9.9.16

Será que é amor? - capítulo 24


Depois da tortuosa conversa que Débora teve com Carmem,ela não poderia estar mais triste, amava sua mãe, seu pai, sua família mas brigar com eles por algo que não haveria como mudar era inútil e sua mãe não entendia isso, logo após a saída da sua mãe de seu apartamento, Caroline teve de ir embora, deixando-a, que logo depois acabou se debulhando em lágrimas, por mais que demonstrasse força e inabalável, seu ponto fraco era sua mãe, que conseguia destruí-la por dentro, mas uma coisa ela não cederia, abrir mão da sua vida, da sua felicidade. Já era tarde, Débora decidiu tomar um banho após um dia exaustivo como esse, para relaxar e parar de pensar em problemas que ainda a assombrava, a água caindo sobre si,  a fez relembrar de quando se sentia assim,costumava sair do banho, e ligar para Juliana, que iria correndo fazer companhia, querendo ou não, Juliana sempre foi sua companheira.
-Juliana! -Disse Débora ao rememorar as lembranças, que apesar da maneira como estão hoje, não pode negar que ela sempre esteve ali, desde a proporciona-lá os mais variados desejos carnais à mais belas companhias, eram um tanto quanto diferentes mas nada que impedia a amizade e o afeto que carregavam uma pela outra.
Depois de um longo tempo no banho, Débora saiu e resolveu ligar para... de repente se pegou rindo.
- Não Débora, Juliana é passado, delicioso passado mas passado!
Ligar para Caroline, que não a atendeu, tentou uma, duas, três vezes e nada, estava com sono e ainda triste com o dia que vivenciou, mas desistiu, "deve estar dormindo", pensou ela.
-Nada que um bom sono não resolva! - Apesar de ainda estar um pouco cedo do que Débora estaria acostumada a dormir, se deitou na cama e logo pegou no sono, não foi nada difícil, visto que estava exausta e no dia seguinte deveria acordar cedo.

Já em casa, Caroline chegou indo direto tomar seu banho, notou que seu pai ainda não havia chegado, e isso era um alívio para ela, pois a presença dele era um fardo, resolveu fazer o que a muito tempo não fazia, Desenhar, rabiscos vai, rabiscos vem e...
-Perfeito!
Caroline geralmente é crítica quanto ao seus próprios desenhos, sempre encontrava uma falha, algo distorcido, uma coisa para melhorar mas dessa vez fez questão de caprichar, afinal estaria desenhando uma mulher perfeita nada mais que um desenho perfeito.
POW POW POW
- O que é? -Dispara aos gritos.
-Sou eu, quem mais poderia ser garota?
-Ninguém, eu já disse para não bater assim na minha porta, assusta sabia?
-Larga de frescura, trouxe coisas para você fazer.
-Estou estudando!
-Anda logo, tô com fome e sono, vou tomar banho e quando voltar quero essa comida pronta.
Caroline resmungou, e se debateu sobre a cama, em uma espécie de raiva por está ali, com aquele homem que achava que era seu dono e podia mandar quando bem entendesse.
-Está escutando?
-Já vou! - respondeu com lágrimas nos olhos, lágrimas essas que misturavam tristeza e principalmente raiva.
Odiava viver com seu pai, se perguntava todo dia o que ela fez para merecer aquilo tudo, a única família que tinha era um homem ignorante, bruto, entre outros milhares de defeitos que a fazia odiá-lo completamente.
Entre uma cortada de legumes e outra, Carol tentou pegar o celular do seu pai, queria falar com Débora, pelo menos para dar Boa noite, mas infelizmente não deu tempo de pega-lo, pois o banho já havia acabado, e não queria correr o risco dele a ouvir conversando com alguém, se não era capaz... de ..
-Já terminou?
-quase, falta cozinhar a carne
-EU JÁ DISSE QUE ODEIO carne cozida,- disse aos gritos indo em sua direção, e em segundos, Carol se viu caída ao chão, sim, ela havia acabado de levar um soco do próprio pai.
-Perdão,  perdão minha filha,-Dizia ele desesperado pelo que tinha acabado de fazer.
-SAI DAQUI- grita Carol que saiu correndo para o seu quarto.
-Minha filha, me perdoa, você que me tirou do sério, não quis fazer isso.
-Sai Daqui! ME DEIXA!
Carol ficou deitada em sua cama, chorando , sabia que sua felicidade sempre tinha data marcada para acabar, e sabia que sempre seria uma única pessoa a atrapalhar.ELE!, sempre ele!. "Porque? porque eu?" falava entre soluços,  aos poucos, conseguiu dormir depois de passar a noite chorando.
Acordou assustada, viu que teve mais um de seus terríveis pesadelos, ao olhar no relógio,  ainda eram cinco horas da manhã e logo logo deveria se arrumar para ir a escola, queria falar com Débora mas sabia que não era hora de ligar , quando saiu do seu quarto viu que estava tudo seguro, provavelmente aquele homem que ela tanto desprezava estaria no seu décimo sono, dormia como pedra, finalmente conseguiu pegar o celular para falar com Débora, como estava cedo demais para ligar, mandou uma mensagem.
"Oi, você sabe que é você quem faz meu dia mais bonito? mais inspirador? mais contagiante?que me faz sentir viva? pois bem, se não sabia, fique sabendo disso, obrigada viu, por tudo!"

Débora acordou atrasadíssima, se arrumou correndo, não poderia chegar atrasada mais uma vez, não admitia atrasos, então no mínimo não deveria se atrasar também, tomou café correndo e logo desceu para ir a caminho do trabalho. Somente quando chegou na escola, viu que Carol a enviou uma mensagem, depois de Lê-la foi inevitável soltar um sorriso, "essa menina" suspirava Débora que por um segundo se esqueceu do atraso, mas já se lembrando.. foi direto a sala dos professores, já havia começado a aula e a primeira seria na sala de quem? isso mesmo, Carol! mas para a surpresa e lástima da professora ela não estava lá, Débora ficou sem entender, porque Caroline não foi a aula. "Será que aconteceu alguma coisa" "Obrigada por tudo" "obrigada por tudo" para Débora essa última frase parecia uma despedida, mas para onde Caroline iria?! "Não viaja Débora ", "será?" e assim passou a manhã e a tarde inteira, uma dúvida angustiante, tudo que Débora queria era que as aulas acabassem logo e ela pudesse ir ver o que estava acontecendo com Carol.


      Capítulo anterior <<<                   Capítulo seguinte>>>

2 comentários: