10.12.18

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1. A festa

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4.10.18

Será que é amor? - Final

"Nem toda história termina quando acaba"


Caroline ainda distante de tudo e todos saiu caminhando pela rua. Estava bastante pensativa quanto ao que a diretora havia dito para ela.
Enquanto caminhava relembrava todos os bons momentos que teve com Débora por mais que não quisesse já que aquilo tudo estava prestes a acabar.
"Será que é a melhor opção ? " " será que não deveríamos ficar juntas mesmo nos amando ?" E em busca das respostas, Caroline culpava todos.
Carol definitivamente odiava saber que em um mundo repleto de coisas tão diferentes, desde invisíveis a olho nu quanto coisas que podem ser vistas por quem quer que seja habitavam o mesmo planeta no qual também existiam pessoas incapazes de exercer empatia. Odiava saber que para essa minoria existente na terra pouco importava o que as outras sentiam. Se havia algo que ela acreditava fielmente é que cada pessoa tem o seu próprio mundo, e o mínimo que ela ou qualquer outra pessoa poderia fazer era respeitar o mundo um do outro.Se esse outro não está fazendo mal a ninguém, por que insistem em julgar?! Diante de tantos pensamentos, Caroline já ia quase se esquecendo do encontro que havia marcado com Débora. Provavelmente ela chegaria atrasada no aeroporto mas mesmo assim foi, torcia para que Débora a esperasse. Logo após se despedir do primo, Débora foi direto para a área de embarque. Sentada no banco pensava no seu reencontro com sua ex, lembrava de como tudo foi tão dolorido, tudo que havia acontecido entre elas fora guardado a sete chaves. Débora nunca dividiu toda a história com ninguém e isso as vezes a sufocava. Ela precisava contar para alguém, e estava decidida que esse alguém seria Caroline. Quanto mais o tempo passava mais ansiosa ficava, parecia que tinha ficado meses sem vê-la quando na verdade não passou de um dia.
A última vez que havia sentido tanto amor por alguém se decepcionou tanto a ponto de não querer se envolver com ninguém mais entretanto não seria digno e muito menos justo comparar o amor que sentia por Carol, definitivamente aquele era um sentimento único. Depois de esperar um tempo razoável, Débora embarcou no avião. Que a vida é uma caixinha de surpresas Débora tinha certeza, se certas coisas aconteciam por coincidência ou sinais foi uma pergunta que ela sempre fez desde a infância e nunca encontrou a resposta. Coincidência ou sinal, Débora assim que se sentou no avião, se deparou com uma mãe que brincava com seu filho. O garoto estava completamente agitado enquanto a mulher parecia perdida. -Calma. É só um aviãozinho. Olha lá, se você ficar aqui vai conseguir ver o céu - falou Débora carinhosamente com a criança enquanto apontava em direção a janela, o menino ficou super atento assim que ela se dirigiu a ele. O garoto logo se animou e prestou atenção no que ela disse, sentou em seu colo e ficou olhando pela janela. Débora ofereceu seu lugar para a mãe da criança para que ele ficasse ao lado da Janela. A mulher ficou bastante agradecida e aceitou a troca de lugares. Por um momento Débora imaginava o quanto seria incrível formar uma família e ter filhos para cuidar, por outro, lembrava das coisas que já havia feito e sentia que aquilo talvez não fosse para ela. -Você também tem filhos ? - perguntou a moça. -não, não tenho- respondeu simpática enquanto retirava o livro da bolsa. -Eu tenho só ele mas acredite, vale por três. As duas riram. - Você parece ser dar muito bem com crianças. - comentou a mulher. - sim, eu gosto de crianças. Não tenho filhos mas pretendo ter algum dia.-falou enquanto olhavam o garoto brincar. - filhos são uma dádiva. Minha gravidez não foi planejada, quando descobri achei que meu mundo tinha acabado mas hoje vendo que ele é o amor da minha vida, sei que foi a melhor coisa que fiz. As vezes não entendo como existem mulheres que abandonam os filhos ou então são capazes de abortar, matar uma vida. - Talvez essas mulheres não precise que você a entenda, apenas as respeite. - comentou Débora sorridente sem olhar para a mulher pois folheava discretamente as páginas de seu livro. - Eu nunca respeitaria esse tipo de mulher, na verdade não são mulheres e sim assassinas. Dignas de penas. Débora por mais que discordasse da mulher tentou não julgar seu pensamento ou responder com agressividade, optou apenas por questiona-lá de alguma forma. -Quando você engravidou, todos te ajudaram e parabenizaram pela gravidez? -não. Pouquíssimos não me apontaram o dedo dizendo o quão errada eu estava e o quanto eu havia destruído a minha vida. Minha mãe ficou ao meu lado, foi praticamente a única enquanto meu pai me condenou a gravidez inteira, meus tios então. - por que você não tenta ser sua mãe na vida de outras mulheres ao invés de ser seu pai ? - como assim? Não entendi. - Só estou dizendo que não seja mais uma que crucifica e aponta o dedo, seja alguém que busque compreensão e que ofereça ajuda. - Você está me dizendo para ajudar mulheres que abortam ou abandonam seus filhos ? - Ajudar é melhor que condenar. - confirmou Débora. - você é daquelas a favor da morte de bebês inocentes ? - falou a garota um pouco irritada. Débora parou de folhear as páginas do livro e encarou a moça. - Ainda não tenho opinião formada sobre esse assunto. Mas quando criança, meu pai sempre me levava para igreja e instituições de caridade. Conheci Freiras que se disponibilizaram a ajudar mulheres grávidas, nunca as vi julgando ninguém, obviamente elas eram contra o aborto. Mas lembro perfeitamente do trabalho social no qual elas faziam. Iam em clínicas da pior espécie na tentativa de convenceram mulheres que aquilo não era o melhor a ser feito, disponibilizavam casa, comida, carinho e amor. Elas não lutariam ou lutavam para que o aborto fosse legalizado mas escolheram acolher mulheres ao invés de julga-la ou desejarem a morte. E se tem algo que aprendi foi que se não for pra estender a mão, não semeie o mal. - bonita história, mas nada me comoveu. Mulheres que abandonam seus filhos e abortam bebês deveriam apodrecer na cadeia. Débora pensou em refutar a garota mas optou por ficar em silêncio. Depois de tanto ser julgada por pessoas que não conheciam um terço da sua história ou do que se passava com ela, definitivamente apontar como errado escolhas alheias não estava no seu caderninho de obrigações. Assim as duas passaram o voo em silêncio, enquanto a mulher brincava e conversava com filho. Débora lia um livro que falava sobre a história de duas mulheres que haviam se apaixonado durante o século XIX. Caroline assim que chegou no aeroporto foi andando rapidamente para o local de desembarque mas logo que chegou lá descobriu que o voo no qual Débora estava chegaria atrasado. Ela ficou aliviada, acabou se sentando em uma cadeira e em seguida pegou uma revista que estava sobre a mesa. Carol folheava a revista mas mal conseguia se concentrar para ler qualquer coisa que pudesse está escrito ali, sua mente estava tumultuada demais para focar em uma simples leitura, nunca esteve tão ansiosa para ver Débora, pareciam que tinham passado tanto tempo longe uma da outra que não via a hora de vê-la passando por aquela porta em sua direção. Caroline estava completamente entediada e sua mente não parava de pensar por um segundo, estava se sentindo sufocada prestes a sair dali para tomar um ar, até que avistou no painel que o voo de Débora havia acabado de chegar, por um instante seu coração acelerou mais forte, deu um sorriso espontâneo só por saber que ela havia chegado. Caroline continuou sentada só que dessa vez encarava a porta de entrada para quem estava saindo da pista em direção a entrada, não via a hora de ver Débora saindo por lá, não se passaram mais de cinco minutos e ela finalmente passou pela porta. Se por um lado Caroline poderia sair correndo em direção em sua direção e pular em seu colo por outro lado esse tipo de atitude não fazia parte de sua personalidade um tanto quanto contida, que fez questão de sorrir e permanecer sentada até que Débora se aproximasse. Assim que Débora aproximou-se, Caroline levantou e a abraçou bem forte. Abraços fortes vindo dela não era novidade para ninguém mas aquele tinha algo de diferente, foi intenso, carinhoso e ao mesmo tempo reconfortante. Débora retribuiu abraçando-a na mesma intensidade. As duas não trocaram uma palavra se quer, apenas olhares e toques. Débora beijou Carol no rosto enquanto apertava sua cintura, Caroline por sua vez retribuiu dando um beijo no canto de sua boca, uma ação que deixou Débora bastante surpresa. -Sentiu muitas saudades de mim ? - perguntou Débora sussurrando em seu ouvido. -você ainda pergunta ? - respondeu Caroline se desvencilhando e a fitando nos olhos. As duas sorriam incisivamente uma para outra, ficaram de mãos dadas enquanto trocavam olhares. -Acho melhor irmos. - falou Débora que em seguida pegou a mão de Caroline indo para a saída do aeroporto. Num primeiro momento Carol sentiu receio por pegar a mão de Débora em um local público, mas estava tão feliz que todas as coisas ruins que estava pensando foram se esvaindo. Até porque pouquíssimas pessoas as olharam de maneira diferente. Débora pediu um táxi e as duas foram em direção a sua casa. No caminho, não conversaram muito, apenas entrelaçam os dedos e seguraram com firmeza a mão uma da outra. Débora acariciava a mão de Caroline que retribui-a da mesma forma. As vezes uma olhava para a outra e os olhares se encontravam, outra hora uma olhava para a boca da outra e sorriam ao perceber esse pequeno detalhe, Caroline ao perceber que Débora olhava tanto pra sua boca quanto ela olhava pra dela fez questão de morder os próprios lábios.
Aquelas trocas sutis de desejo fazia o clima esquentar discretamente. Débora não esperava chegar a hora para irem direto para o seu apartamento. Estava com tantas saudades de Caroline que era uma tortura ter que esperar para beija-la. Vendo as provocações da garota, Débora passava suas unhas entre as coxas de Carol, arranhava desde em cima até chegar aos joelhos. Mesmo sobre a calça dava para sentir as unhas suas unhas deslizando sobre sua coxa e isso deixou Carol completamente arrepiada que em seguida soltou um sorriso demonstrando não só nervosismo como também excitação ficando ainda mais claro quando ela passou a mão no pescoço e se abanou. Débora riu da situação, sentia-se vingada já que Carol adorava provoca-la por que não ser provocada também?!.
-Está calor aí atrás ? Posso ligar o ar - falou o motorista olhando pelo retrovisor. Caroline ficou sem jeito e respondeu que não precisava, Débora apenas riu. Como já estavam mais próximas da casa de Débora, as duas ficaram em silêncio. Tanto uma quanto a outra optaram por não se tocarem mais, era notável o desejo que emanava ao sentir a pele uma da outra. As vezes trocavam olhares mas uma desviava da outra. -É perto da rua quatro ?- perguntou o motorista. -Isso mesmo, segue em linha reta e vira a esquerda. - Sim senhora. O motorista seguiu como Débora havia guiado e finalmente chegaram ao prédio. Assim que entraram no condomínio, foram cumprimentadas pelo porteiro que estava bastante animado escutando seu famoso rádio. Elas seguiram para o elevador no qual estava completamente vazio, para a sorte das duas que assim que entraram trocaram intensos olhares de desejo. Caroline se jogou encima de Débora, a prensando contra o elevador, começou beijando-a de forma tão intensa que até ela estranhou no início mas nada que a fizesse não gostar daquela dominância vinda de Carol. Caroline beijou de forma quente e intensa, entrelaçaram suas línguas e percorria seu corpo com as mãos, suas mãos apalpavam cada parte e detalhe das curvas de Débora, ela pegava com firmeza e um tanto quanto de forma bruta, entre um beijo e outro, mordia os lábios de Débora, os puxando para trás, eles estavam ficando completamente vermelhos, uma cor extremamente bonita aos olhos de Caroline que começou descendo pelo pescoço, dava beijos e leves lambidas, Débora nesse momento já estava sem reação, apenas jogou a cabeça para trás enquanto a garota beijava seu colo com veemência. -Espera, aqui não tem câmera ? -perguntou Caroline. Débora completamente excitada mal ouviu a pergunta pois só conseguiu perceber que Caroline havia parado com o que estava fazendo. -Não para -falou entre palavras cortadas. A porta do elevador se abriu de repente.
Ver Débora nitidamente diferente do habitual foi uma surpresa para sua vizinha Valentina, que poderia imaginar o que as duas estavam fazendo ali, dessa vez Débora que ficou sem jeito com a situação. -Boa noite - disse Débora cumprimentando-a. Caroline por sua vez apenas sorriu e a encarou. A vizinha retribuiu os bons modos de forma bastante simpática, as duas saíram e ela entrou mas antes de fechar a porta não deixou de comentar. -Belo chupão Débora. - disparou enquanto sorria. Nessa hora a porta do elevador se fechou, Débora sorriu completamente sem graça com o comentário que acabava de ouvir. -não acredito que ela falou isso - disse Carol. -acontece. Vem - respondeu Débora puxando Caroline pelas mãos para irem para seu apartamento. -essa mulher é muito descarada. -esquece ela. -esquece e ela ? O que ela tem a ver com seu chupão ? - questionava a garota ainda inconformada com a petulância da mulher. Assim que abriu a porta, Débora rapidamente a fechou, deixou a mala ali mesmo. - Ela eu não sei, só sei que quero que você faça mais. Muito mais, me deixar marcada não será problema algum- falou Débora que em seguida beijou Caroline. As duas começaram a se enroscar uma na outra, foram caminhando para o sofá sem parar de se beijarem, entre mão bobas daqui e dali Débora jogou Carol contra o sofá e em seguida sentou-se encima dela, continuaram beijando com voracidade. Antes de tirarem suas vestimentas trocam diversas declarações. -Eu estava morrendo de saudades - falou Carol enquanto era beijada no pescoço. -Eu também, muita. Eu te amo tanto - disse Débora enquanto olhava para Caroline.
Ficaram se olhando e era como se uma pudesse e fosse capaz de decifrar a outra apenas com o olhar. -Estou com medo- falou Caroline rente aos lábios de Débora que ficou parada ali durante um breve tempo. Débora então a abraçou, saiu de cima de Carol edeitou-se ao seu lado, as duas ficaram em silêncio, abraçadas e deslizando com toques suaves o corpo uma da outra, respiravam com mais leveza e calma. -Perdeu a vontade? - perguntou Caroline em tom brincalhão. Débora olhou para Carol por alguns instantes sem dizer absolutamente nada. -O que foi? aconteceu alguma coisa? -Antes da viagem, por que você me tratou daquele jeito? -Está perguntando porque me recusei a fazer sexo com você? -Sim, por que?. -É que por algum motivo você esconde as coisas de mim e acaba que fazer sexo é seu melhor remédio mas não é o que vai te fazer bem e nem me fazer bem, queria que entendesse isso. -E o que vai me fazer bem? -Conversar. Ao mesmo tempo que você tem segredos, pensamentos, ideias, sentimentos que não contam a ninguém por algum motivo quero que saiba que estou aqui, nunca vou usar nada do que me contar contra você mas por favor só não fuja de mim ou tente me fazer alguém que você só gosta de transar. -Você sabe que você não é essa pessoa na minha vida Caroline, Você sabe disso. -Então por que não me conta sobre você? sobre a pessoa que você já foi e não é mais? Por algum motivo Caroline compreendia Débora de maneira que ninguém se quer já tentou a compreender e isso fazia Débora se sentir acolhida e amada, depois de tudo que havia acontecido em sua vida, Débora não se via confiando e acreditando em outro alguém, se divertir através de festas e sexo sempre foi o ideal para uma vida sem mais decepções. Débora se levantou do sofá e convidou Carol para irem para o quarto chegando lá pegou uma caixa que ficava em seu guarda-roupa, uma caixa grande no qual estava trancada, Débora levou para a cama onde Caroline estava sentada esperando o que havia de tão importante lá dentro que precisava até de senha para abrir. -Aqui eu guardo algumas coisas que me fazem lembrar... -Do seu filho? - perguntou Carol. -Ele não é meu filho.. Caroline confirmou com a cabeça e compreendeu o significado de filho e mãe para Débora, e de certa forma concordava com aquilo, concordava que para ser mãe não bastava ter o mesmo sangue ou gerar, se mãe era ter laços além do biológico Débora abriu a caixa e havia muitas cartas, alguns documentos, e poucas fotos. Entre as fotos tinha uma que era ela e da ex namorada concluiu Caroline que sentiu seu coração acelerar mais do que o normal. Questionava a si mesma porque Débora ainda guardava essas coisas que faziam lembrar de sua ex, uma leve insegurança começou tomar conta do seu interior. -Eu a encontrei hoje. - Falou Débora encarando Caroline que de imediato sentiu seu coração quase saindo pela boca mas mais do que nunca tentou manter a serenidade que ela sabia que tinha que ter e era disso que Débora precisava no momento, alguém para escuta-lá. -E não conversamos tanto pois ainda estou bastante magoada por tudo o que aconteceu, acho que durante todos esses anos eu nunca a perdoei. Ela estava tão bem e tão feliz enquanto me senti presa durante todo esse tempo, presa no passado, presa na mágoa que carrego dela até hoje. -O que ela fez de tão ruim para te deixar assim? - perguntou Carol tentando entender o que se passava com Débora, entrelaçou seus dedos entre os delas e apertava suas mãos de forma carinhosa.
Débora respirou fundo e abraçou r=Carol. As duas passaram alguns minutos daquela forma e em silêncio até que Débora começou a chorar continuamente. Caroline a puxa para o centro da cama e se deita fazendo com que Débora deitasse sobre seu peito. Após se acalmar um pouco, Débora começou a falar, um pouco receosa mas ainda sim disposta a dizer tudo que estava entalado em sua garganta. -Antes de tudo se arruinar, éramos muito amigas, éramos cúmplices, contávamos todos os segredos uma para a outra até que um dia ela me beijou, eu nunca tinha imaginado ficar com uma mulher mas depois do beijo comecei a sentir algo que nunca tinha sentido antes, por ninguém, era como se algo me preenchesse depois de tanto tempo vazio. Contava Débora que em determinado tempo parou. -Desculpe. -pelo que ? - perguntou Carol. -por fazer você ter que escutar essas coisas, só quero que saiba que eu não sinto mais nada por ela- falou Débora se levantando para olhar nos olhos de Caroline. - Eu entendo, não precisa me explicar. - preciso,você sabe que sim. Eu te amo Caroline - afirmou Débora olhando para Carol com ternura. -Continuando, ela me fez sentir a mulher mais amada do mundo durante o tempo que passamos juntas mas no final nem amiga ela foi justo ela que sempre foi minha amiga então o mínimo que esperava dela era consideração. Tínhamos planejado nosso casamento, quantos filhos iríamos ter e qual casa iríamos morar. -falava Débora completamente comovida ao se lembrar da história, nitidamente ela vivia suas emoções do passado ao lembrar cada detalhe e mágoa que ainda tinha de sua ex. Caroline ficou nitidamente surpresa ao saber que Débora pretendia se casar. - Essa parte de casamento... Pensei que vocês foram apenas namoradas - nosso " noivado" se assim podemos dizer durou poucos meses. Mas estávamos bem antes de tudo acabar, tanto que na época o sonho dela era ter um filho mesmo eu não querendo por não ter assumido nada para minha família ainda. - vocês planejavam inseminação artificial ? - Era o ideal, eu queria isso, pensava no procedimento sim mas depois, depois de nos casarmos e antes de casar eu pretendia contar tudo para minha família independente do que eles poderiam fazer mas para isso eu tinha que terminar minha faculdade,conquistar minha independência. Ela dizia concordar mas no fundo se incomodava de termos que esconder nosso relacionamento por minha causa. - Entendi. E depois ? - perguntou Carol atenta em tudo que Débora havia para dizer. - E depois que um amigo dela que morava na Itália veio visitá -la, passar as férias no Brasil, se hospedou na casa dela e.. - e aí ela te traiu? - perguntou Carol intrigada. - não - respondeu rindo - quer dizer, não que eu saiba.- corrigiu a resposta anterior vendo que a traição era sim uma possibilidade mas nada que motivou o término. - aconteceu que ela queria muito ter um filho, mesmo não estando tão estruturada no momento, nem eu e nem ela. Nunca imaginei ter um filho antes de ao menos está formada, ela só trabalhava. Entende que não era loucura da minha parte não querer ter filhos ? -Entendo. E acho que você estava certa - falou Caroline dando as mãos para Débora. -Eu também achava que estava certa. Mas mesmo assim ela insistia constantemente para que tivéssemos um. Insistiu tanto que eu aceitei - finalizou Débora cabisbaixa. Por mais que ela tentasse não chorar era difícil diante das lembranças. -como assim? O que vocês fizeram ? - questionou Caroline. -Ela me convenceu que ao invés de gastamos o dinheiro que não tínhamos em inseminação artificial podíamos fazer do método tradicional, aliás, eu fiz. -Com o amigo dela ? Débora confirmou balançando a cabeça ainda derramando lágrimas. Caroline a abraçou com força, acariciava suas costas enquanto escutava Débora chorar. -Se não quiser continuar, vou entender... - disse sussurrando eu seu ouvido. Débora se desvencilhou de Caroline e enxugou as lágrimas no lenço que segurava em suas mãos. -Não, eu preciso continuar - disse dando uma longa respirada para continuar. -Eu não queria transar com ele mas mesmo assim ela insistiu e acabou me convencendo que seria bom, eu a amava tanto, estava disposta a fazer qualquer coisa para que ficássemos juntas, eu queria que desse certo, ela falou que seria mais fácil e de fato seria e poderíamos em breve ter uma família e hoje.. - deu uma pausa antes de continuar. -vendo tudo hoje, eu não sei se me arrependo por tudo que fiz ou fico feliz por ter gerado uma vida, afinal , ele não tem culpa, é só uma criança. Caroline apertou a mão de Débora e a olhava com carinho e compreensão, tais gesto eram o suficiente para Débora se sentir segura e acolhida ainda mais por Carol. -Naquela noite bebemos para relaxar e então fomos nós três para a cama. Lembro que de fato ficamos os três mas ele penetrou apenas a mim. Lembro também que bebi tanto para não poder me lembrar daquela noite. Foi a última vez que fiquei com um homem, foi tão ruim - falou rindo. Caroline acompanhou com a risada. -Mas por que depois de tudo vocês não ficaram com ?? -ela não sabe. - falou Débora incisiva. -como assim ? Ela não sabe que você ficou grávida ? Que você teve a criança que tinham planejado ? Débora negou com a cabeça. -Continuamos bem até o segundo mês depois dessa noite, até ela ganhar uma bolsa para estudar fora do país. Não que eu queria que ela desistisse de tudo mas ela não se importou nem de me contar. Sabia que eu descobri apenas quando fui para a casa dela contar que todos da minha família já sabiam sobre a gente ? Caroline balançou a cabeça confirmando e em seguida abraçou Débora. -E quem sabia que você estava grávida? -mamãe e algumas pouquíssimas pessoas. Ela me ajudou durante a gravidez e depois. Sei que devo isso à ela mesmo não sento a mãe mais compreensiva do mundo e me julgando e condenando por ser lésbica, ela ainda foi mãe nesse período da minha vida. - disse entristecida. As duas ficaram se entreolhando por alguns minutos até que Débora abraça Caroline com delicadeza e em seguida a beija. -Obrigada por tudo.- disse pausadamente enquanto beijava sua boca. Caroline a abraçou com mais firmeza trazendo Débora rente ao seu corpo. As duas começaram a se beijar carinhosamente até pegarem no sono. Assim que Carol abriu os olhos depois de ser acordada ao som de fortes batidas na porta, Débora também acorda em seguida, se levanta tão assustada quanto Carol. -O que é isso ? - perguntou Débora ainda sonolenta mas bastante pávida. As batidas permaneciam insistentemente. -É melhor você não abrir. - falou Carol indo atrás de Débora que se dirigia a caminho da porta. -Não deve ser nada demais. O porteiro não deixaria alguém estranho entrar - falou tentando tranquilizar. Assim que abriu a porta, Débora se deparou com Vivian aparentemente aflita. -O que houve ? Perguntou Débora. -olha isso - falou Vivian entregando o celular. - não acredito. - falou Débora incrédula diante do que estava vendo. Caroline não conseguiu entender nada do que poderia está acontecendo ali. Será que não teriam paz ? O que poderia ser tão ruim quanto tudo que já estava acontecendo?! -O que foi ? Foi a Juliana ? O que ela fez dessa vez ?! - perguntou Caroline que ora encarava Débora ora encarava Vivian que permaneceram em silêncio.






Será que é amor acabou?

Será que é amor estará disponível em forma de livro digital no qual estará disponível a história completa, todos os capítulos até aqui e a continuação até finalmente acabar.
Fazer da minha história preferida em livro é um sonho no qual poderei transformar em meu trabalho, não somente a história como os detalhes desde formatação, design estarão sendo preparados com bastante carinho para cada leitora que me acompanhou até aqui, agradeço por lerem, por me acompanharem e principalmente por gostarem/amarem a história tanto quanto eu.
Agradeço do fundo do meu coração. obrigada pelas mensagens, depoimentos e todas mensagens de carinho que me mandam. Desculpem a demora nas postagens, sei o quanto isso é ruim para você que está lendo.
Quero me comprometer a fazer do site "Bler contos" meu trabalho no qual o meu compromisso com vocês não será apenas proporcionar histórias emocionantes e apaixonantes mas também me comprometer a postar com frequência e de maneira periódica, quero fazer disso meu trabalho e espero que entendam.
O livro estará disponível ainda nesse ano de 2018, mais precisamente em Dezembro. 
Avisarei a todas que se inscreverem nessa lista (clique aqui)  por e-mail e whats app quando estiver disponível, ou então basta acompanhar nossas redes sociais que postarei por lá também.

SORTEIO NO INSTAGRAM

Farei um sorteio do livro digital "será que é amor" no nosso perfil do instagram @blercontos assim que chegar a dez mil seguidores, então nós siga e fique de olho para participar.

Obrigada por quem leu até aqui e aguardem com carinho e compreensão o término dessa história, espero não apenas surpreende-lás mas que de alguma forma cada personagem marque suas lembranças. 
Até breve minhas leitoras.


Beijos da bler.

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9.9.18

Será que é amor? - Capítulo 69


Débora, ainda sem jeito de vê-la ali, apenas sorriu e retribuiu o cumprimento.
- Oi! - disse já sendo abraçada pela mulher.
- Quanto tempo! - disse Débora retribuindo o abraço ainda sem jeito.
- Bastante. Nos esbarramos hoje cedo e fiquei na dúvida se era você, mas te vendo aqui, impossível não ter certeza. Como você está linda! - afirmou a moça sorridente.
Débora por um momento ficou bastante sem graça, não sabia o que dizer.
Sua ex de volta e agindo como se da última vez que se viram não tivesse acontecido uma das suas piores e maiores brigas. Coisa que Débora odiava relembrar, mas por outro lado já fazia tanto tempo que não teria o porquê de remoer o passado. “O passado, no passado ficou!” mentalizava.
- Obrigada. Você também está ótima. - dizia sorrindo.
- Eu fiquei na dúvida se era você, mas agora vendo-a aqui não tem como errar. – riram juntas. 
- Quer sentar? - convidou a moça.
Débora ficou indecisa se deveria aceitar ou não, visto que havia ido com seu primo que a avistava de longe e pôde entender a situação. Mesmo com um pouco de receio, aceitou. As duas se sentaram em uma mesa fora do bar. Era mais calmo e silencioso, não havia necessidade de conversar aos gritos.
- Quanto tempo! - disse ela completamente sorridente.
- Muito tempo. Mas como você está? Faz tempo que voltou para cá? - perguntou Débora curiosa e ao mesmo tempo hesitante com toda aquela situação.
A mulher acenava para o garçom e assim que ele chegou pediu dois uísques, sabia que era uma das bebidas favoritas de Débora.
- Não! Só um... Eu não estou mais bebendo. - exclamou dirigindo-se ao garçom.
- Sério? Tudo bem! Não vou insistir. - sorrindo voltou a olhar para Débora.
Assim que o garçom se foi, houve um breve silêncio entre as duas, algumas trocas de olhares que Débora tentava esquivar.
- Respondendo à sua pergunta: estou muitíssimo bem! Voltei já faz alguns anos. Infelizmente a saudade apertou e eu particularmente amo esse país. - falava sorridente.
Débora sorriu em resposta e em seguida continuou.
- Realmente nosso país é maravilhoso apesar dos diversos problemas. Está aí uma coisa que eu não teria coragem: morar definitivamente em outro país.
- Nada mudou, você e seus medos. - falou enquanto bebia um copo d' água e a fitava com os olhos.
- Bom, muitas coisas mudaram... - sorriu timidamente.
- Está namorando? – perguntou atenta.
- Sim. Namorando e completamente feliz. - afirmou Débora. Em seguida a moça riu.
- O que foi? –questionou sem entender muito bem sua atitude.
- É que não  foi isso que escutei por aqui. Você sabe, as notícias correm.
- E como sei... - mexeu suavemente o copo analisando o que havia escutado
 - mas no final das contas ninguém sabe o que realmente acontece. Só especulam e falam.
- Devo concordar com você.
As duas se entreolharam e o garçom finalmente chegou com a bebida. Débora continuou com sua água enquanto sua ex bebia uísque.
- Mas me fala, não sentiu saudades de mim? - perguntou enquanto pegava o copo despretensiosamente.
Débora realmente não entendeu onde ela queria chegar com aquela pergunta.
- Como assim?
- Não me telefonou... Não atendia minhas ligações... Sumiu! Você sumiu da minha vida sem nem dizer tchau.
Débora até que tentou não discutir sobre o passado, mas não deu, revidou as afirmações sem nem pensar duas vezes.
- Não precisei dar tchau, pois você fez isso por nós duas não é mesmo? Lembra-se de quando eu implorei para que ficasse e você simplesmente foi sem olhar para trás? Pois então, aquela foi a nossa despedida. - despejou na mesa acarretando uma troca de olhares intensos e uma fala completamente carregada de mágoas.
- Eu sei. Desculpe - pegou em sua mão, fazendo que ela imediatamente se desvencilhasse.
O silêncio se instaurou ao se olharem com firmeza, até que a mulher interrompeu com uma pergunta não muito agradável para Débora.
- Você ainda não me perdoou não é mesmo?
Débora fitou-a com os olhos semicerrados e preferiu não responder àquela pergunta. Logo tratou de desviar o assunto.
- Você soube que meu pai morreu?
- Sim. Meus pêsames. Não toquei no assunto antes por saber que não gosta de falar sobre mortes, doenças, despedidas e quaisquer coisas do gênero.
- Eu deveria te agradecer por isso?
- Não, mas também não precisa ficar arisca comigo.
Débora respirou fundo, sabia que ela tinha razão. Já havia tempo que ela tinha deixado a adolescência. Não tinha o porquê de alimentar tal sentimento.
- Você tem razão. Quais as suas novidades?
- Me formei em administração e agora estou abrindo um negócio em parceria com papai.
- E quase ia esquecendo de algo não menos importante, fiquei noiva. - falou mostrando o anel para Débora que nesse instante ficou apreensiva.
Encarando o anel, Débora sorriu não conseguindo disfarçar a tensão.
- Ela é daqui. Vamos nos casar ano que vem e se tudo der certo, iremos engravidar. Você sabe, sempre foi meu sonho ser mãe.
Após escutar tais palavras vindo de sua ex, Débora sentiu-se agoniada. Não poderia mais se calar diante de tudo que havia acontecido como se nada tivesse acontecido.
- Então você deixou de ser uma irresponsável e agora realmente quer ter filhos? - perguntou com um ar irônico.
A moça respirou fundo e a encarou.
- Por que? - perguntou.
- Por que o que?
- Por que está me tratando assim?
Débora engoliu a seco. Por mais que quisesse explanar tudo o que havia acontecido com ela no passado optou por não dizer nada. Se ela falasse qualquer coisa naquela mesa iria trazer de volta tudo que já havia acontecido e o laço que poderia vir a ter com sua ex estaria perdido. E isso não estava em seus planos.
- Não importa. Já está na minha hora. - falou olhando para o relógio.
- Eu sei que é alguma coisa. Só tenho que saber o que é.
- Não é nada. Apenas mágoa do passado. - tentou amenizar a situação. Em seguida Débora fora para o banheiro. A mulher deixou a conta paga encima da mesa e a seguiu.
- Espera! - falou segurando em seu braço. - Me fala! - insistiu a moça.
Débora encarou-a rapidamente ao ouvir, por coincidência, seu primo chamando-a de longe.
- Tenho que ir. Foi um prazer te rever. - falou saindo em direção ao seu primo.
Dessa vez, ela não foi seguida. Débora estava aliviada. Vê-la ali depois de tanto tempo insistindo para que contasse o que havia acontecido de certa forma mexeu com seu raciocínio, coisa que ela jamais queria ou pensava em fazer, mas por algum motivo fez.
- Você está bem? - perguntou o rapaz.
- Sim. Só quero ir para o aeroporto.
Débora optou por não comentar sobre o que havia conversado com sua ex. Os dois se despediram e logo estavam indo em direção ao aeroporto, até que o celular de Débora tocou. Ao ver que era sua mãe optou por não atender. Minutos depois o celular do seu primo também tocou, Débora praticamente implorou para que ele não atendesse e depois de muita insistência ele também não atendeu o celular.
- Não acho que o que você esteja fazendo é certo. - comentou o rapaz.
- Tudo bem. Eu não sou de fazer muitas coisas certas mesmo.
- Não quer falar sobre nada?
- Só quero chegar em casa. - finalizou Débora pensativa.
Aquele dia tinha sido bastante diferente do comum. Não pior que os outros dias, mas inusitado e cheio de lembranças. Ela só queria chegar em casa e encontrar Carol, um pouco de paz depois de tudo era o que precisava.
Caroline ao desligar o celular devolveu de imediato para o lugar onde estava. A casa estava silenciosa, então resolveu desacumular os livros da prateleira. Mas ao mexer entre suas coisas se deparou com o livro "O Guarani", de imediato lembrou no dia que se esbarrou em Débora e o quanto ela havia sido ignorante. Sorriu para si mesma, era tão engraçado tudo aquilo, por mais que ela buscasse lógica e explicações para o que acontecia em sua vida, não encontrava explicações para situações como aquela.
Sempre imaginou que namoraria ou se apaixonaria por alguém no qual teria uma amizade prévia, de longa data, já que desconfiada o suficiente para confiar em alguém, mas com Débora foi tudo tão diferente.
Entre pensamentos nostálgicos, Carol foi interrompida por seu irmão que a gritava como se estivesse morrendo.
- O que foi? - gritou do seu quarto.
- Estão te chamando lá fora.
- Quem?
- E eu por acaso vou saber
? - falou com ignorância.
Ao sair na porta, Caroline se depara com a diretora. De imediato sentiu um cala frio, pois não tinha ideia do que a diretora da escola poderia querer com ela.
- Caroline, como você está? - perguntou amigavelmente.
- Estou bem - respondeu receosa. - bem e bastante surpresa.
- Imagino, desculpe aparecer assim. É que gostaria de conversar com você. Podemos?
- Claro. - concordou Caroline explicando-se que não poderiam conversar em sua casa.
Márcia então propôs que fossem para algum lugar para conversarem melhor. Carol entrou em casa e avisou seu irmão que mal prestou atenção no que a garota estava dizendo e em seguida saiu.
- Conheço um restaurante aqui perto, está com fome?
Caroline pensou em recusar, mas imaginou do que poderia se tratar o assunto e era sua obrigação conversar com a diretora. Não podia deixar que qualquer coisa fosse apenas responsabilidade de Débora, então aceitou o convite.
Assim que as duas chegaram foram direto para as mesas.
- Acredito que você deve imaginar o porquê estou aqui. - disse Márcia.
- Imagino, mas prefiro que você fale exatamente do assunto que quer tratar comigo.
- Caroline, eu tentei te ajudar. Você sabe disso.
- Sim, eu sei e agradeço por isso, mas eu “tô” bem!
- Não, você não está bem. Tínhamos combinado que você focaria apenas em estudar, foi sua promessa.
- Eu estou estudando. - confrontou Caroline.
- Suas notas não estão nada boas. Acreditei que você teria condições de ganhar a olimpíadas de matemática, tanto que permiti sua viagem com a Débora. E agora você se envolve justamente com ela? Eu penso que... que permiti tudo isso acontecer. Eu sei que você não é uma criança e sabe muito bem das consequências dos seus atos, mas também não sei se posso continuar confiando e acreditando em você, Caroline.
- Eu sei que minhas notas estão ruins, mas eu também sei que posso melhorar. E quanto à Débora, aconteceu. Você sabe como a minha vida estava, ela apareceu e...
- É nesse ponto que queria chegar. - Falou a diretora que continuou sem pensar duas vezes. - Quando te conheci, você era uma menina tão sozinha que precisava muito de alguém para cuidar de você, de carinho que seus pais nunca te deram.
Caroline abaixou a cabeça e só de escutar as palavras de Márcia, lágrimas desceram pelo seu rosto.
- Eu me dispus a te ajudar. Consegui uma vaga aqui na escola, um emprego para seu pai e encontrei essa casa para que vocês pudessem morar. Eu sei que não te acompanhei tão de perto como eu prometi mas eu fiz o que pude e qualquer coisa você sabe que poderia contar comigo. Não sabe? - perguntou delicadamente.
Carol confirmou com a cabeça.
- A professora Débora apareceu em um momento que você estava frágil, carente, precisando de alguém e sei que ela te supriu em todos esses aspectos. - Continuou a mulher - Devo concordar que ela é uma pessoa maravilhosa e digna da sua paixão.
Caroline levantou a cabeça e encarou Márcia.
- Mas você é aluna. Ela é professora ha anos em nossa escola. Sem contar que seu pai não concordaria com isso, me corrija se eu estiver errada.
- É. Ele com certeza não concordaria com nada disso. - falou Carol.
- Eu sei que você é uma menina inteligente, que pensa no seu futuro, que quer se tornar uma mulher independente e te apoio por pensar assim. Mas meu amor... as coisas não estão certas, Débora foi sua primeira paixão e vão surgir outras.
- Não vão, eu quero ficar com ela. Você não entende?
- Calma. – falava de forma serena. - Eu imagino que é isso que você queira, mas infelizmente não vivemos só de amor. Você sabe disso. Use sua razão, pense com a cabeça, Caroline. - repreendeu a diretora.
- Tudo bem. Que tal irmos direto ao ponto? - indagou Carol.
- Eu apenas quero conversar com você.
- Estou vendo que está tentando me convencer o porquê não ficar com Débora, mas quais serão as consequências caso eu ainda queria ficar com ela? Deixar tudo bem claro facilitaria tudo, não é mesmo? - falou Caroline um tanto quanto irônica.
- Eu a demiti. Mas ainda posso voltar atrás.
Caroline a fitou com os olhos. Seu coração acelerava ainda mais.
- Você teria que sair da escola.
Caroline de imediato respondeu.
- Tudo bem. Eu saio - falou mais contente.
- Não é simples assim, Caroline. Se você sair da escola, você vai ter que voltar para sua cidade com seu pai.
Caroline ficou surpresa. Era como se Márcia tivesse a punindo por ter se apaixonado por Débora.
- Se você insistir nesse "relacionamento" a professora Débora vai ser dispensada da escola, provavelmente seus pais logo saberão e eu mesma terei que conversar com eles e de todos os alunos, caso todos fiquem sabendo. Isso não seria bom para ninguém. É isso que você quer?
Caroline engoliu a seco. Não era isso que ela queria. Nunca foi!
- O que você quer?
- Você sabe muito bem o que eu estou te pedindo. Eu concedo férias para ela, você fica até o final do semestre e depois muda de escola, eu posso te ajudar com isso. Você sabe. O que não dá é para achar que esse futuro incêndio irá se apagar do nada e tudo vai ficar bem.
- Às vezes isso parece que é tempestade em copo d'água. - pensou Carol em voz alta.
- Não é. Tenho que me responsabilizar pelo que acontece dentro da escola, professores, pais de alunos e alunos me cobrarão por permitir que uma professora se envolva com uma aluna menor de idade.
- Faltam poucos meses para eu fazer dezoito. - afirmou Caroline.
- Com essa carinha pouco vai importar isso, às vezes tento entender o que você e Débora sentem uma pela outra e é por isso que estou aqui.
- Querendo que não fiquemos juntas? - falou Carol irônica.
- Talvez pareça ruim o que estou te propondo, mas ainda sim é o melhor. Se vocês se amam, não optem pelo pior, tenho certeza que no fundo, bem no fundo tanto você quanto ela sabe que isso tudo não tem como dar certo. Não agora, Caroline.
Caroline ficou pensativa. Encarava Márcia que bebia um copo de água.
-E então? O que vai querer? - perguntou a diretora para Caroline que ainda sim se encontrava com muitas dúvidas.
Se por um lado seu coração dizia que Débora era a pessoa mais incrível que conhecera e que tinham muito para vivenciarem juntas, sua razão falava que a diretora estava certa. Que aquilo tudo poderia acabar antes de virar uma bola de neve e coisas piores acontecessem. Caroline não sabia quem escutar: seu coração ou a razão?
- Preciso pensar. - respondeu séria.


Essa história será disponibilizada até o capítulo 70 aqui no site.
Sendo que ela não terminará no capítulo 70 e sim se transformará em um livro digital que estará disponível até o final do ano de 2018.
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1.9.18

Será que é amor? - capítulo 68

Assim que Débora pisou em casa sentiu uma sensação estranha visto que fazia tanto tempo que tinha deixado tudo para trás e as coisas estavam completamente diferente.
-Minha filha -falou sua tia abraçando-a com força. Débora não queria chorar mas assim que encontrasse sua mãe seria inevitável,sua tia também sabia disto e tentava acalma-la com palavras doces e singelas. Ela sabia lidar com tais acontecimentos da vida, Débora lembrou da vez no qual perdeu seu primo, filho dela, não conseguia entender como alguém poderia ser tão forte para suportar a perca de um filho mas sabia que existiam pessoas assim,sua tia era uma delas.
-Está tudo bem ? Comeu ? Está cansada ? - perguntava preocupada.
-Está sim tia, não se preocupe , eu só vim para... - falou sem conseguir terminar a frase, sua garganta já estava seca e segurava- se para não chorar.
Sem enrolar muito, todos foram de imediato a caminho da igreja, por opção de sua tia.
No caminho, dentro do carro houve alguns esclarecimentos sobre alguns fatos.
- Minha filha, você sabe que sua mãe não aprova sua escolha,não é mesmo ?
- tia com todo respeito que tenho pela senhora, não estou com nenhuma vontade de discutir sobre esse assunto.
- não quero discussão minha querida, só quero conversar.
Débora respirou fundo, sabia que sua tia era bem diferente da sua mãe apesar de nunca terem conversado sobre quaisquer um dos assuntos que a fez ir embora de casa.
-Tudo bem.- disse calma esperando escutar mais um dos inúmeros conselhos que já escutou em relação a obedecer seus pais e entender que tudo era bastante difícil para eles,coisa que Débora nao concordava jamais.
-Quando sua mãe voltou depois de ter ido te ver, fizemos uma corrente de oração para você ...
-corrente de oração ? -perguntou incrédula.
-calma minha filha, deixa eu terminar.
Débora acatou o pedido mesmo esperando que aquela conversa não teria nada de proveitoso, apenas estressante como todas as outras, estava começando a se arrepender por ter ido.
-Ela falou que você estava totalmente desorientada por está se relacionando..
-com uma mulher ? -perguntou Débora irônica.
-não,claro que não, a questão é que é uma menina Débora.
Débora riu. Seu coração acelerava e sua garganta secava.
Sua tia continuou.
-Todos nós queremos o seu bem, e talvez você esteja cega demais para enxergar que Ela só te trará problemas. Não queremos te julgar mas não podemos deixar que essa garota destrua sua vida. Você deveria saber que tudo isso é errado. Que ela é apenas uma criança. Uma menina que tem pais que não vai gostar nada do que vocês têm, você não pode simplesmente achar que isso tudo é amor. Débora minha filha, você cresceu . Você é uma mulher adulta e cabe a você reconhecer quando algo está errado.
- O que você quer dizer com isso ?
- o que você esta fazendo é errado Débora, eu não te julgo por gostar de mulheres mas minha filha não tem como não interferir nessa situação, é uma garota inocente que ainda nem sabe do que gosta e que não está pensando nos problemas que te causará então cabe a você..
- para o carro. - falou em tom de voz alto.
- para o carro ! - gritou até que seu primo finalmente parou.
Débora desceu do carro levando sua mala e bolsa. Enquanto sua tia falava que não havia necessidade de nada daquilo, Débora só queria ir para bem longe. Sua cabeça explodia só de pensar em tudo que acabara de escutar, ela definitivamente estava arrependida por ter voltado.
Se já não queria ter como última cena do seu pai em um caixão, escutar os julgamentos de sua tia colaboraram ainda mais para ela nem se quer pisar na igreja e presenciar o velório do seu pai.
Ela não iria, não iria guardar em sua memória a imagem do seu pai morto no caixão e do dia horrível que seria aquele dia principalmente depois de ter ouvido tais palavras de sua tia.
Débora ligou para um táxi que fora buscar na estrada, por mais que sua tia e seu primo insistiam para que ela voltasse para o carro, ela se negava. Como havia um restaurante ali perto, Débora fora em sua direção afim de evitar a insistência para que ela reconsiderasse sua ideia de não ir embora, mas ela estava decidida, iria voltar naquele mesmo dia.
-Prima, também não é assim. Ela só que dizer que...
-Eu não quero discutir , as coisas estão difíceis sabe. Eu não preciso de nenhum de vocês se metendo na minha vida como já fizeram.
-Ei, eu não fiz nada..
-sim, não estou falando de você mas de todos eles, e se você for gay, espero que a sua mãe não seja como a minha pois a família é a mesma e você vai escutar bastante coisa.
-vamos conversar. Você está nervosa. - disse ele tentando acalmar Débora.
Os dois entraram no restaurante e pediram suco. Enquanto a tia aguardava no carro, o rapaz tentava convencer Débora que aquele não era o melhor momento para voltar pra casa.
-pra que ficar ? Para todos aqui falarem que estão orando, fazendo corrente pra mim ? Todos me apontando como se eu fosse a maior pecadora quando naquela igreja o que não faltam são maridos e esposas infiéis ? Minha tia e sei lá mais quantas pessoas praticamente dizendo que sou uma....- Debora parou nessa parte colocando suas mãos no rosto.
-Prima, não fique assim... Eu sei que ela exagerou mas pensa bem. Pelo que falaram ela é bem nova. Você sabe que mais cedo ou mais tarde isso daria algum problema principalmente por ela ser sua aluna e estudar na escola onde você trabalha.
Débora ergueu a cabeça e ainda com lágrimas nos olhos sorriu. Sabia que de fato aquilo iria acontecer só não era capaz de explicar o porquê não evitou e só de imaginar isso ela estaria negando tudo que vivenciou com Caroline nos últimos dias e isso era algo que ela jamais poderia fazer consigo e com Carol. Negar que tudo aquilo era algo especial e único.
- Não precisa chorar. Não quero te ver assim.
- Eu sei. Desculpa, só não preciso disso agora. Meu pai morreu, estou prestes a ser demitida, além de muitas outras coisas acontecendo na minha vida. É ela que me apoia, que me ama e está comigo. E que ... -Débora voltou a chorar.
Seu primo tentava acalma-la de todas as formas possíveis até que finalmente conseguiu. Débora já estava decidida que não compareceria ao velório de seu pai e muito menos iria de encontra a sua mãe. Combinou de ser buscada pelo primo mais tarde. Assim a levaria para algum lugar mais calmo, só iria levar a tia que estava o aguardando no carro para a igreja. Por mais que Débora insistisse que seria melhor voltar o quanto antes para sua casa e iria de táxi mesmo sem incomodar ninguém. Seu primo por outro lado insistiu para que ela ficasse, afirmava que ela não estava em condições nenhuma de viajar.
E dito e feito. Débora dispensou o táxi e aguardava seu primo voltar para busca- lá. Nesse meio tempo ficara escutando música e pensando no quanto foi estúpida com Caroline. Sentia tanta sua falta, sabia que se ela estivesse ali seria muito mais fácil enfrentar tudo e a todos mas estando sozinha Débora deixava brecha, brecha para pensar que talvez eles tivessem razão. Talvez ela fosse errada em está disposta a vivenciar um romance com uma aluna menor de idade. Débora se questionava. Chorava ao lembrar de cada palavra que a condenava por está se envolvendo com Caroline. Ela sabia que não era assim que as coisas aconteceram mas nem todos estão dispostos a entender, apenas a julgar e dizer o quanto errada ela estava.
-Demorei ? -perguntou o primo
Débora mal havia entendido sua pergunta tanto que ele teve que repetir. Estava tão distraída que não percebeu sua chegada e muito menos sua pergunta.
-O que tanto estava pensando ? - perguntou ele curioso.
-nada demais - falou Débora.
-pois então . Me fez esperar aqui e até que fiquei mais calma - disse sorrindo.-Entretanto eu tenho que voltar. Já até vi passagens e hoje mesmo tem um vôo de volta, acabei comprando a passagem. É daqui umas seis horas.
-como você é rápida.- disse surpreso.
-independente querido primo. Independente. - afirmou mais alegre.
Os dois sorriam.
- nessas seis horas ainda dá pra fazer muita coisa. Tem certeza que não quer nem mesmo ir ao enterro ?
- não. Não quero, estou bem melhor, não quero piorar novamente.
- tudo bem. Não está mais aqui quem falou.
Os dois saíram dali poucos minutos após a chegada do rapaz. Ele sugeriu para que fossem ao bar que seus amigos da faculdade costumavam ir. Débora aceitou visto que o garoto insistiu pois queria apresentá-los a ela.
-você vai gostar. Eles são demais.- afirmava o menino.
Débora até que se empolgou com sua animação, quem sabe assim esqueceria um pouco dos problemas que tanto a preocupava.
Depois de dormir por um longo período, Caroline acordou melhor, com a mente mais tranquila conseguiu pensar no que poderia fazer para finalmente mudar sua vida. Ao sair do quarto encontrou seu irmão dormindo no sofá da sala.
Assim que viu o celular de seu pai sobre a mesa o pegou e levou para o quarto. De imediato discou o número de Débora, por um momento Caroline não sabia se deveria realmente ligar pois da última vez que se falaram não foi nada bom para ambas as partes. Mesmo com medo Caroline ligou. Só ao esperar escutando os bipes da chamada deixava Carol ainda mais nervosa.
-Alô? - falou Débora assim que atendeu sem ao menos olhar de quem era o número. Estava tão entretida conversando na mesa do bar que não se preocupou em ver quem era.
Caroline ao perceber música festivas ao fundo, não disse nada. Seu coração acelerado agora estava mais pulsante ainda. Se tinha um porquê de ela não ter cedido a investidas de Débora para fazerem sexo naquele dia, era por notar que em momentos tristes Débora descontava suas angústias na cama e imaginar que ela estaria em um festa no dia do velório e enterro do seu pai, não a deixava nenhum pouco tranquila.
Caroline desligou o telefone. Não sabia o que dizer, aliás, sabia que queria dizer que estava morrendo de saudades e que odiava quando não estavam bem uma com a outra mas só de escutar músicas animadas ao fundo e gritarias típico de lugares onde estão pessoas animadas veio um nó na garganta e uma vontade de não falar completamente nada. A voz apenas não saiu.
Débora estranhou mas assim que visualizou o número sabia que era do celular que havia ligado mais cedo. " será que é ela ?" Perguntou para si mesma.
Em poucos minutos Débora retornou a ligação. Sabia que poderia ser outra pessoa de sua casa mas também poderia ser Carol. Ela sentia que era ela.
-Caroline ?
-Oi. - disse a menina sem jeito.
-o que houve? Aconteceu alguma coisa ? -perguntava Débora preocupada.
-sim. Aconteceu.
-me diz, o que foi ? - falou Débora receosa. Tanto que se afastou do lugar onde estava indo em direção à um ambiente mais silencioso.
-estou com saudades de você - falou um tanto quanto sem jeito.
Débora se derreteu. Ficou sorrindo enquanto segurava o celular. Abriu um sorriso tão largo dando uma risada suave mas não silenciosa tanto que Caroline pôde escutar do outro lado da linha.
-Queria que estivesse aqui. Foi tudo tão.. - falou Débora sem conseguir terminar a frase.
-Eu também queria muito está com você. Quando você volta ?
-irei ir hoje a noite. Quer me esperar ?
-claro. Estou com muitas saudades de você.
-eu também. Só quero te abraçar a noite toda e me perdoa por ter sido tão rude com você. Eu sei que..
-não. Está tudo bem. Eu entendo você. Só te quero aqui comigo. - falou Caroline tão suave que Débora ficava sem saber o que dizer. Ela amava tanto tudo aquilo. Amava tanto Caroline que nao conseguia entender como ela conseguia deixa-la assim, toda boba só por falar coisas tão simples que já ouvirá de outras mulheres e que nunca a tocou, não como agora.
-posso te ligar quando eu estiver quase chegando ?
-Nao. Você sabe que esse celular é do meu pai então é melhor não. Vou te esperar no aeroporto. Tudo bem ?
-mas quem é Lucas ? -perguntou Debora ao relembrar de quem havia o telefone mais cedo.
-como assim?
-É que liguei para esse número hoje cedo e alguém com esse nome atendeu o celular.
Caroline suspirou fundo. Por mais que não quisesse levar todos seus problemas para Débora uma hora ou outra ela saberia, então não teria porquê adiar mais.
-É uma longa história. Posso te contar assim que você chegar . Tudo bem para você ?
Débora confirmou que sim. As duas se despediram no maior romance possível.

Depois de tudo que havia acontecido naquele dia tanto com Caroline como com Débora. Com toda certeza aquela ligação fez com que cada uma lembrasse o porquê estavam juntas e o porquê deveriam permanecer uma ao lado da outra.
Assim que Débora desligou o celular fora de retorno a mesa do bar onde estava seu primo e companhia mas quase que de propósito alguém se esbarrou nela deixando a cerveja cair em sua blusa.
-me desculpa, é que...
Assim que se encararam houve um silêncio e uma troca de olhares intensas de maneira que palavras nenhuma puderam ser mais ditas.
O que Débora poderia dizer a mulher que havia a deixando depois de tudo que viveram juntas?!
-Débora! - disse a figura ilustre com um largo sorriso estampado no rosto.





Essa história será disponibilizada até o capítulo 70 aqui no site.
Sendo que ela não terminará no capítulo 70 e sim se transformará em um livro digital que estará disponível até o final do ano de 2018.

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19.8.18

Será que é amor ? - Capítulo 67


Débora assim que chegou, ligou para sua tia que imediatamente enviou alguém para busca-la, mesmo Débora insistindo em dizer que não precisava visto que ela poderia pegar um táxi, sem contar que seria bem mais prático e chegaria bem mais rápido, mas mesmo assim sua tia insistiu acabando por fazer Débora aguardar alguém ir busca-la.
Ficou sentada em uma cafeteria que ficava dentro do aeroporto, optou por beber apenas um cappuccino, enquanto isso pensava em Caroline e como ela estaria, adoraria que ela estivesse ali e pensava no quanto estava arrependida pelo que havia feito antes, por ter sido tão incompreesível e dura com carol. Se ela estava evitando-a, seria por algum bom motivo que Débora ao invés de insistir em perguntar, preferiu insistir em tentar que algo acontecesse.
-Quanta tolice – Disse para si mesma.
Então Débora resolveu ligar para o único número que tinha de Carol, estava com saudades de escutar sua voz, e queria que tudo ficasse bem.
-Alô? –Respondeu uma voz grossa do outro lado da linha, Débora optou por ficar em silêncio já que tinha receio de ser o pai de Caroline, mas conseguiu reconhecer que aquela voz não era dele. Não sabia de quem era o homem do outro lado da linha.
-Alô? Quem fala?- repetiu a voz do outro lado da linha.
-Oi, boa tarde. Quem está falando? – perguntou Débora.
-Lucas.
-A Alice está ai? – perguntou tentando disfarçar.
-Não tem ninguém com esse nome aqui não – falou o rapaz de maneira truca.
-Desculpe, foi engano. – Finalizou Débora que em seguida desligou a ligação.
Débora ficou surpresa e preocupada, ela até olhou novamente o número para ter certeza que havia ligado certo e sim, era aquele número mesmo, não entendeu quem poderia ser aquela pessoa, e está tão longe sem poder saber o que poderia está acontecendo com Carol a deixava ainda mais aflita.
Mesmo preocupada, Débora fez de tudo para não imaginar ou pensar em coisas ruins, resolveu dar uma passeada pelo shopping. Entre vitrines e mais vitrines, passou por uma loja de eletrônicos, sem pensar duas vezes, entrou em uma e estava decidida a comprar um celular para Caroline. Não aguentava mais não poder falar com ela na hora que quisesse como por exemplo neste exato momento de aflição no qual ela se encontrava.
Débora escolheu um celular do mesmo modelo que o seu, pediu para que embrulhassem para presente e assim que finalizou a compra recebeu uma ligação de um número desconhecido. Era seu primo, era ele que sua tia havia mandado para busca-la.
Assim que Débora terminou de realizar o pagamento foi de encontro com seu primo que a esperava perto do aeroporto.
Caroline ainda perplexa diante de toda aquela situação ficou sem saber o que dizer, não conseguiria descrever o que estava sentindo naquele exato momento no qual via a mulher que a tanto tempo havia deixando-a.
-Minha filha – disse a mulher indo em sua direção abraça-la.
-Eu senti tanto a sua falta. Você não faz ideia – dizia enquanto a abraçava e acariciava seus cabelos.
Carol por sua vez não retribuiu o abraço, seu semblante estava indefinido, não conseguia entender o que sentia ao ser tocada por aquela mulher, ao ver seu irmão, seu pai. Todos juntos como antes, as vezes parecia que tudo estava prestes a voltar, a vida horrível que pedia todos os dias a Deus para não ter, lembrava apenas do quanto pedia para que tivesse seus dezoito anos o mais rápido possível, só assim conseguiria se ver livre de todos eles.
-Você está tão bonita, tão saudável, tão feliz – falou a mulher a encarando.
-Não graças a você – respondeu Caroline ríspida.
Em seguida a mulher estranhou e ficou sem jeito com a resposta de sua filha mas mesmo assim continuou.
-Estava com tantas saudades, todos os dias eu contava os dias para poder te ver novamente.
Caroline já não aguentava escutar todas aquelas palavras vindo da mulher que se dizia sua mãe, para ela não passava de baboseira vindo de alguém que nunca poderia ser chamada de mãe.
-Com licença falou Carol indo em direção do seu quarto mas antes mesmo de chegar na porta foi impedida por Lucas.
-Aonde pensa que vai? A mamãe está falando com você, respeite sua mãe, ela está com saudades e quer conversar. – falou o menino com bastante autoridade sobre Carol.
Caroline sem pensar duas vezes empurrou o garoto que se desequilibrou, mas sua força era insuficiente para conseguir derruba-lo , o menino em poucos segundos conseguiu segura-lá pelo braço levando-a força de volta para a sala, jogando-a no sofá.
-Olha o meu braço, quem você acha que é? – gritou Carol.
-Cala boca, você não manda em coisa nenhuma aqui. Senta ai e converse com nossa mãe, não seja bruta com ela se não quer que seja com você – falou o menino a intimidando.
Tanto o pai de Caroline quanto sua mãe não fizeram absolutamente nada, apenas observavam o jeito que o irmão mais velho a tratava.
O silêncio durou poucos segundos, pois o pai de Carol logo tratou de mandar tanto Carol quanto sua esposa para a cozinha.
-Ajude sua mãe, vocês tem muito o que conversar. – Falou o homem truculento, que em seguida sentou-se no sofá para assistir televisão, tanto seu irmão quanto seu pai ficaram sentados ali.
Caroline estava odiando aquela situação, sabia que sua vida um pouco menos infeliz havia acabado de terminar, que tudo voltaria como um dia já foi, que tudo voltaria a ser como quando ela era uma criança, tudo estava tão ruim que teria sim como piorar, pensava isso ao lembrar de Débora, sabia que não podia nem contar com isso, ela não queria e nem poderia levar tantos problemas para Débora, e sabia que estando com ela era isso que ia causar em sua vida.
-Como está indo na escola? – perguntou a mulher.
-Bem- Respondeu Caroline tentando ser o mais breve possível.
Por um momento as duas ficaram em silêncio, a mulher cortava a carne e Caroline cortava as verduras.
-Eu sei que você deve está magoada comigo, mas por favor, me entenda. – Falou a mulher tentando uma aproximação com a menina.
Caroline se recusou a responde-lá ou retribuir seu olhar. Havia decidido há muito tempo atrás que sua mãe não merecia perdão. Era difícil sustentar essa promessa vendo ela ali, mas ela estava decidida, não iria dar o braço a torcer. Seu coração não podia falar mais alto do que a razão, e pela lógica de tudo o que havia acontecido, definitivamente ela só queria se livrar de tudo aquilo que a perseguia.
Assim que terminou de fazer o que tinha que fazer na cozinha, Caroline fora imediatamente para o seu quarto, trancou a porta e começou a chorar, sentia-se sufocada, com vontade de gritar, de colocar tudo pra fora, de gritar, de xingar, de espernear , de imediato sentiu-se sozinha novamente. Rodeada pelas pessoas que diziam ser sua família mas que so a faziam mal, se morar apenas com seu pai já era quase que impossível, agora seria insuportável.
Caroline chorava baixo, não queria que ninguém a escutasse, tudo parecia voltar como nos velhos tempos.
Pow Pow Pow
Carol é interrompida com batidas fortes em sua porta, era seu irmão tentando entrar. Como na casa não havia muito espaço e tinha apenas dois quartos, tanto Caroline quanto lucas dividiriam o quarto.
-Abre essa porte – gritava.
Caroline enxugou as lágrimas e em seguida abriu a porta, seu irmão, como sempre bastante mandão ordenou que Carol saísse da cama pois ele dormiria nela, já que não havia outra.
-Eu não vou sair daqui, você que durma no sofá – falou Carol em alto e bom tom.
O garoto ficou completamente furioso com o tom que sua irmã mais nova dera com ele, de imediato segurou seus braços com bastante força, seu semblante completamente descontente amedrontava Carol que se recusava a recuar, continuava firme em sua posição sem demonstrar qualquer medo que poderia sentir em relação a ele.
-O que está acontecendo aqui? -  perguntou o pai dos dois que ficou observando na porta o que poderia está acontecendo.
-Nada – disse lucas.
-Ele quer me expulsar da minha cama- falou Caroline.
-Durma no sofá. Honre suas calças e larga de frescura.- Repreendeu o pai de maneira ríspida.
O garoto respeitava bastante o pai, sendo assim, largou Caroline e saira do quarto, Carol por sua vez sentia-se perdida, odiava tanto aquela situação, assim que ele saiu fechou a porta e voltou a chorar, não só pela mãe e o irmão que haviam voltado mas por tudo, por medo de tudo que ainda estava prestes a acontecer, por mais que não soubesse o que de fato iria acontecer, seu medo de perder Débora e não somente perde-lá mas como causar problemas em sua vida a deixava ainda mais perturbada. 
Débora ficou surpresa ao ver seu primo,havia tanto tempo que não o via que era impossível não reparar que  ele já estava praticamente um homem feito.
-Uau, como você cresceu – comentou.
-Quanto tempo prima! – falou carismático. Os dois se cumprimentaram e trataram logo de pegar  a estrada.
Débora sentia mais medo ainda ao saber que estava chegando perto da casa de seus pais, já fazia tanto tempo que fora embora. Tanto tempo que não via mais os vizinhos ou parentes, tudo a deixava bastante aflita, principalmente voltar devido a tais circunstância.
-E então, como está a vida?
-Bem, está tudo indo bem – falou Débora. Não que seu primo não fosse alguém de confiança, mas sabia que se falasse qualquer coisa em relação a sua vida, em menos de dez minutos todos já estariam sabendo e se tinha algo que ela odiava era isso, intromissão de pessoas que não faziam parte da sua vida.
-Sabia que a ... –
-A? – perguntou Débora.
-Eu não lembro o nome dala, mas a sua ex que tinha ido embora, sabia que ela voltou?
-Voltou? – perguntou Débora incrédula.
Seu primo apenas confirmou com a cabeça, Débora sentiu algo muito estranho dentro de si, ela que havia pensado que tinha deixado tudo para trás a partir do momento que fora embora, naquele momento soube que não, sentia que tudo não havia acabado de verdade.
-Você ainda gosta dela? – perguntou o garoto.
-Não, claro que não. – falou entre sorrisos de nervosíssimos.
-Não é o que está parecendo. - implicou.
-Eu já encontrei outra pessoa. – Retrucou.
-Outra pessoa? Então é um homem? – perguntou curioso.
-Homem? – Débora deu uma gargalhada – Claro que não.
-Desculpe, é que você falou pessoa...
-Não, não é um homem. É uma mulher, sua prima aqui não se interessa por homens. Ok?
-Claro. Foi mal – falou sorridente.
-Como você descobriu que se interessava por mulheres e não por homens? – perguntou curioso.
-Por que a pergunta agora? –Questionou Débora.
-Nada, só é que sei lá, queria entender.
-Você gosta do que ? – perguntou.
-Como assim?
-Onde tem vontade de por a boca? – Os dois riram com a pergunta.
-Eu ... eu não sei, você sabe, nossa família ainda é bastante preconceituosa e...
-Sim, disso eu sei. E como sei. Mas primo, se você está em dúvida. Experimenta, independente do que nossos pais nós disseram sobre o que é certo ou errado, eles também nunca disseram que devemos buscar a felicidade e eu acredito nisso. Busque sua felicidade, seja feliz seja com homem ou mulher, se permita viver. Se permita ser quem você é. –Finalizou Débora sorrindo, por um instante o rapaz ficou pensativo.
Os dois já estavam quase chegando, faltavam poucos minutos para Débora finalmente chegar em casa, e tão próximo do bairro em que morou durante muito tempo, lembrava das inúmeras vezes que passeava com seu pai por ali, lembrou da vez que caiu de bicicleta e ralou o joelho, na época seu pai fora correndo preocupadíssimo com seu estado de saúde mesmo ela dizendo que era apenas um joelho ralado ele fez questão de leva-la ao médico e tudo, fora impossível segurar as lágrimas diante daquelas lembranças.
Entre um flashback e outro, Débora foi interrompida com uma freada abrupta.
-Tá louca?! – Gritou seu primo enquanto apertava  a buzina.
Diante de toda aquela situação, Débora só conseguia encarar a moça que estava naquele patins, as duas se entreolharam de uma maneira tão intensa que fora impossível Débora não sentir o coração bater mais forte.
-Olha por onde anda – gritava seu primo.
A moça em questão tratou de ir embora, Débora ainda sem reação não conseguia acreditar que aquilo tudo era verdade.
-Você está bem ? – perguntou o rapaz.
Débora apenas o encarou de volta balançando a cabeça dizendo que sim. Mas no fundo, não, ela não estava nada bem. A última coisa que ela poderia imaginar era que encontraria sua primeira ex namorada assim que pisasse de volta no seu antigo bairro, nada estava bem, absolutamente nada.

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