondeu tentando disfarçar.
-Então quem era?
-Quem era o que?
Caroline desligou o celular, se tinha uma coisa que odiava era perguntas idiotas, e ela escutou muito bem, uma voz, voz de mulher dizendo "Ela não vai" deixando-a pensativa logo após desligar na cara de Débora. "Tenho certeza que é voz de uma mulher, mas não, claro que não, ela não teria coragem " pensou Caroline consigo mesma, que logo foi interrompida pelo celular tocando, ficou na dúvida se deveria atender ou não, depois de tocar mais de cinco vezes, optou por atender.
-Porque desligou? - Perguntou Débora com um tom de irritação.
-Desculpas, foi meu pai que apareceu aqui.
-Continuando, é claro que podemos jantar hoje, que horas quer que eu passe ai?
-Oito horas, pode ser?
-Claro amor, beijos, te amo!
-Até mais tarde- Respondeu Caroline sem querer parecer chateada ou algo do gênero mas era inevitável , aquele telefonema, aquela voz ao fundo a deixou com a pulga atrás da orelha, e por mais que não fizesse questão de jantar com Débora, pelo menos não depois disso, pensou que fosse melhor encontra-la afinal, "não pode ser o que estou pensando, não, não pode" Caroline tenta tirar todos esses pensamentos da cabeça. mas durante o banho sua cabeça quase explodiu pensando mil e uma bobagens, "Porque simplesmente ela não falou quem era? tenho certeza que ouvi uma voz de mulher" "mas ela me ama" "As noites que tivemos, a preocupação no hospital, se ela não me amasse não faria isso" " é obvio que me ama" -pensava Caroline, que enquanto a água caia sobre seu rosto e misturava em meio as lágrimas, mal sabia que isso fosse apenas o começo.
Ao desligar o celular, Débora sentiu-se culpada, por estar mentindo para Caroline, não sabia o porquê não mandou Juliana embora, o porquê não pensou em Carol, o porquê não cumpriu sua promessa de nunca mais fazer aquilo.
-Porque Débora, porque? - repetia para si mesma, com lágrima nos olhos e raiva de si mesma.
-Pensei que dessa vez não se arrependeria, me comeu tão gostoso.
Débora com a camisa, limpou as próprias lágrimas, respirou fundo e encarou Juliana por alguns segundos, era nítido a raiva que estava sentido.
-Sai da minha casa e nunca, nunca mais pisa aqui.-Falou em tom baixo porém bufando.
-Calma, não foi nada demais, só transamos Débora.-Ria Juliana, encostada na parede, divertindo-se com a situação.
Débora a pega pelo braço e puxa em direção ao quarto.
-Calma, você está me machucando!
-É pra machucar.
-Me larga- aumentou a voz, e se desvencilhou de Débora.
-Você está louca?
-Eu tô louca? eu Juliana? porque você não me deixa em paz, já te disse que não te amo e que nunca ficaríamos juntas, o que mais você quer ouvir?
-Você é uma filha da mãe, isso que você é Débora, eu não te forcei a me comer, não te forcei a transar comigo, não te forcei trair a Caroline, simplesmente você quis TRANSAR e como quis, agora não venha descontar sua raiva, sua infidelidade em mim.-Falou Juliana aos berros.
Débora sabia ser fria e machucar alguém quando necessário e era o que queria fazer com Juliana, estava sentindo uma raiva como não nunca sentiu antes.
-E dai que eu transei com você? e dai que eu te comi? e dai ? sabe o que você sempre foi pra mim? depois de todos esses anos, apenas a mulher mais fácil que eu podia ter a hora que eu quisesse, o dia que eu quisesse, onde eu quisesse; -riu irônica- era só ligar que você vinha correndo, sem pestanejar, me deixava fazer tudo com você, mal conversávamos sobre a vida, sobre carreira, faculdade, trabalho, aliás Juliana mal conversávamos- riu debochada- sabe porque? nunca demos certo a não ser na cama. Eu nunca te amei, o máximo que senti por você foi carinho, amizade, e meramente desejo, você sabe que é uma mulher muito bonita mas é BURRA, uma prova é ficar tanto tempo comigo, por favor Juliana, é ser muito idiota, ficar atrás de quem nunca te deu esperança - Débora começou alterar a voz, dizia tudo olhando fixamente para ela, que até então não soltava nenhuma palavra.-Porque isso eu nunca fiz, sempre deixei claro que eu gosto apenas de TRANSAR com você, só isso. Já com a Caroline é totalmente diferente, pareço que a conheço tanto tempo, com ela tudo é perfeito, quando estou perto dela não existe nada para eu me preocupar, é leve, tranquilo, dói ficar longe dela, dói vê-la triste, tudo que acontece com ela me importa, eu me interesso,eu a amo, amo e sinto o que eu nunca senti por você.
Juliana ficou parada, não esboçou nenhuma reação, apenas tentava digerir toda informação que por mais que parecesse real para ela não era.
-Agora pega suas coisas e vai embora!
Juliana, se vestiu, pegou sua bolsa e tudo que havia deixando espalhado pelo chão, em poucos minutos estava pronta para ir, mas não antes de deixar Débora avisada.
-Mesmo que você a ame como diz, vocês nunca ficarão juntas, e quando descobrir isso, eu vou estar aqui, sabe porque Débora? porque eu te amo, minha vida é você.- Falou Juliana como poucos vezes havia dito, com olhar de sinceridade mas ao mesmo tempo obsessivo.
Logo após Juliana ir embora, Débora entrou para tomar seu banho, já embaixo da água era inútil tentar esquecer o que aconteceu, havia mentiras em sua fala a Juliana, era obvio que apesar de se darem maravilhosamente bem na cama, se davam bem nas conversas, mas falar algo do tipo para ela, era criar uma esperança que não deveria existir e Débora estava com raiva, raiva de Juliana não largar do seu pé, raiva de ir em sua casa para provocar e principalmente raiva de si mesma por ser tão fraca a ponto de Juliana conseguir o que havia ido buscar.
-BURRA! BURRA!-gritava Débora esmurrando a parede e chorando, deu um soco tão forte que soltou um grito de dor, tal dor era menor que a culpa que estava sentido, ficou ali, chorando por algum tempo e pensando se deveria contar ou não a Caroline, mesmo sabendo que talvez não fosse perdoada, e isso era o que menos queria.
-Não é justo, não é justo- chorava enquanto tentava se convencer que contar não era o melhor a se fazer.
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