26.9.16

Será que é amor?-Capítulo 26


Caroline estava aparentemente triste e envergonhada, Débora sentou-se na cama, apenas a observava e notou que seus olhos a evitava.
-Olha, eu não vou te pedir explicações...nem nada do gênero..-Caroline se vira para sua direção, Débora se assusta ao ver seu rosto.
-Caroline! -diz surpresa
-Quem fez isso? -pergunta preocupada.
-Mas que pergunta, óbvio que foi seu pai, não foi?-Débora gostaria de ter certeza, não queria se precipitar.
Caroline mal conseguia encara-lá , começou a se debulhar em lágrimas.
-Não Caroline, não, por favor-dizia Débora ao sentar ao seu lado, colocando-a em seu ombro.
-Caroline por favor não faça isso, eu imagino que......,bem, o que seu pai fez com você
-Ok, não vamos falar disso agora- concluiu Débora.
mas eu estou aqui,  com você, por favor ,quero que conte comigo, me preocupo com você, quero te proteger, cuidar de você Caroline, eu juro que não saberia o que fazer se algo grave tivesse acontecido..-termina Débora Beijando sua testa, por mais que ela quisesse falar um milhão de coisas a Caroline, desde seu carinho a algo para que ela se sentir amada e que não viesse pensar em morte como sendo a única solução para seus problemas.
Já mais calma, Carol bebeu um copo d'água e agradeceu Débora por estar ali com ela, em momento algum falaram do que Carol tentou fazer consigo mesma, Débora percebeu que ela não gostaria de falar sobre isso e então resolveu não tocar no assunto.
-Quer dizer, que você é minha prima?-disse.
-Bom, para estar aqui com você tínhamos que ter parentesco né, foi o melhor que eu pude inventar.
Caroline sorriu, aquele sorriso que encantava Débora e ao mesmo tempo deixava-a extremamente feliz, em ver que pelo menos, ela estava se distraindo.
-Vou ter que ficar aqui?
-Sim, em observação...
-O que foi? está triste? -pergunta Caroline.
Com o olho rasos d'água Débora por um minuto olha pra cima tentando segurar sua imensa vontade de chorar.
-Confesso que estou feliz por estar tudo bem com você, Caroline, poxa, você não pode ...não pode fazer isso com a gente, não pode...fazer isso comigo, eu...
Caroline não resite e a beija, delicadamente, Débora retribuiu na mesma intensidade, estava com saudades de dar um longo beijo que só ela sabia dar, e ficaram ali, entre longos beijos e selinhos, trocaram poucas palavras, mas sempre palavras de carinho.
-Estava morrendo de...-Mordiscava o lábio de Carol.
-Saudades -completou Caroline que não soltava os lábios de Débora,estava tão bom ficar matando a saudade, uma da boca da outra, tão bom que não durou mais que alguns minutos, que de repente foram interrompidas, fazendo com que as duas se assustassem ao escutarem a porta se abrir.
-Oh Desculpe, perdão.- Diz sem graça o médico, que logo fecha a porta.
-Droga!
-Ah para, foi só um beijo, ele nem viu nada demais.
-Como não vou Caroline, ele viu a gente ...
-aos beijos
- no hospital - Disse Débora atrapalhada.
-Qual o problema?
-O problema é que ele nós viu.
-Isso eu notei né, mas e daí Débora? ele não tem nada haver com nossa vida, aliás nem nós conhece.
-Eu sei Caroline, mas não podemos ficar dando bandeira por aí, ninguém deve saber da gente.
-Sua mãe e sua ex sabem.
-Sim, mas elas não vão fazer nada.
-E o que ele pode fazer?
-Eu disse que sou sua prima, aí ele chega me pega aos beijos com você, daqui a pouco vai chegar aqui com a polícia e tudo.
Caroline riu do desespero aparente que Débora estava.
-Você ri né? não estou achando graça nenhuma.
-Você fica mais linda assim preocupada sabia?
Débora lança um olhar de reprovação a Carol, que a imita , fazendo as duas rirem da situação.
-Relaxa vai, não vai acontecer nada, até porque você não está fazendo nada demais.
-Me convenceu.-Falou Débora menos preocupada mas ainda desconfiada.
- e seu pai?
- O que tem?
-vou ter que ligar pra ele e avisar que está aqui...
-tudo bem, entendo.
-só preciso do número - disse enquanto entregava seu Celular.
-Aqui.
-Olha Carol se quiser, podemos denunciar..
-denunciar? você acha?- diz ela triste e desacreditada que algo poderia salva-la.
-Sim, ele não pode fazer isso com você, olha como está seu olho, um absurdo o que esse homem fez, quer saber não vou ligar pra ele porra nenhuma, duvido que chame a polícia, e depois será mesmo que está preocupado? por que pra fazer isso..
-Pode ter certeza que não.- Respondeu entristecida, deixando as duas em silêncio durante um tempo, Carol cabisbaixa e Débora sem saber o que dizer.
-Com fome ?
Caroline confirmou com a cabeça.
-Vou ir comprar alguma coisa pra você, dai passarei em casa e volto.
-Como assim volta?
-Não está pensando que vai dormir nesse hospital sozinha, está?
-ué, sim
-Então mocinha, tire seu cavalinho da chuva, que não vai ficar aqui sozinha com essa enfermeira .
Caroline deu uma risada bem gostosa.
-Acha que eu não vi né?
-ah viu o que?
-você, apreciando ela, devo concordar que é muito bonita mas,
-Mas você é mais, óbvio.
-Uhum mocinha, sei.
-Bom, mas então vou ir em casa e volto já- Despediu-se de Carol dando um beijo em sua testa. .
Débora ficava com o coração apertador por deixa-la ali, tudo bem que era por pouco tempo mas ainda sim não deixava de preocupar-se.
-Senhorita Débora!
-Oi Doutor - respondeu ainda constrangida.
-Precisamos conversar.
-Agora?
-Sim senhora, agora.
-Claro- sorriu.
Os dois seguiram para sua sala, Doutor Rodrigo não aparentava ser um ímprobo, mas Débora já estava imaginando mil e um problemas, sabia que ele ao ver aquela cena lhe causaria nada mais além de mais problemas.
-Primeiramente, não quero me intrometer de forma alguma , mas tem certeza que ela é sua prima ?
-Sim , algum problema?
-Preciso falar com o pai ou a mãe da Caroline, se não, infelizmente teremos que chamar o conse..
-Não, por favor.
-Débora esse é meu dever se não me explicar o que está acontecendo, terei que fazer meu trabalho, viu aquele olho roxo, o que houve?
-Doutor, é uma longa história, ela só tem o pai, e ele é um homem bruto, nada agradável, eu a perguntei se queria que chamássemos a polícia mas ela se recusou , não posso desrespeitar sua decisão...e também..
-Entendo, mas não posso fazer isso, me entenda, o hospital que...
O Doutor Rodrigo é interrompido por uma batida na porta.
-Entre por favor!
-Boa noite Rodrigo- disse uma mulher que ao ver Débora ficou surpresa em revê-la, aliás as duas ficaram.
-Débora, você aqui? que coincidência - falou indo abraça-la.
-Quanto tempo Vivian.
-Mas o que aconteceu? alguma coisa com seu pai, sua mãe?
-Não, imagina, eles estão bem, é com uma amiga.
-Amiga?  não era prima?-perguntou Doutor Rodrigo
As duas se entreolharam e Vivian toma rédia da situação.
-Rodrigo, fique tranquilo cuidarei da sua paciente, amiga/prima da Débora.
-Mas você sabe que..
-Rodrigo relaxa, Débora é minha amiga e qualquer coisa eu me responsabilizo, fique tranquilo e seu expediente já acabou, então ..
-Entendi, entendi- respondeu
-Vou ir , e espero não estar colaborando para algum crime
-Crime? não exagera vai, já disse que me responsabilizo-disse Vivian despedindo-se dele.
-Até mais Débora.
-Até- sorriu sem graça.
-Débora , Débora , Débora.
Débora soltou uma gargalhada, adorava esse jeito que Vivian se referia a ela.
-Então, o que sua amiga barra prima tem?
Débora suspirou fundo e por um minuto lembrou do que vivenciou algumas horas atrás.
-É uma longa história, ela tomou remédios, muitos, quis...se matar..
-Sinto muito, ela está bem?
-Sim, felizmente foi apenas um susto.
E então o que ele queria, posso te ajudar? - perguntou Vivian que sempre foi uma pessoa extremamente amável, preocupada com todos e principalmente a quem vivia ao seu redor, Débora sabia que podia contar com sua ajuda, dito e feito, depois de explicar tudo o que havia acontecido, aliás, quase tudo.
-Fique tranquila Débora, não iremos chamar ninguém, e ela já vai ser liberada amanhã então não tem porque chamar, não é mesmo?!
-Vou ficar te devendo essa
-Mais uma para a conta.
As duas riram.
-Vamos? tenho muito trabalho a fazer.
-Claro, tenho que ir em casa.
-Vai dormir aqui?
-Sim?
-Sim? -disse Vivian com estranhamento, era uma surpresa ver Débora tão preocupada e disposta a fazer algo assim por alguém, não que ela não fosse capaz de fazer mas que ela nunca tinha visto algo do gênero vindo de Débora.
-Até mais- piscou Vivian.
-Até, a noite vai ser longa.
-Oh se vai.. -finalizou Vivian.

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