10.2.16

Será que é amor ? Capítulo 2


Débora não atendeu, se tinha algo que não queria fazer era falar com Juliana, pelo menos não por enquanto, sendo assim desligou seu celular, e continuou sua leitura até pegar no sono.
O dia logo amanheceu, Caroline acordou cedo sem demoras,  se arrumou e com aquele típico mau humor, aquela semana...aquele mês não havia nada a comemorar e como de costume saiu na hora para não chegar atrasada, odiava atrasos. Mas Carol não calculou certo e chegou alguns minutos atrasada  e a primeira aula era de que? ou melhor dizendo, de quem? isso mesmo,professora Débora e quem chegasse atrasado deveria assinar um caderno, sendo que na quarta vez ganharia uma advertência,  e adivinhem quem chegou atrasada? Exatamente, Caroline.
-licença
-Pode entrar.
Ela logo se dirigiu ao seu lugar porém estava sem espaço para se sentar,  era necessário tirar uma cadeira dali, Caroline arrastou a cadeira e fez um barulho insuportável, a professora se irritou ao ouvir. Olhando diretamente para Carol fazendo aquele barulho irritante, repreendeu-a:
-Garota será que dá para parar com esse barulho!
Caroline continuou e nem se deu o trabalho de responder.
-saia da sala !
-Oi? Porque? - disse ela virando-se para a professora.
-Eu disse saia da sala!
-você não pode me tirar da sala, não fiz nada ué..
-Vai sair ou preciso chamar a diretora?
Carol se retirou bufando, "quem aquela professora pensa que é ? Gritando assim comigo com todo mundo olhando por conta de um barulho, que mulherzinha infeliz."
Logo que Carol saiu, a sala ficou em silêncio e apenas a voz da professora poderia ser ouvida.
-A pessoa logo de manhã vem para a escola encher o saco, ficasse em casa! Aqui não, que sirva de aviso a todos- Disse ela se direcionando a todos ali presente.
Na segunda aula, Carol voltou para a sala de aula carregando consigo um pouco de raiva, se sentou na cadeira sem perturbações e como sempre abaixou a cabeça sobre a mesa, assim ficou apenas escutando a voz da professora de Química explicando sobre balanceamento, que matéria mais fácil pensava consigo mesma. Ninguém a incomodou, fazendo com que a aula passasse rapidamente aquela aula melzinho na chupeta, próxima aula de quem? Quem ? Quem? História, e como de costume apenas tarefas a serem feitas, a professora não passava mais nada além de tarefas. Caroline se cansava só por ter de perder seu tempo ali,  então tirou da mochila seu caderno, que até então não havia nem pegado, começou a fazer seus rabiscos, mesmo sem ter noção nenhuma do que estaria desenhando, continuava, rabiscos vai, rabiscos vem até que percebeu que as feições do desenho parecia com sua professora, "vejá só" pensa ela, que optou por colocar para fora o que estava sentindo naquele momento, fez um chifre na cabeça, puxou uma sobrancelha, refez os olhos, mudou a modelagem da boca, puxou uma calda, pintou o fundo em uma cor escura, por fim, deixou uma expressão de má, "ficou uma linda  Diaba"Pensou Caroline que fez questão em escrever  na legenda
" O diabo não Veste brada mas dá aula de matemática " .
 Ao escutar o sinal tocar, Carol fechou  seu caderno, deixando-o na mesa, dessa vez resolveu sair da sala, por mais que não conhecesse ninguém seria legal tentar conhecer pessoas novas e então decidiu ir a biblioteca, quem sabe encontra alguém que a recomenda alguns livros e que tenha um bom gosto literário, para o seu azar, esbarra justamente em quem ? Débora,  imaginem a cena já que  as duas tecnicamente "não se batem".
-olha por onde anda garota..-Disse a professora um tanto quanto sem paciência.
-Primeiro, que quem esbarrou em mim foi você e segundo, a garota tem nome se não sabe.
-Disso eu sei, e realmente não me interessa, agora com licença.
"Caramba que mulherzinha ignorante" pensou ela, que logo tenta esquecer esse episódio e entra na biblioteca, tentou procurar um livro, de preferência clássicos brasileiros, estava precisando de algo assim. Caroline mal percebeu o tempo passar, ficou tão entretida ao escolher os livros que se espantou ao escutar o sino , ela escolheu O GUARANI, um livro de José de alencar, onde conta o romance de Ceci e Peri, um clássico que todos deveriam ler; segundo Carol.
Carol entra na sala acompanhada da professora de Biologia, cumprimenta-a e se senta, ao abrir seu caderno para finalizar o desenho, Caroline se assustou, Arregalou os olhos e;
"cadê o desenho ?? Meu Deus, e agora ?"
 As aulas foram se passando e Carol não se desesperou, manteve a calma, "alguém deve ter pego, só pode, espero que não dê problemas "pensou ela . Já erá seis da tarde quando todos saiam da escola e Carol foi direto para casa, as horas se passaram e nada de novo ou interessante aconteceu.
 Já pela manhã Caroline resolveu não ir a aula, estava desanimada, ultimamente a tristeza a consumia, ficou o dia todo em casa, ora lia um pouco do livro que havia pego na biblioteca, ora desenhava ou então assistia TV , dormiu e o tempo passou mais rápido do que nunca, algo bom para ela.
"Finalmente semana acabando, oh semanazinha que não passa" Pensou Débora ao chegar na escola, sendo ela uma das primeiras a chegar, logo que adentrou ao colégio viu dezenas de cópias de folhas jogadas ao chão, na curiosidade pegou uma e se deparou com sua própria caricatura.
- "o diabo não veste brada mas dá aula de matemática"
sua reação  não foi nem um pouco agradável e rapidamente foi procurar a diretora.
-com licença , posso dar uma palavrinha?
-Claro professora Débora, entre...
-Você viu essas folhas espalhadas pelo chão lá no pátio?
-Não, quando eu cheguei não havia nada, não estou entendendo...
-Agora tem! Disse ela, enquanto entregava o desenho a diretora .
As duas se olharam e começaram a rir.
- Diabo Débora?
- Para você ver , como faço o terror desses meninos.
Débora não havia gostado de primeiro momento, mas depois levou na brincadeira, sentia que era apenas mais uma brincadeira de adolescente revoltado com notas baixas em matemática, assim a diretora que não apenas era a diretora mas também amiga da sua família,  foram retirar as folhas do pátio, tarde demais; Já havia chegado uma quantidade razoável de alunos, que inevitavelmente  começaram com as fofocas, piadinhas e risadinhas. Professora Débora não deu mole, ninguém falava nada, pelo menos não em sua frente.
 Ultima aula do dia para Caroline que quando viu o desenho pensava como seria se descobrissem que foi ela quem desenhou, ao entrar na sala, professora Débora exigia silêncio e como sua palavra era ordem, ninguém conversava em sua aula, ainda bem para o alívio de Carol , que apavora-se na possibilidade de alguém comentar sobre os desenhos, finalmente o sino tocou, Carol fez questão de ser a primeira a sair, arrumou seu material antes e estava preparada para "fugir" como o diabo foge da cruz mas para o seu azar sua mochilha ficou presa na carteira,
-DROGA!-diz ela
 Todos os alunos indo embora, a deixou ainda mais nervosa, impedindo que conseguisse soltar sua mochila, sobrou apenas a professora na sala, que estava arrumando suas coisas e Caroline tentando soltar sua mochilha, e finalmente conseguiu, saiu praticamente correndo da sala, não queria descer junto com a professora de forma nenhuma, estava descendo as escadas tão rápida que tropeçou nas e caiu ..sentiu uma dor insuportável, começou a chorar de tanta dor, a professora que estava logo atrás pôde presenciar tudo e extremamente preocupada se  aproximou, abaixando para ajuda-la.
- Meu Deus, está doendo muito?- Disse ela, tentando ver se havia algum ferimento exposto.
Carol apenas a olhou  com lágrimas escorrendo, e uma expressão de dar dó.
-acho que você torceu o pé.
-Ta doendo muito - disse, enquanto chorava.
-Vem, vou te levar ao hospital.
-Não, não, não , não precisa.
-Larga de ser teimosa menina, você está chorando de dor e acha que não precisa?-disse olhando firmemente para Caroline.
- vem, falou dando seu braço para apoia-la.
A professora colocou os braços de Carol em seu ombro e foi descendo o restante do degrau, com Caroline saltitando com apenas uma das pernas e ainda chorando muito, Foram as duas para o carro de Débora a caminho do hospital, Carol chorava como uma criança..
- hospital público não né?
- Eu não tenho dinheiro pra pagar hospital, estou falando , não precisa, vai passar...
- Vai passar? você só pode estar louca, e dinheiro não é o problema, eu vou te levar e ponto.
Carol não tinha mais condições de falar, apenas de chorar e gemer de dor ..chegando ao hospital Débora pediu ajuda para levarem a menina para ser atendida, depois da consulta soube que Carol iria ficar bem e poderia ir pra casa no mesmo dia, e o seus pais ? A professora ficou preocupada em avisar, afinal já era sete horas da noite, Carol foi liberada e estava com um semblante bem melhor.
Com um sorriso no rosto Débora perguntou
- Me parece estar bem melhor, acertei ?
- Depois de te ver sorrindo pela primeira vez até que fiquei.
- Que engraçadinha.
- Sim, estou melhor, muito obrigada.
- Não precisa agradecer..
-Claro que preciso.. afinal, fez muito por mim hoje.
Débora sorriu e sentiu algo estranho diante daquela situação.
-Vamos embora então?
- Claro.
As duas entram no carro e seguiram caminho para casa.
-Pensei em ligar para os seus pais, avisar o que tinha acontecido...
-Ah sim.
-Não quer ligar agora? Eles devem estar preocupados.
-Não tenho celular.
-Usa o meu.
-Não quero incomodar.
-Liga, tudo bem...não me importo.
Carol começou a chorar , chorava mais do que quando caiu das escadas.
-Qual o problema? porque está chorando?
-Nada - disse entre soluços
-Como nada ? olha seu estado,me fala, quem sabe posso ajudar.
Carol não conseguiu falar nada,apenas soluçava, estava totalmente abatida.
- então me peça o que quiser, só não quero ver você chorando assim, por favor..
- Não me leva pra casa.
- Como assim?
- Me leva pra qualquer lugar, por favor, não me deixe voltar pra casa, só hoje..
- E seus pais ?
- Por favor, depois te explico.
- Tudo bem! tudo bem !
"Que loucura, olha o que estou fazendo, levando uma aluna pra nem sei onde" pensou Débora.
- Minha casa, pode ser ?
- Sua casa?
- Sim, já está tarde, você nesse estado , não temos muitas opções de lugares para ir.
- Claro, pode ser, obrigada.
Ficaram as duas em silêncio até chegar ao condomínio de Débora, Ao chegarem no apartamento, Carol observou a decoração, pôde perceber que era um apartamento pequeno, algo suficiente para quem mora sozinho, muito bem decorado; já ela não chorava como antes.
-Quer beber alguma coisa ?
-Água
-Não prefere um suco?
-Se for de goiaba
-hoje você está com sorte mocinha, pois é de goiaba.
Débora serviu Carol que estava sentada no sofá.
-Bem, eu vou tomar um banho ta?
-Sim, olha desculpa,não quero atrapalhar..
-Imagina, você não está atrapalhando "não? Débora, Débora" volto rapidinho..fique a vontade.
Carol ficou sentada no sofá observando o apartamento enquanto bebia o suco,
Viu um amontoado de fotos, e se aproximou para ver o que era, eram fotos de mulheres nuas, "nus artísticos" imaginou, quando viu uma da própria Débora,ficou surpresa, o que era aquilo? sentiu um calor e um arrepio tomar seu corpo, era uma foto maravilhosa, ela estava deitada no chão com uma das pernas levantada e a outra rente ao solo, os braços esticados e seus seios completamente visíveis, seus lábios vermelhos como maça,  sua cintura fora completamente desenhada, cada curva fazia jus aos comentários que já havia escutado sobre aquela professora, ou melhor dizendo Débora tinha um corpo esculpido a mão, aquela era uma foto que nunca imaginaria que alguém aparentemente tão sério como Débora teria ousadia em tirar, e então Carol num momento de rapidez guarda a foto na mochila.
-ei, o que está fazendo?
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Um comentário:

  1. Quando vai postar o terceiro capitulo �� to ansiosa e curiosa de mais....

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