15.8.16

Será que é amor?-Capítulo 22


Débora abriu a porta, e imediatamente foi abraçada por Caroline, que a aconchega por alguns segundos, tornando todo o momento puro cuidado, sabia que Débora estaria precisando, pôde sentir isso de longe, fechou a porta,com ela ainda em seus braços, caminharam em direção ao quarto, se deitaram na cama, abraçadas, olhos fechados, apenas sentido a presença uma da outra, completamente caladas. Carol acariciava seus cabelos, fazendo cafuné, Débora ainda em meio a lágrimas decidiu retribuir a gentileza, só que suas caricias ficaram destinadas a cintura de Caroline, ficaram ali um bom tempo, apenas curtindo o momento, e sabiam que não precisavam conversar para poderem sentir uma a outra, pelo menos não agora, Débora dormiu algumas horas depois, deixando apenas Carol acordada, sabia que não poderia ir para casa, não sabendo no estado em que Débora se encontrava. "ela precisa de mim" pensou Consigo mesma,que se levantou e decidiu fazer o jantar, jeito para a cozinha ela tinha.
-Oi- disse Débora com cara de quem tinha acabado de acordar.
-Oi linda- Respondeu sorridente.
- está melhor?
- um pouco.
-como dizem, dormir é o melhor remédio.
Débora sorriu.
-Nem sempre, infelizmente nem sempre- Respondeu entristecida.
-não fique assim, vai ficar tudo bem..
-Queria acreditar nisso.
-Então acredite, pensamentos positivos atrai coisas positivas.
-você é linda, já te disse isso?
-Não que eu me lembre.-disse Carol fazendo manha.
Débora se aproximou e a envolveu em seus braços dando uma longa cafungada em seu pescoço.
-Posso saber o que está fazendo?
-Bom, estava preparando um jantar romântico né, mas você acordou, estragou a surpresa.
-Não acredito que fiz isso..
-Poise- disse Carol fazendo bico.
Débora não resistiu e tascou um beijo, como aquela garota a fazia bem, ela se sentia protegida, amada, leve, por um momento poderia esquecer dos problema, pelo menos, quando estavam ali, com Carol.
-Mas pode continuar romântico do mesmo jeito, não acha?
-Hum, não sei, o que acha?
-Eu acho que sim, um jantar romântico só precisa, de duas pessoas, comida, e Uhm, velas ?!- disse Débora dando uma piscada.
-Me convenceu, acho que esse jantar ainda tem salvação.
-Já eu tenho certeza que tem, e vai ser lindo, gostoso, delicioso, saboroso...
-Que assanhada..
-Assanhada? quem ? eu?
-sim, você, fica falando essas obscenidades ...
Débora riu
-E quem disse que estou falando de você? estou me referindo a comida, mocinha.
-adora me chamar assim não é?
-mocinha?
-Sim, mocinha..
-É o que você é, ou não?
-bom, é, sim, sou uma mocinha-disse Carol super meiga.
-Você me acha muito nova pra você?
-Bem, você é bem mais nova do que eu.
-Isso tem algum problema pra você?
Débora não queria que esse assunto se estendesse, e então a beijou.
- Não, não para mim.
Mas ela sabia que havia, não queria conversar sobre isso, não hoje, mas nada era tão simples como ela gostaria que fosse, não trataria disso agora, queria aproveitar a companhia de Caroline e mais uma noite ao seu lado.
-Precisando de ajuda?
-Sugiro arrumar a mesa.
-Ok, senhorita, é pra já- Débora prestou continência e conseguiu arrancar um lindo sorriso de Carol.
Débora tratou de arrumar a mesa, com direito a velas e algumas flores para deixar o ambiente agradável, adorou o resultado, ficou um charme, estava orgulhosa da decoração que fizera, voltou para a cozinha mas Caroline já não estava mais lá, porém, sua comida cheirava tão bem quanto seu perfume, ta aí , duas coisas que Débora amava, comer e Caroline. amor... Será? pensou ela.
-Não, não mesmo.- disse ela em voz alta.
-Falando sozinha?
-Ah ...Oi... não vi que estava aí..bom, cada doido com suas doidices.
-Adoro!-falou Carol enquanto se aproximava para roubar-lhe um beijo.
-cheirosa!
-Desculpa a ousadia, mas tomei banho- disse sem jeito.
-Não precisa pedir desculpas, pode e quero que fique a vontade aqui na minha casa, comigo... quero você solta pra mim.
-Hum, acha que não me solto ?
-As vezes sim.
-Vou tentar mudar isso.
Débora deu um selinho em Caroline, esse clima permaneceu durante todo o jantar, tanta melação que ao seu ver , Débora parecia outra pessoa, segundo ela.
-Poxa, que incrível sua comida..
-Gostou? Obrigada, tenho meus dotes culinários.
-Percebi, já pode casar - Brincou Débora.
-Deus me livre
-Que horror Caroline, parece até eu, falando isso.
As duas riram
-Bom, não tenho sonhos em casar.
-Jura?
-Sim, porque a admiração?
-Bom, geralmente meninas da sua idade tem sonhos em casar, formar família, filhos...
-Hello professora- Falou revirando os olhos- século vinte e um, as coisas mudaram, mas entendo o que quis dizer, acho bobeira casar cedo.
-Não acho, Casar é algo mágico, um compromisso com alguém, que você ama..viver para sempre..
-Acredita nisso?
Débora sorriu e ficou pensativa até encontrar uma resposta.
-Acredito, as vezes não pareço uma pessoa que tem o sonho de casar, mas acho que esse é o meu ..
-Jura?- Disse surpresa - Realmente, você não aparenta ter como sonho o casamento.
-Já me disseram isso - respondeu após tomar o ultimo gole de vinho.
-E por que?
-Porque o que?
-Porque ficar com diferentes mulheres sem a intenção de se envolver se seu sonho é casar, bom... quando alguém quer casar, busca encontrar alguém.. que vai ser essa pessoa, não é?
-sim, é..mas   - Débora ficou na dúvida se deveria continuar, mas confiava tanto em Caroline, precisava falar sobre isso.
- eu tive uma namorada,  sonhava em casar com ela, eu a amava- Débora interrompe e por um momento relembra tudo e mesmo assim continua.
-Eu era cega de amor por ela, mesmo ela me traindo, mentido, enganado, eu a perdoava- Riu enquanto dizia isso - Eu achava que amor é isso, tudo suporta sabe.., eu enfrentei tudo para ficarmos juntas, tudo mesmo, minha família, meu noivo na época, todos, por ela eu estava disposta a matar e morrer.
- E o que aconteceu?
-Aconteceu..- Sorriu Débora deixando lágrimas escorrerem por seus olhos- Aconteceu que eu tinha acabado de brigar com minha mãe, pois tinha acabado de dizer que eu estava apaixonada por uma mulher, sim, eu enfrentei minha mãe como nunca pensei que fosse capaz.
Caroline prestava atenção nos mínimos detalhes, percebeu que Débora ainda sentia, por tudo o que aconteceu, e que por mais que ela quisesse aparentar que não, aquilo tudo ainda não era uma página virada em sua vida.
-E então eu fui na casa dela, contar, o que eu tinha feito, queria dizer que poderíamos viver juntas, felizes, como imaginávamos, mas que no fim, só eu imaginei.
-Urrum - disse Carol demonstrando estar atenta.
-Quando eu cheguei lá, fui para abraça-la mas ela se recusou, disse que precisava ter uma conversa séria comigo, até aí tudo bem, fomos para o quarto e então ela soltou a bomba.
-Vou me mudar do país!
Eu não acreditei quando ouvi aquilo, meu mundo caiu, me senti tão idiota, traída, enganada, iludida sabe...-Disse com lágrimas nos olhos, desculpe Caroline, eu não deveria estar ocupando seu tempo com isso...
Carol se levantou, tratando logo de abraça-lá por trás,  tão forte como de costume.
-Essa sua ex namorada não sabe o que perdeu, mas confesso que tenho que agradece-la , se não fosse por ela, eu não estaria aqui, com você...
Débora adorou escutar isso vindo de Carol, como Carol fazia bem para ela, incrível.
Logo as duas foram para a cama, não arrumaram mesa, cozinha, nada, apenas foram curtir mais uma noite juntas, cada segundo era fascinante.



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